Impasse no Estatuto e 200 Promoções a Adjunto neste Movimento
Esta terça-feira, 15MAI, decorreu mais uma ronda negocial dos sindicatos com o Governo, para apreciação das propostas do novo Estatuto dos Oficiais de Justiça.
Tal como na ronda anterior, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) veio anunciar que as negociações continuam num impasse, havendo matérias que não avançam porque não existem pontos de acordo com o Governo.
Diz o SFJ: «…as matérias onde não foi possível, por ora, chegar a um acordo, serão novamente objeto de negociação em reunião posterior.» Esta mesma postura de empurrar para a frente já foi comunicada na informação da ronda negocial anterior, onde foram apresentados vários aspetos onde há desacordo e foram adiados para mais tarde.
Pese embora a bandeira da conquista do grau de complexidade de nível 3 atribuído à carreira, tudo o mais encaminha a carreira para o seu fim, tal como hoje a conhecemos, transformando-a numa coisa com pessoas que dizem sim a tudo para poderem ser nomeados e renomeados nas comissões de serviço para os cargos e com os vencimentos temporários que só ocuparão enquanto disserem que sim senhor e nada mais do que isso.
A conquista do grau 3 e o foco em tal aspeto poderá constituir o perdimento total da carreira como tal. Embora não deixando de ser uma boa notícia, já aqui o dissemos, terá que haver, no entanto, uma moeda-de-troca para o pagamento.
Na informação sindical ontem divulgada, o SFJ aborda outros aspetos e ocorrências da tal reunião, relatando o seu murro na mesa sobre duas questões e o traçar de uma linha vermelha que, já se sabe, afinal é verde.
Diz o SFJ que antes da negociação do Estatuto, que era o objeto da reunião, se indignou perante o não cumprimento dos compromissos assumidos anteriormente, designadamente, até aquando na véspera da greve dos três dias este sindicato se reuniu apressadamente para vir anunciar as várias conquistas e razões para que não se fizesse a tal greve. Ora, tais conquistas e razões são agora consideradas como “inobservância” “grave e incompreensível” e “insustentável”.
«A não inclusão de norma de regularização do suplemento de recuperação processual no Decreto-Lei de Execução Orçamental (DLEO) e A não comunicação (atempada) de abertura de procedimento de acesso (promoção) às categorias de Escrivão Adjunto e Técnico de Justiça Adjunto. O SFJ considera que a inobservância destes dois compromissos, assumidos pela Sra. Ministra da Justiça, em nome do Governo da República, é grave e incompreensível.»
A secretária de Estado adjunta da Justiça, informou que houve “razões técnicas” para a não inclusão da norma que permitiria a integração do suplemento remuneratório no vencimento e que, entretanto, se esta a estudar forma alternativa de “resolver a situação”. Note-se que a questão, ou as questões, relacionadas com o suplemento remuneratório vêm sendo prometidas e adiadas, agora até por problemas técnicos, há muitos e tantos anos que já quase ninguém se recorda quando começou a “resolução da situação”.
Já em relação ao desbloqueamento das promoções a Adjunto, a mesma secretária de Estado referiu que a DGAJ está a elaborar os procedimentos necessários (cabimentação) para que seja possível efetuar 200 promoções no presente movimento ordinário de junho de 2018.
É aqui que o SFJ não abandona de imediato a reunião, em face do manifesto incumprimento dos compromissos, de imediato constatáveis e logo numa reunião em que se pretendem assentar mais e novos compromissos, e, antes, concede um prazo de até ao fim do mês para que estes dois aspetos sejam desbloqueados, ameaçando que «Se tal não vier a acontecer, o SFJ recorrerá a todos os meios de luta necessários para que a Tutela cumpra e respeite os compromissos por si assumidos.»
De tolerância em tolerância, assim se chega à intolerância.
Termina o SFJ informando que no próximo dia 30MAI, data da próxima reunião, apresentará “uma tabela remuneratória própria na qual se repercutirá, também, a integração no vencimento do suplemento de recuperação processual”.
Esta questão da integração do suplemento no vencimento ou mesmo a atualização aos 10% já roça aspetos surrealistas. Ora se afirma como um compromisso e uma razão para se acreditar na negociação, ora se considera insustentável como inobservância, ora se traça linha vermelha, ora se apresenta para negociar numa tabela a apresentar e a apreciar depois da linha vermelha traçada, em novos prazos, em novas promessas...
Por isso, caros leitores, aqui se afirma mais uma vez que não há nenhuma linha vermelha, que a questão da inclusão ou atualização do suplemento continuará pendente em negociação e a única coisa que se concretizará no mês de junho será a existência de 200 promoções às categorias de “Adjuntos”, a constatar em julho e a concretizar em setembro.
Pode aceder à informação de ontem do SFJ que aqui se abordou, através do seguinte acesso em hiperligação: “SFJ-Info-17MAI2018”.

Caro colega “Oficial de Justiça”! Quero começar por o felicitar pelo seu trabalho diário neste blog que, a meu ver, dá mais voz neste momento, ao mau estar da classe, que os sindicatos que nos representam.
ResponderEliminarQuanto ao artigo de hoje, que subscrevo em grande parte, parece-me, no entanto, que terá havido alguma confusão da sua parte. A norma com vista à regularização do suplemento de recuperação processual não incluída “por razões técnicas” no Decreto-Lei de Execução Orçamental, que tanto indignou o sindicato, diz respeito, e tão só, à regularização do mesmo para os 10% do vencimento, como aliás se encontra previsto no diploma que o regulamentou e, que saiba, não se encontra revogado. O que torna ainda mais caricata a situação, pelo ridículo e peso da questão.
Obrigado pelo apreço, pela atenção e pelo alerta.
EliminarFoi já efetuada uma correção ao texto para ressalvar tal aspeto.
Algo vai muito mal nesta casa quando alguém com avaliações excelentes e quase vinte anos de casa, ganha apenas mais cem euros do que alguém que entrou há 2/3 anos...
ResponderEliminarE querem objetivos?
E querem motivação???
E exigem exclusividade, quando mal dá para pagar as contas??
... mais cem euros? Era bom. Tenho quase 20 anos de serviço, base da carreira 2° escalão, não chega a cem euros.... 60?
EliminarJá para não falar das promoções por mérito, que essa também dói. Eu e outros que tiveram nota de excelência logo nos primeiros anos de carreira e que nas promoções se viram ultrapassados e vão ser ultrapassados por outros que só "agora" conseguiram a nota de excelência, e porque são mais antigos na carreira. Injusto.
Querem destruir a justiça com os salários que pagam e orçamentos vergonhosos, ano após ano, independentemente dos partidos que governaram.
ResponderEliminarIncomoda a este estilo de cleptocracia.
Votamos neles convencidos da existência de uma democracia forte e afinal eles não são democratas.
Era o que faltava agora andar a investigar a malta.
Não ouviram um deputado neste último 25 de Abril a comentar que a corrupção era uma consequência normal da democracia???
Alguém achou aquilo um comentário vergonhoso?
Percebem agora o que digo?
Com poucos meios e baixos salários, eles não piam nem estrabucham muito...