É bonito de se ver
Estes últimos dias têm sido bonitos de se ver.
Tem sido bonito ver como os Oficiais de Justiça tomaram a greve anunciada por um dos sindicatos como sua; apoderando-se dela como uma dádiva e como um objetivo que ansiavam.
Mesmo sem uma poderosa máquina sindical de sustentação, os Oficiais de Justiça combinam concentrações às portas dos tribunais, um pouco por todo o país, organizando-se de forma espontânea a nível local. É isto que está na génese do sindicalismo; é esta espontaneidade e liberdade dos trabalhadores que faz com que se constate que ainda há um verdadeiro espírito sindical de defesa e de protesto na posse dos Oficiais de Justiça.
É bonito de se ver como todos os Oficiais de Justiça tomaram esta greve como sua, ignorando quem a convocou e mesmo aqueles que se encontram filiados noutro sindicato diferente do convocante, manifestam a sua adesão a esta greve que não é mais uma de um dia à sexta-feira.
Mesmo com toda a súbita movimentação do aparelho sindical do sindicato contrário à greve, convocando até reuniões plenárias com caráter de urgência, sem a devida antecedência e cumprimento dos preceitos legais, dentro do horário de funcionamento dos tribunais e sem assegurar os serviços mínimos, tudo com a bênção e tolerância da Administração, que até contribui divulgando informações com caráter de urgência através dos canais oficiais de serviço do Estado, impondo a todos os Oficiais de Justiça, nas suas caixas de correio eletrónicas, sejam filiados naquele sindicato ou não, a comunicação que diz respeito apenas aos associados daquela entidade.
Mesmo com toda esta máquina a rodopiar em sentido contrário, é bonito de se ver como ainda há pureza de ideias e de ideais de liberdade e de racionalidade nos Oficiais de Justiça que, apesar de tudo, resistem às investidas de um sindicato que, em vez de defender a vontade dos Oficiais de Justiça, parece defender o Governo e o estado das negociações e os anúncios que foi buscar ao Ministério da Justiça para poder dizer mais uma vez coisas como: “o subsídio há de ser integrado no vencimento”.
É bonito de se ver como por estes dias se viu um despertar das consciências adormecidas e entorpecidas pela opiácea inação.
Para aqueles que já andam nesta profissão há muitos anos, recordarão que a última vez que uma greve dos Oficiais de Justiça obteve algum ganho foi já há muitos anos, mais concretamente há vinte anos atrás e, desde então, a carreira tem vindo a perder-se no arrastar dos anos e das convicções ultrapassadas e desatualizadas de uma elite repetitiva e repetente que perdeu o norte do sindicalismo real.
É difícil para todos os Oficiais de Justiça aderirem a esta grande greve que há mais de duas décadas não sucede com esta dimensão de dias consecutivos, não só pela óbvia perda no vencimento mas também pelo confronto que é necessário fazer contra a pesada máquina do sistema instalado.
Para muitos, a tomada de decisão de adesão à greve é uma decisão muito difícil de tomar por não quererem confrontar a sua organização sindical a quem devem obediência, mas, pelo contrário, para muitos outros, a tomada de decisão não correspondeu a nenhuma dificuldade, tendo sido fácil e rápida a decisão de aderir a esta manifestação de desagrado e de reivindicação, não só porque sentem na própria pele o desgaste da profissão mas também porque têm consciência do desgaste dos outros e, antes de mais, têm ainda uma consciência de solidariedade para com os demais e isto não é bonito de se ver mas é, antes, muito e muito bonito de se ver e já há 20 anos que não se via nada assim.

A espontaneidade de luta e a solidariedade são a base pura do sindicalismo e, hoje, já a ninguém interessa saber quem anunciou a greve, se foi o sindicato A ou o sindicato B, porque a greve é a manifestação que os trabalhadores querem agora fazer e, por isso, tomaram conta dela e dela esperam mais e esperam tudo, esperam aquilo que nas últimas duas décadas ainda não viram acontecer mas viram ser constantemente prometido e constantemente negociado.
Os Oficiais de Justiça deste país estão fartos e é por isso mesmo que acolhem esta greve como a resposta à sua desilusão para com o Governo e, infelizmente, até para com o sindicato mais antigo e maioritário que se opõe ao desejo e à luta daqueles que diz representar.
Estes dias, mesmo ainda sem a greve ocorrer, têm sido já muito úteis para a consciencialização da classe. No futuro, há de se falar desta greve como o ponto de viragem; haverá um antes e um depois e haverá quem para ela tenha contribuído e haverá quem para ela não tenha contribuído e nunca mais poderá contribuir nem vir a dizer que contribuiu, apenas que alinhou com aqueles que ficaram para trás, agarrados ao passado.

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ResponderEliminarO Sindicato dos Funcionários Judiciais, através do seu presidente Fernando Jorge, mostrou-se indignado com o pré-aviso de greve decretado pelo SOJ que, perante vários canais televisivos, referiu estar surpreendido com o pré-aviso de greve, com a oportunidade e momento da sua apresentação, uma vez que se encontra em negociações com o Ministério da Justiça, acusando o presidente do outro sindicato, Carlos Almeida, de aproveitamento mediático.
