Acabou a Greve; Analisemo-la.
Esta greve de três dias que ontem terminou permite realizar um balanço muito positivo em termos de adesão, que foi bastante elevada, pese embora a muita problemática do momento e o estado de espírito dos Oficiais de Justiça.
Dizia à comunicação social o presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ):
«Eu acredito que o Governo vai compreender esta insatisfação e indignação das pessoas e vai-nos chamar à mesa da negociação.»
É uma questão de fé, acreditar assim desta maneira tão firmemente e assim dizê-lo a toda a gente.
Esta greve compreende-se de facto pela importante mostra de insatisfação e de indignação dos Oficiais de Justiça e isso mesmo é visto pelos Oficiais de Justiça mas a questão é a seguinte: quem mais vê isto também? O Governo? Os utentes da justiça? Os cidadãos? Ou só os Oficiais de Justiça?
Provavelmente, esta enorme manifestação de indignação só é vista desde dentro e pelos próprios Oficiais de Justiça. Sejamos claros: mais ninguém sente esta indignação e manifestação de insatisfação como os próprios a sentem.
A greve é apenas mais uma greve, o número de dias é algo que se mantém dentro da normalidade e não põe em risco o sistema, apenas o atrasa um pouco. O Governo e a opinião pública vivem bem com isto.
Desde o início aqui reivindicamos que a ação deveria ser maior do que isto porque esta seria banal e inconsequente.
Os Oficiais de Justiça precisam de sindicatos que sejam mais corajosos nas suas reivindicações e nas suas ações. Não basta com cumprir os requisitos habituais, há que ir mais longe, fazer e reivindicar mais, sob pena de as suas ações passarem perfeitamente desapercebidas e constituírem apenas um, ou mais um, contratempo.
Terminada que está a greve que se segue? Mais um período de intervalo até à próxima greve?
É necessário ter posturas mais contundentes; é necessário apontar os erros do Governo de forma clara e traçar as necessárias linhas vermelhas.
Desde logo, é necessário aprender que uma greve assim já é irrepetível e que a próxima tem que ser diferente.
Depois, é necessário analisar cuidadosamente os diferentes aspetos da greve, quer sejam as ações dos sindicatos, quer sejam as ações das entidades governativas. É necessário analisar tudo, desde fraca adesão às concentrações à trapalhada dos serviços mínimos que constituíram uma ação muito grave e da qual se devem retirar especiais consequências; assunto a que se há de aqui voltar.
É necessário não parar nem se deixar iludir pelo recente anúncio das 110 promoções, pois estas nada têm que ver com a greve e nem estas constituem um número relevante e nem sequer correspondem ao número prometido.
Ao serviço da vontade dos Oficiais de Justiça, vimos como o SOJ se associou à greve do SFJ, coisa que há uns meses atrás não conseguimos sequer vislumbrar na anterior greve, e vimos como o presidente do SOJ compareceu até na concentração de Lisboa.
Os interesses e a vontade dos Oficiais de Justiça numa ação conjunta; numa união de esforços, viu-se agora concretizada. E isto é muito bom. No entanto, não confundamos com desunião o facto de haver dois sindicatos, ou mais que houvesse, e diferentes opiniões; isso não é desunião; é riqueza de opinião; a união viu-se aqui: na união de esforços e de entendimento numa causa comum e, por isso, os Oficiais de Justiça se mostram satisfeitos e agradecidos com a contribuição de dignidade à causa que o SOJ aportou, dando o exemplo e ainda uma importante lição a quem a queira aprender.
É este o caminho: servir sempre os interesses dos Oficiais de Justiça e servi-los na riqueza da diversidade de opinião e também na conjugação de ações de interesse mútuo.

da greve entre outras coisas saliento o facto de pelo menos um elemento dos orgãos sociasi do SFJ não ter aderido a greve. Será que já colocou o lugar à disposição? Ou como a máquina montada é tão grande dá para tudo, até para o sindicato ter no seu seio fura greves?
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