“Paixão Clubística Irracional”
Pois é, o assunto do momento é o futebol e os Oficiais de Justiça.
Questão prévia: Os Oficiais de Justiça são, ao dia de hoje, um pouco mais de 7800 elementos, pelo que a circunstância da comunicação social se referir a problemas com dois ou três elementos, isso não se mostra relevante, representa um valor extremamente baixo e não é minimamente representativo do conjunto.
Feita a observação, nada mais se dirá, aliás como é hábito nesta página, sobre o assunto e processos pendentes.
No entanto, tendo em conta a divulgação na comunicação social das declarações televisivas do presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), são estas apenas as que abordaremos.
Na SIC Notícias, Fernando Jorge disse assim:
«Eu acho que neste caso, o que houve foi, eventualmente, uma paixão irracional clubística… Aquilo que está é um Oficial de Justiça que se calhar recebeu uma camisola ou um bilhete; bilhete que não são bilhetes, são convites, que aquilo nem têm valor; os bilhetes nem têm valor patrimonial, não é, aquilo são convites que os clubes oferecem a várias entidades e neste caso oferecem a várias entidades e neste caso ofereceram ao Oficial de Justiça que era simpático para com o clube. Se isto fosse uma informação passada a um amigo, neste caso o Dr. Paulo Gonçalves é advogado, e com o maior respeito por todos os advogados, se este Funcionário Judicial passasse uma informação sobre um processo a um advogado, processo simples, qualquer coisa menos importante que esta questão dos clubes e do futebol, esta… é… é… todas estas questões relacionadas com este processo, estão a ter esta mediatização, este impacto e mesmo esta apreciação pública, porque estamos a falar de clubes de futebol…»
Ou seja, de acordo com o presidente do SFJ, os alegados crimes, ou crimes como os que são descritos, são frutos simples de um arrebatamento ou de um estado de êxtase clubístico, perfeitamente justificável porque, imbuídos de tal paixão, vê-se a tranquilidade do raciocínio e da ação toldada por aquele furor, assim se justificando qualquer irregularidade. Por outro lado, afirma não haver irregularidade, uma vez que uma camisola ou bilhetes são coisas sem qualquer valor.
Para o representante do maior sindicato dos Oficiais de Justiça, a ação do Ministério Público e judicial não detém justificação porque apenas estamos perante um empolamento e mediatização do assunto, por estar relacionado com clubes de futebol.
É esta a imagem que passa para os cidadãos dos Oficiais de Justiça: por um lado a imagem da comunicação social e, por outro lado, a imagem de desvalorização do assunto por parte de um representante sindical dos mesmos Oficiais de Justiça.
Poderia este representante sindical referir que a esmagadora maioria dos Oficiais de Justiça são homens e mulheres detentores de uma integridade moral a toda a prova? Deixando de lado as camisolas e os bilhetes? Poderia este representante sindical explicar que aqueles Oficiais de Justiça arguidos ainda não foram julgados e que se presumem, até ver, inocentes? Seria preferível esta atitude séria e legal à de minimização e depreciação dos alegados factos? Será que a imagem dos Oficiais de Justiça saiu beneficiada ou valorizada depois desta intervenção?
Responda às questões quem souber, puder ou quiser.
Pode ver o vídeo com as declarações aqui transcritas, na página da "SIC Notícias", através da hiperligação aqui inclusa.

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