Dos zero aos cem no mesmo dia

      Decorre hoje o último dia de greve de 24 horas, dos cinco não consecutivos decretados pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), com uma concentração em Faro.


      A partir de hoje fica a greve do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) com as intermitências e a perturbação do serviço diário até às eleições de outubro, mesmo durante as férias judiciais, as diligências urgentes podem ser interrompidas por motivo de greve nos períodos fixados e sem serviços mínimos fixados a não ser para depois das 17H00.


      O dia de greve de 24 horas de hoje tem sido um dia cuja escolha se tem mostrado polémica, não só por ser uma sexta-feira mas também por ser dia de véspera do início de férias pessoais e quase judiciais.


      A adesão a este dia de greve e a concentração em Faro mostra-se imprevisível, podendo não ser tão avultada quanto o foram os outros quatro dias.


      Desde a divulgação pelo SFJ no mês passado desta greve de cinco dias não consecutivos e durante todo o período de greve temos realizado uma abordagem constante à greve e às concentrações, não só anunciando a greve e apelando à participação na mesma, como também dando notícia da adesão e das concentrações, com muitas descrições, transcrições de declarações e imagens.


      Da nossa parte, o apoio à greve foi total e constante, por ser uma luta do interesse dos Oficiais de Justiça, no entanto, não foi essa mesma a postura tida pela generalidade dos Oficiais de Justiça, tendo-se verificado fracas ou nenhumas adesões em muitos locais do país, embora a par de muito boas adesões e mesmo a 100% noutros locais.


      O nível de participação nestas lutas pelos Oficiais de Justiça é muito variável ao longo do mapa nacional, se bem que há locais onde a adesão é de 100% e os tribunais encerram completamente, noutros locais a adesão é de 0% e nada se passa ou se sente.


      Como é que isto é possível, na mesma profissão e no mesmo país?


      Não estamos perante uma adesão mediana uniformemente dispersa pelo país mas perante um país com contrastes muito gritantes como o que vai do zero ao cem por cento.


      Este fenómeno tem que ser cuidadosamente analisado, sem as visões ofuscadas pelo “clubismo” habitual de A ou de B e também sem os habituais chavões e ideias pré-concebidas que, na realidade, em nada contribuem para a compreensão e melhoria geral da carreira, como facilmente se comprova numa mera análise retrospetiva dos últimos anos.


      A visão parcial e “clubística” que grassa na classe vem-na prejudicando e muito ao longo dos anos, por não lhe permitir uma visão crítica sadia e independente que possa ver bem e agir melhor.


      O encobrimento dos erros do passado tem sido um erro, pois só a assunção desses erros é que permite a aprendizagem com os mesmos e a melhoria futura. Qualquer crítica dirigida ao sindicato mais representativo dos Oficiais de Justiça, por mais explicada que seja, obtém sempre uma reação de ataque irrefletido e sem justificação, apenas porque se pôs em causa o “clubismo”.


      Por exemplo: ainda no dia de ontem, depois da análise aqui realizada às ditas “reclamações” sobre o Movimento Ordinário, às minutas e às explicações aqui dadas bem como à ausência de explicações pelas entidades responsáveis, tudo desbocando num certo histerismo coletivo de que tudo está mal, quando não é bem assim, nas caixas de comentários desta página, bem como de outras páginas, foram vomitados comentários onde ninguém comentou realmente o assunto mas os supostos ataques ou contra-ataques ou táticas ou o que for, sem nunca pensar verdadeiramente o assunto com a sensatez que seria normal, exigível e desejável.


      E é assim, com estas atitudes burras por parte de alguns poluentes, que se alastra este estado de coisas e os resultados estão à vista e falam por si, bem expondo uma carreira que só tem perdido e nada tem conseguido a não ser coisas inconsequentes como a última vitória inútil de conseguir que o Correio da Manhã publicasse uma carta com esclarecimentos sobre os vencimentos. Claro que não havendo mais nada, se calhar isto serve para alegrar o dia, o ano ou a legislatura inteira, alegrando desde logo o mundo virtual do Facebook.


      Com vitórias assim não se vai a lado nenhum, desde logo porque a velhice no pensamento e o endurecimento cerebral normal que a idade traz não tem contribuído para um discernimento crítico que contribua efetivamente para uma evolução da carreira, assistindo-se precisamente ao seu contrário.


      A falta de renovação e de arejamento das mentes vem provocando o descalabro e o mofo que se cheira na profissão para quem ainda não perdeu o olfato. É, pois, urgente a renovação e o arejamento.


Janela1.jpg


      Fontes sobre o artigo do Correio da Manhã aqui mencionado: “SFJ-Facebook-1” e “SFJ-Facebook-2”.

Comentários

  1. Na minha opinião as greves parciais de inicio de julgamentos e prolongando-se por duas horas (tipo 09:30h - 11:30h), são mais eficazes e menos lesivas dos bolsos dos oficiais de justiça.
    Pensem nisso!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