Costa e a Caldeirada
Diz-se que que a caldeirada de peixe é uma receita de pescadores, algo simples, com tudo no mesmo tacho, designadamente peixe, e, assim, cozinhado de uma só vez. A simplicidade do cozinhado e o facto de tudo estar no mesmo tacho resulta num prato carregado de sabor, muito fácil de fazer.
Em termos de cozinha, o nosso primeiro-ministro prepara caldeiradas de peixe há muito tempo mas, fora disso, não há nada mais que releve no seu percurso culinário.
O primeiro-ministro podia saber preparar um qualquer outro prato, por exemplo, qualquer uma das muitas variedades de bacalhau que é um dos peixes mais versáteis e usados na culinária portuguesa, mas não, os dotes do primeiro-ministro resumem-se à especialização na caldeirada.
A caldeirada, para além da gastronomia, tem uma conotação de algo muito misturado ou com misturas diversas, uma mixórdia, uma salsada, uma embrulhada ou uma confusão.
Para político, associar a sua imagem à de uma caldeirada, é algo que pode resultar ser perigoso. Os políticos querem sempre transmitir uma imagem de ordem, de organização, de coerência e não de confusão ou de tudo misturado, isto é, de uma caldeirada.
No entanto, António Costa, é o que sabe fazer. Claro que podia aprender mais em vídeos tutoriais do YouTube mas não é algo que lhe aporte grande interesse. O seu interesse está focado noutros aspetos e, desde logo, no tempo de antena amplo e gratuito em um dos programas com maior audiência das televisões.
É preciso lá estar, é preciso participar, dizer algo, mostrar ser um tipo “porreiro pá” e para isso, se é necessário cozinhar, cozinha-se, e tudo o mais que fizer falta; o espetáculo tem é que continuar.
O outro só telefonou mas este cozinhou.
Não sabe fazer uma caldeirada? Não é nada de especial, aprenda nos seguintes cinco pontos:
-1- Descasque a cebola, o alho, as batatas e limpe os pimentos de sementes e partes brancas. Junte o tomate e corte tudo às rodelas.
-2- Num tacho largo disponha a cebola, o alho, as batatas, o pimento, o tomate e o peixe às camadas, alternando e temperando cada camada com o sal.
-3- Adicione o louro e regue com o azeite, o vinho branco e a água.
-4- Coloque a tampa e leve ao lume durante 30 minutos sem mexer. Agite o tacho de vez em quando.
-5- Coloque os coentros picados e a pimenta, a caldeirada está pronta a servir.
É fácil e resulta num prato com muita variedade que parece algo muito elaborado. Parece muito elaborado mas não é; é algo extremamente simples e básico.
É este o prato predileto do nosso primeiro-ministro: aparenta ser algo complexo, elaborado, com tantos e variados ingredientes, tão bem acabado e saboroso mas, na realidade, é só aparência; ilusão, fantasia, engano; pois a sua elaboração não carece de cuidado nem de intervenção, é um cozinhado que se faz sozinho. Não é sequer necessário perceber de culinária, qualquer um prepara aquilo e depois é só deixar andar.
Neste momento há já quem esteja a fazer comparações com a atuação política e governativa de António Costa mas, se tal é possível, tratar-se-á de uma mera casualidade, pois o artigo de hoje tinha intenções meramente culinárias.

Pois ė. Há sempre quem prefira os pratos servidos pelos senhores que venderam o país ao desbarato a amigos especuladores. Trabalhadas iguarias que ainda souberam melhor a quem comprou a preço de saldo todo o capital produtivo propriedade do estado. A aparente e fantasiosa complexidade de um cozinhado são com as fake news. Só se deixa enganar quem não se encontra preparado para filtrar informação. Mas como transparecem as sondagens, parece que a maioria dos portugueses sabe filtrar, e sempre prefere uma boa caldeirada à portuguesa, do que complexas iguarias feitas por grandes chefes para os amigos do alheio e de tom laranjinha. Mas enfim, só come quem quer!
ResponderEliminarDeve estar-se a referir aos governos de José Sócrates e a muitas caldeiradas que levaram esses mesmos governantes a assinar o memorando da trioica.
EliminarO Senhor primeiro ministro é uma figura de Estado que nos merece respeito. É tido como um cidadão sério.
ResponderEliminarHá de certeza por aí
mais "generais" bons "cozinhadores".
Concluindo, está tudo bem os oficiais de justiça não merecem mais, teem privilégios que outros não têm, não merecem o bem que este senhor Primeiro ministro lhes proporcionou!
EliminarSomos uns ingratos.
Acabaram as negociações com as estruturas sindicais e ponto final.
O mal do país não é do poder executivo mas sim do poder judicial.
Os juízes os procuradores e os oficiais de justiça é que passaram a ser alvo dos governantes e da comunicação social.
Até o senhor Primeiro ministro é a senhora ministra da justiça aderiram à greve no dia da mulher.
Está tudo cego?
Quando as greves não agradam ao governo são selvagens, quando elas são contra o poder judicial são civilizadas.
A propaganda no seu melhor.
Assim não vamos lá.
Calma lá. Convém individualizar as classes. Quem estão mal são os OJ.
EliminarOs OJ comparecem diáriamente ao trabalho e esses sim é que são muito mal pagos.
Outras classes querem lá saber disso.
Será que nos vão dar algum tempo de serviço para efeitos de descongelamentos, aplicando-nos também a nós a regra dos professores que depois de vetada continua igual?
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