SFJ avança com 4 dias de Greve
O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) divulgou ontem os quatro dias de greve marcados para coincidir com atos ou prazos relevantes do processo eleitoral.
- Dia 26 de agosto, segunda-feira, das 00:00h às 24;00h – último dia para entrega das listas;
- Dia 27 de agosto, terça-feira, das 00:00h às 24:00h – sorteio e afixação das listas;
- Dia 30 de agosto, sexta-feira, das 00:00h às 24:00h – último dia para suprir irregularidades e
- Dia 6 de setembro, sexta-feira, das 00:00h às 24:00h – fim do prazo para afixação da relação completa das listas admitidas;
Diz a informação sindical do SFJ assim:
«I - GREVE – PERÍODO ELEITORAL
Perante a desconsideração, continuada e reiterada do Governo, relativamente às questões que nos preocupam e afetam, de que é exemplo máximo a forma unilateral como decidiu cessar as negociações do Estatuto, e que culminaram agora com a intolerável atitude de discriminação e menorização da nossa classe profissional, pela forma como pretendia realizar a integração do suplemento depois de ter decidido pela integração do suplemento de compensação dos juízes e procuradores, em que o respetivo valor mensal passará a ser pago, e bem, na sua totalidade, em 14 meses, em vez dos 12 meses atuais.
Ou seja, o Governo atua com “dois pesos e duas medidas” para situações iguais, consoante o “peso” institucional da classe profissional. Para uns não existe travão orçamental, para outros a neutralidade orçamental é sempre uma condição exigível!
E mesmo depois de, em resultado da nossa ação sindical junto dos grupos parlamentares, ter sido aprovada na ultima sessão da Assembleia da República a Resolução nº. 2233/XIII/4.º que recomenda ao Governo “a integração, sem perda salarial, do suplemento de recuperação processual no salário dos oficiais de justiça”, e de posteriormente termos interpelado o Ministério da Justiça no sentido da concretização desta medida o mesmo mantém um silêncio que é revelador da insensibilidade, desrespeito e irredutibilidade.
Assim, o SFJ delineou a realização de novas formas de luta, nos seguintes moldes:
- Greve nos Juízos competentes e responsáveis pela tramitação do processo eleitoral em cada uma das comarcas de Portugal, nos dias em que coincidem/terminam alguns dos prazos para os atos a praticar junto do tribunal de comarca.»
Em complemento a estes quatro dias de greve, o SFJ indica ainda a greve ao serviço fora do horário normal de trabalho e diz assim:
«II – GREVE AO SERVIÇO FORA DO HORÁRIO NORMAL DE TRABALHO
Em consonância com as greves acima referidas, relembramos que está plenamente em vigor a greve do SFJ ao período fora do horário normal de trabalho, sem serviços mínimos, a partir das 17 horas, apelando à adesão de todos, independentemente de filiação sindical, em especial no que respeita, neste caso, a todos os dias coincidentes com o processo eleitoral.
Importa relembrar que esta jornada de luta tem também como objetivo de alertar os nossos concidadãos para os graves problemas do Sistema Judiciário, nomeadamente para as instalações degradadas, a falta de material (consumíveis e equipamentos).
Por outro lado, há mais de quinze (15!!) anos que o Ministério da Justiça não preenche os quadros legais, cifrando-se o deficit, todos os anos, em mais de mil (1000) Oficiais de Justiça.
Não menos importante, é também o dever que temos de manifestar a nossa oposição e alertar para a perigosa “paixão” com que este Governo está a Desjudicializar e Privatizar a Justiça!
São disso evidentes e lamentáveis exemplos, a passagem de Execuções para a Autoridade Tributária e a próxima decisão já assumida pelo Governo de entregar a privados (Solicitadores) as Execuções em que foi concedido apoio judiciário ao cidadão e onerando, assim, de forma acrescida, o erário público e prejudicando o cidadão.»
Por fim, a informação sindical do SFJ aborda ainda a questão do Movimento Ordinário Anual em curso e dos escalões, conforme a seguir se reproduz:
«III - ESCALÕES E MOVIMENTO
Contra tudo o que reivindicamos, e colidindo com o bom funcionamento dos tribunais, de acordo com o projeto de movimento ordinário de 2019 não foram realizadas promoções para as categorias de Escrivão de Direito, Técnico de Justiça Principal e Secretário de Justiça no último movimento. Tal é inadmissível!