ResponderEliminarO palco, os holofotes e a notoriedade eram do Fernando Jorge e porque raio é que o Carlos Almeida apareceu!
Espelho meu, espelho meu, há mais alguém sindicalista do que eu?
O palco, os holofotes e os aplausos seriam para Fernando Jorge se fosse para anunciar o reconhecimento e dignificação da carreira dos oficiais de Justiça.
Não é possível alcançar um movimento sindical coeso, com dirigentes que se preocupam com o seu protagonismo e imagem, descorando a essência do sindicalismo.
Numa tentativa de compreender a posição do SFJ, revisitei a página da internet do SFJ dos últimos anos e, por mais que me esforce não consigo.
Fernando Jorge acusou Carlos Almeida de aproveitamento mediático.
Informação Sindical do SFJ – 16 Setembro de 2014
“ É, claro, aproveitámos esta mediatização para denunciar a nossa situação socioprofissional, reivindicando e exigindo a resolução de algumas questões que nos afectam”.;
Fernando Jorge diz não estar de acordo com a anunciada greve, por esta não fazer qualquer sentido, porque ainda estão em negociações com o Ministério da Justiça.
Então qual a razão de ser da manutenção da greve decretada por este Sindicato dos Funcionários Judiciais em Fevereiro de 1994, se neste momento estão em negociações?
Veja-se o comunicado do SFJ na sequência da greve decretada pelo SOJ ao trabalho extraordinário.
Comunicado do SFJ : “A ineficácia prática do acórdão 4/2017 e do Ofício Circular 9/2017 da DGAJ
Relativamente a uma greve recentemente convocada por uma outra estrutura sindical e com efeitos a partir de amanhã, 13 de Julho, e com o objectivo de esclarecer os funcionários judiciais, relembramos que se mantém em vigor e totalmente eficaz a greve decretada por este Sindicato dos Funcionários Judiciais em Fevereiro de 1994 e adequada ao horário por republicação de novo Pré-Aviso, em Junho de 1999”.
Em Setembro de 2014 dizia o SFJ que estava empenhado e determinado em atingir os objectivos a que se tinha proposto e que este era o momento de avançar.
Decorreram quase quatro anos e o que mudou? Os estatutos são os mesmos e a carreira dos Oficias de Justiça continua a ser desvalorizada.
Agora não, diz Fernando Jorge, este é o momento de esperar.
SFJ Informação Sindical – 16 Setembro de 2014
“E para que não haja nenhuma dúvida do nosso empenho e determinação em atingir os objectivos a que nos propomos, obviamente que este era o momento de avançarmos para a realização de formas de luta, na defesa, em primeira linha, dos direitos dos funcionários judiciais, mas também da qualidade do sistema de justiça e dos direitos dos cidadãos.
Assim, o Secretariado do SFJ decidiu marcar Greve Geral nacional para o próximo dia 26 de setembro e Greves parciais durante todo o mês de outubro, sendo um dia em cada uma das novas comarcas. Veja aqui o Aviso Prévio”.
Esta forma apressada e atrapalhada do SFJ tentar impedir uma greve decretada por outra estrutura sindical é contrária à coesão e aos princípios de solidariedade que devem nortear o sindicalismo.
As recentes reuniões promovidas pelo SFJ com o objectivo de desmobilizar os Oficias de Justiça, liderando um movimento contrário à greve, é a antítese do sindicalismo, e contrasta, curiosamente, com a seguinte informação sindical do SFJ.
Informação SFJ: Ordens ilegais não são para acatar
“O SFJ está a ter conhecimento que em alguns locais estão a ser proferidas ordens de serviço/provimentos requisitando para a prestação dos serviços mínimos um numero de funcionários superior ao que consta do aviso prévio de greve, bem como para sec
Sou oficial de justiça, mas não me revejo minimamente nas posições bafientas e situacionistas daquele sindicato que se intitula SFJ, que no meu ver deveria acrescentar à sua sigla, mais duas letras, e assim ficar SPAFJ (sindicato PARA ALGUNS funcionários judiciais). Este sindicato, bolorento, que tanto apregoa aos "quatro ventos", que fazem e acontecem, pura e simplesmente, nada fazem, pois como se pode verificar, pela malta que gravita à sua volta, todos têm ligações "geringonças" se é que me faço entender!!!
ResponderEliminarIndependentemente dos sindicatos, esta é uma greve que visa fazer ouvir a voz de uma classe que nos últimos anos tem sido votada ao esquecimento, por isso pertenças tú a qualquer sindicato, ou pura e simplesmente te estejas a marimbar para eles, mas tens orgulho na tua profissão, ADERE À GREVE!!!
Não sejas amorfo e sobretudo não deixes que decidam por ti, LUTA pelos TEUS DIREITOS.
Concordo colega!
EliminarVAMOS À LUTA
Aí estão os serviços minimos - em forma de requisição civil !!!
ResponderEliminarTal como há vinte anos atrás!!!
E a lei, mais uma vez, não se cumpre....
Aí estão os serviços minimos - em forma de requisição civil !!!
ResponderEliminarTal como há vinte anos atrás!!!
E a lei, mais uma vez, não se cumpre....