O Museu Nacional da Resistência e da Liberdade

      Logo em 1976, uma resolução do Conselho de Ministros decidiu que a Fortaleza de Peniche seria um museu.


      Passados 45 anos as obras de conversão da cadeia estão em curso.


      Por que é que foi preciso esperar tanto? Coisas típicas de Portugal…


      Se “todos” os portugueses comemoram os 45 anos do 25 de Abril no próprio dia 25 de abril, há alguns que o festejarão (também) no sábado, 27 de abril, dois dias depois.


      Quem são esses?


      São os últimos presos da Fortaleza de Peniche, serão cerca de cinquenta e foram libertados dois dias depois do 25 de Abril, por isso festejarão (também) no sábado o seu dia da libertação.


      José Pedro Soares estava entre os 50 presos da cadeia da Fortaleza de Peniche e recorda aquele dia de libertação assim:


      “Noutros dias, os que saíam da cadeia só tinham a família e uns amigos à espera e, naquele dia, tínhamos uma multidão que abriu um corredor, batia palmas e cantava as cantigas da libertação da altura”, recorda José Pedro Soares, enquanto visita as obras a decorrer na fortaleza, para instalar o Museu Nacional da Resistência e da Liberdade.


      Na manhã do 25 de Abril de 1974, lembra, um grupo de presos, do qual fez parte, juntou-se na sala de convívio da cadeia para ver televisão, e estranhou o facto de o ecrã estar "escuro e ouvir-se apenas música sinfónica".


      Poucas horas depois, chamaram todos os companheiros e assistiram pela televisão à leitura de um documento do Movimento das Forças Armadas, que "dava já indicação da tomada de vários pontos" no país pelos militares, assim como a reportagens ao longo do dia.


      "Percebemos que tinha havido um levantamento militar popular", concluiu.


      As notícias levaram os presos a falar com os guardas e com a direção da cadeia. "Inicialmente estavam atrapalhados, começaram a receber-nos com uma simpatia extraordinária e a dizer que eram funcionários públicos e que tinham servido uns, mas serviriam outros".


      Nesse mesmo dia, uma guarnição militar vinda de Viseu, do Regimento de Infantaria N.º 14, tentou tomar a Fortaleza de Peniche, contou, mas "a cadeia não se rendeu e só no outro dia, um outro grupo de militares de Lisboa tratou da sua libertação".


      José Pedro Soares recorda à Lusa que todos os presos disseram que "ou saíam todos ou não saía ninguém".


      Numa altura em que as condições prisionais já tinham melhorado, e quando faltava menos de um ano para cumprir a pena de três e meio de prisão a que fora condenado, José Pedro Soares e os restantes presos foram, por fim, libertados, às primeiras horas do dia 27 de abril, após a libertação dos presos de Caxias.


      José Pedro foi para casa, onde "praticamente todas as pessoas da terra" lhe bateram à porta para o saudar.


      Durante o dia 27 de abril de 1974, as primeiras horas de liberdade foram dedicadas a dar comícios nas oficinas de material aeronáutico em Alverca, onde trabalhava, antes de ter sido detido, com mais cinco mil trabalhadores.


      "Passei por todas as secções da empresa e, sempre que passava, parava tudo e tinha de fazer um comício. A alegria era imensa", lembra à Lusa.


FortePenicheLibertacao27ABR1974.jpg

Comentários

  1. Abril há muito não mora no "meu" ministério.

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    1. Não mora no nosso ministério, porque segundo a senhora ministra, trata-se de uma questão muito complexa, e essa complexidade só pode ser resolvida pelo ministério das finanças.
      É mesmo complexo está complexidade!
      Para uns é simples, simples de mais, para os oficiais de justiça é uma complexidade extrema.
      Com esta complexidade toda, provavelmente só vamos festejar abrir daqui a uns anos.
      Até é compreensível, a preocupação e as prioridades do ministério da justiça, primeiro os mais desfavorecidos, aqueles com mais privações, e só depois os oficiais de justiça.
      Para nós Abril pode esperar, não chega para todos!
      Disponibilidade permanente, trabalho extraordinário não remunerado, o não reconhecimento do direito ao descanso e à autodeterminação, entre outros, torna-nos efetivamente num corpo especial da administração pública. Tão especial que Abril ainda não chegou a nós.
      E por sermos tão especiais, é que se torna num problema complexo.
      Viva Abril viva a complexidade!...

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  2. Sim!
    Rever os estatutos dos oficiais de justiça é de extrema complexidade.
    Já a possibilidade de existirem vencimentos no estado acima do vencimento do primeiro ministro ou da contratação de ilustres advogados por centenas de milhares de euros não revela qualquer dificuldade ou complexidade!

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  3. Por onde começar a lutar contra as injustiças praticadas por aqui? e como denunciá-las com efeitos práticos?
    Resolver problemas de base que passam ao lado do governo é urgente.

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