01MAI e o 996
O Dia Internacional do Trabalhador que hoje se comemora, está dedicado aos trabalhadores de todo o Mundo e é celebrado anualmente neste dia primeiro de maio, em quase todos os países do mundo, sendo feriado em muitos deles, tal como sucede em Portugal.
Esta comemoração tem raízes no dia 1 de maio de 1886, altura em que se realizou uma greve em Chicago (EUA) com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho e, entre elas, a redução da jornada de trabalho diária, que na altura `podia chegar às 17 horas, para as atuais oito horas. Mas estas oito horas não são para todos os trabalhadores e não são um dado adquirido.
A este propósito, reproduzimos hoje um artigo sobre as horas da jornada de trabalho.
«As mais recentes declarações do CEO do grupo Alibaba veio intensificar os protestos dos trabalhadores das grandes empresas tecnológicas chinesas contra o horário “996”: entre as nove da manhã e as nove da noite, seis dias por semana.
Segundo o The Guardian, os trabalhadores criaram uma “lista negra” das empresas com estas práticas, que já conta com mais 150 entradas, entre as quais estão a Alibaba e a Huawei, por exemplo.
Jack Ma, fundador da Alibaba, considera o “996” uma “grande bênção”, que os trabalhadores devem encarar como uma honra e não um fardo. “Se trabalhas na Alibaba tens de estar pronto para trabalhar 12 horas por dia. De outra forma porque é que vieste para a Alibaba? Não precisamos daqueles que trabalham confortavelmente durante oito horas”, escreveu num chat da empresa há uns dias, de acordo com o The Guardian.
A polémica foi tanta que o fundador da gigante tecnológica teve de esclarecer posteriormente que a decisão de trabalhar horas extra deve ser do funcionário, e que não se trata de uma imposição das empresas.
“Ninguém gosta de trabalhar numa empresa que obriga os funcionários a trabalhar 996. Não só é desumano, pouco saudável e insustentável durante longos períodos, como os trabalhadores, os familiares e a própria lei não o aprovam”, disse o CEO no Weibo. “Se encontrarmos um emprego do qual gostamos, o problema do 996 não existe; mas se não há essa paixão, qualquer minuto no trabalho é um tormento”.
Jack Ma não está sozinho nesta cruzada. Em novembro, o fundador da Tesla, Elon Musk tinha ido no mesmo sentido defendendo que “nunca ninguém mudou o mundo a trabalhar 40 horas por semana”.
A mesma visão do CEO da Alibaba é partilhada pela gigante dos telemóveis, Huawei, que também é acusada de incentivar horários de trabalho mais longos.
Outra das empresas ligadas ao comércio online, a JD.com, também integra a lista negra dos trabalhadores chineses. Richard Liu, o fundador, sustenta que os empregados devem cumprir o horário das nove da manhã às nove da noite, e considera-o necessário para combater o número crescente de “preguiçosos” na empresa. “Se isto continuar, não há esperança para a JD e a empresa vai ser expulsa do mercado! Os preguiçosos não são meus irmãos”, partilhou Liu numa nota divulgada.
As 12 horas de trabalho diário, seis vezes por semana, não é prática incomum, não sendo também das mais polémicas. Para além do “996”, existe outro horário mais penoso para os trabalhadores chineses. A Ant Financial, empresa também detida por Jack Ma, instituiu um horário “9106”: das nove da manhã às 10 da noite, seis dias por semana.
O tema tem sido presença assídua nas discussões das redes sociais e o jornal britânico destaca um comentário de um trabalhador, em particular: “A maioria das empresas atuais são máquinas que não podem parar. Somos todos parafusos. Se um parafuso está enferrujado, basta poli-lo, colocar um pouco de lubrificante, aparafusá-lo de novo e usá-lo. Se partir, eles encontram outro parafuso para substituí-lo. A máquina não pode parar”.»

Fonte: reprodução de artigo publicado no “Observador”.
Também a justiça não pode parar e, para que não pare, existe um estatuto que impõe aos trabalhadores disponibilidade permanente sem qualquer compensação.
ResponderEliminarO SNS também não pode parar, mas para que não pare, existe trabalho por turnos, com direitos, e não uma disponibilidade permanente.
Mas alguém se preocupa com os parafusos que estão prestes a quebrar?
ResponderEliminarUm sindicalismo vergado e sujeito "A consideração superior"
ResponderEliminarQuem está obrigado a fazer a máquina funcionar, em total absentismo, demite-se de o fazer, deixando rolar à espera que as coisas se solucionem por si.
ResponderEliminarComo é?
Quem fiscaliza esta atuação?
A DGAJ e o COJ, não têm competências.
Portanto amigo(a) junta-te a eles.
O 1 de Maio já não é o que era.
Para seres "trabalhador" só precisas de ser aliado, porque se fores trabalhador afincado vais ter problemas sérios.
Existem prioridades!
ResponderEliminarSalários mais altos do que o do primeiro ministro.