O exército de mortos-vivos

      Uma crise política que "é um gambozino. Quando vamos a correr atrás dela, ela já fugiu". A metáfora foi utilizada por Francisco Louçã para categorizar o cenário político que se instalou em Portugal depois de ter sido aprovado, em sede de comissão parlamentar da Educação, o diploma que previa a contabilização total do tempo de serviço dos professores congelado.


      Votado na Assembleia da República, o diploma foi chumbado e o comentador político defendeu, no seu habitual espaço de comentário na antena da SIC Notícias, que "previa um desfecho diferente".


      Há uma semana, quando a crise se instalou, o bloquista assinalou "alguns riscos que apontavam que a operação pudesse correr mal com a apresentação das cláusulas de salvaguarda pelo PSD e o CDS". Ou, mais tarde, "se a lei viesse a ser aprovada, previa um veto do Presidente".


      Em todo o caso, continuou, a "lei não iria para a frente. E por isso considerava que a crise era uma espécie de animal misterioso que apareceu e desapareceu" No entendimento do ex-líder partidário, "Costa mostrou um controlo atento à agenda política" e Louçã destacou então quatro "consequências políticas da parte do Governo".


      Primeiro, elencou, esta foi "uma operação extraordinariamente bem feita; teve impacto e comoveu o país". Depois, conseguiu "mobilizar os comentadores".


      Salientou Louçã ainda o facto de ter imposto "um recuo à Direita", que "não ia arriscar uma demissão do Governo porque percebeu que se tratava de um jogo político em que os professores eram o pretexto e que se tratava de procurar uma antecipação das eleições. Neste contexto, a Direita recuou e é esta a terceira grande vitória do Governo".


      A quarta, e última, está relacionada com a criação "de um discurso popular de isolamento dos professores. Estes foram apresentados como o exército de mortos vivos que vêm atacar Winterfell". Implementou-se "esta ideia de espécie de ressentimento popular contra os professores, como se fossem privilegiados. Esta política do ressentimento no limite de um discurso de ódio que apareceu nas redes sociais, promovidos por socialistas, é uma vitória para o Governo, uma derrota para os professores e um gravíssimo problema para Portugal".


      Sublinhou Louçã que «é totalmente injusto e é uma forma de dizer que em Portugal não se pode reivindicar salários, não se pode querer uma melhoria de carreira, mesmo que a lei o preveja, porque o Governo pode dizer "esta lei não cumprimos"».


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      Fonte: “Notícias ao Minuto”.

Comentários

  1. Isto de nos ser dado o que aos professores foi dado não faz sentido.
    Pelo que vejo no DR, professores do básico e secundário e educadores de infância continuam a reformar-se com valores à volta dos 3.000 euros.
    Não há termo de comparação.
    Então, as reivindicações terão necessariamente de ser diferentes.
    Foram criadas situações de verdadeira injustiça. A carreira dos OJ é das mais prejudicadas. Não falta muito para grande parte estarmos pouco acima do SMN.
    Não é apenas uma vergonha para os sindicatos. É-o também para a própria administração da justiça.

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