Também sobre esta injustificada decisão da DGAJ, o SFJ entregou uma reclamação/pedido de esclarecimento ao Ministério da Justiça (com conhecimento à DGAJ). Estranhamente, a DGAJ respondeu e divulgou em simultâneo a sua resposta, mas a entidade a quem foi dirigida a reclamação – Ministério da Justiça – ainda não respondeu!
Obviamente que, considerando a resposta da DGAJ, vamos avançar para o procedimento contencioso!
Com a falta de preenchimento dos quadros o Ministério da Justiça tem cativado mais de 14 milhões de euros por ano à custa dos Oficiais de Justiça que abnegadamente e com brio profissional, têm sustentado este sistema deficiente, em que nos exigem que cumpramos objetivos, tendo para tal, de trabalhar por nós e pelos mil Oficiais de Justiça que faltam nos tribunais portugueses.
O SFJ interpelou ainda a DGAJ sobre os motivos do não provimento no escalão devido com a recuperação parcial de tempo e cujo primeiro 1/3 de contagem deveria ter tido efeitos a 1 de junho, desde logo chamando a atenção de que não basta dizer que irão pagar os retroativos. Em devido tempo alertámos a tutela para a urgência de se preverem estas situações, não sendo normal, nem aceitável, que sempre que uma medida que minora a perda de rendimento dos funcionários entra em vigor, haja «problemas com os sistemas informáticos»…»
A informação sindical do SFJ termina com as seguintes expressões, destacadas em maiúsculas:
«Basta de trabalhar de borla! Exigimos respeito do Governo!» e «Nem mais um minuto de trabalho após o horário normal de trabalho!!!»
Pode aceder a esta informação sindical aqui citada e reproduzida através da seguinte hiperligação: “Info-SFJ-06AGO”.

As greves boas e as más.
ResponderEliminarO primeiro ministro encontra-se muito irritado com as greves ora apelidando-as de selvagens (no caso da grve dos enfermeiros) ora apelidando-as de injustas e incompreensiveis (no caso da greve dos motoristas) apelando à "revolta" dos cidadãos.
Por sua vez o Senhor Presidente da República, de uma forma mais prudente, referiu que apesar de algumas reivindicações poderem ser legítimas, o seu resultado pode ter o efeito contrário, virando a população contra os grevistas.
Greves boas e as más.
Fica aqui uma sugestão para que a população em geral compreenda uma greve boa e que se indigne contra o Ministério da Justiça.
Enquanto Oficial de Justiça encontro-me preocupado com o facto de o orçamento de estado não ter uma dotação de verbas suficientes para pagar quantias devidas a titulo de cumprimento de decisões jurisdicionais, como recentemente foi divulgado no relatório do CSTAF.
Os Oficiais de Justiça, diáriamente no atendimento do publico em geral, são o rosto da Justiça e o muro das suas "lamentações".
Penso que está na altura de apresentar um pré-aviso de uma greve boa, reivindicando uma alteração orçamental no sentido de o dotar de verbas suficientes para cumprimento das decisões jurisdicionais.
Uma decisão desta natureza teria a concordância da população em geral incluindo de sua Excelência o Senhor Presidente da República.
Os cidadãos e a nossa democracia necessitam de mais este esforço dos Oficiais de Justiça.
Só descansam quando criminalizarem as greves e estatuirem um regime legal para o lobbying, por sua vez.
ResponderEliminarO dinheiro manda. E muito.
Esta greve está a mexer com os media de forma impressionante. Na SIC até referiram que vai afetar escolas ???!!! (estamos em agosto).
Quando todas as prioridades se invertem dá nisto. TV´s passam os dias a mostrar peças em que é evidenciada a preocupação dos produtores de tomate, de leite, das peixeiras e fruteiros, etc. Coitados, só eles são portugueses. Os camionistas e suas famílias deixaram assim de ser portugueses. Porque não calam e comem, porque fazem barulho, que chatice !!
Por outro lado, hoje morreu um nasciturno a caminho de LX por não haver no Algarve incubadora. Isso já não é preocupante ?
As farmácias não têm medicamentos, qual Venezuela. Isso não preocupa e não é grave???
Mas que estado é este? Qual é a sua agenda? A quem servem, afinal?
Pois é. O sector da produção de bens agro alimentares é muito importante para os consumidores tal como o da indústria da comunicação é importante para os políticos.
EliminarEnquanto os consumidores puderem dispor de bens alimentares e de gasolina para os seus pópós, os políticos sabem que ninguém se vai preocupar com os cidadãos que não têm justiça.
A justiça não se agradece e a greve não se ostraciza, são DIREITOS!
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