A Coerência que se quer a 8 dias da Greve

      Em 21-11-2017, Fernando Jorge, presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), em artigo de opinião publicado no Correio da Manhã, terminava com a seguinte questão: «Será necessário recorrermos também à greve?»


      Fernando Jorge, insinuava, em novembro passado, que o recurso à greve poderia ser inevitável em face daquilo a que assistia nas ações reivindicativas dos professores que então ocorreram.


      Dizia assim: «valorizamos e saudamos a recente luta dos professores em defesa de várias questões socioprofissionais»; «Há já alguns meses que vimos alertando a tutela para esta questão. Também a colocámos aos grupos parlamentares»; «Por isso é exigível que as respetivas tutelas, no nosso caso o Ministério da Justiça, urgentemente informem os sindicatos sobre eventuais decisões sobre a matéria, porque se é certo que todas as classes profissionais referidas têm procedimentos de progressão na carreira diferentes, é incontornável que este direito tem de ser para todos. Ou será necessário recorrermos também à greve?»


      O recurso à greve constituía, pois, não só uma insinuação mas até uma ameaça e um caminho que parecia inevitável e que a ninguém surpreenderia tal opção.


      Há dias, aquando da sessão solene da abertura do ano judicial no Supremo Tribunal de Justiça, à margem da cerimónia, Fernando Jorge comentou a greve de 3 dias que o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) acabara de anunciar, desta forma:


      «Surpreendidos; eu fiquei surpreendido, eu tive conhecimento disso há pouco, aqui já no Supremo Tribunal de Justiça, portanto, acho estranho a marcação dessa greve e mais estranho ainda o "timing" e o local para anunciar a greve. Quer dizer... acho que... foi uma coisa... É uma... Parece que é... Havia uma intenção, marcar uma greve com mediatização imediata. Eu não sei quais são os motivos, não vi o pré-aviso ainda... Não, as negociações estão a correr normalmente, aliás, nós temos entregues todos os documentos que nos têm sido solicitados pelo Ministério da Justiça, no âmbito da negociação do Estatuto, apresentamos as nossas propostas, os nossos comentários e vamos ter uma reunião muito brevemente.»


FernandoJorgeSFJ-8(STJ18JAN2018).jpg


       Ficamos com a impressão de que não há coerência no discurso do presidente do SFJ, ao considerar que aquilo que o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) anunciou, terá sido inapropriado ou inoportuno ou até incómodo, quando sucedeu precisamente o contrário; o momento não poderia ter sido melhor escolhido, foi completamente oportuno e precisamente pela mediatização imediata que teve e que o presidente do SFJ não gostou, talvez por a comunicação social ter dado atenção àquele anúncio e àquele sindicato; sindicato que é um sindicato representativo dos Oficiais de Justiça.


      Se em novembro passado, o mesmo presidente do mesmo sindicato SFJ dizia que «valorizamos e saudamos a recente luta dos professores em defesa de várias questões socioprofissionais», no passado dia 18, não valoriza nem saúda a luta encetada, já não pelos professores mas pelos próprios Oficiais de Justiça, precisamente também em defesa de várias questões socioprofissionais.


      Ora, é este o momento oportuno para que o SFJ anuncie que, tal como valorizou e saudou a luta dos professores, de igual modo valoriza agora e também saúda a luta dos Oficiais de Justiça, adotando-a e apoiando-a também, pois, a esta hora, já teve conhecimento do Aviso Prévio que naquele dia disse ainda não conhecer. E é isto que os Oficiais de Justiça esperam desse sindicato que contribua para a tão propalada união de esforços dos Oficiais de Justiça na defesa da sua carreira já tão adiada.


      Ainda está a tempo, pois faltam 8 dias para o início dos três dias marcados: 31Jan-Qua, 01Fev-Qui e 02Fev-Sex.


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      Fontes: “Correio da Manhã” e “TVI” (com hiperligações incorporadas).

Comentários

  1. Certo sindicalismo aburguesou-se e apequenou-se perante o poder de quem tem dinheiro. O resultado está aí. Cada vez maiores fortunas, à custa do esforço de uma classe média esmagada com impostos e salários baixos. O que os nossos antepassados demoraram décadas a adquirir, os nossos sindicatos deram ao desbarato nos últimos anos.

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