A Última Informação Sindical do SFJ
Depois do artigo ontem de manhã, aqui publicado, relativamente à ausência de comunicação do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) sobre o Congresso Europeu de Oficiais de Justiça, que organizou este ano em Lisboa; o SFJ, logo ao início da tarde de ontem, finalmente, publicou uma informação sobre tal congresso.
Vai a seguir reproduzida a informação do SDFJ sobre o mencionado congresso:
«Realizou-se na passada semana em Lisboa o Congresso da EUR – European Union of Rechtspfleger, cuja organização foi desta vez da responsabilidade do nosso Sindicato dos Funcionários Judiciais.
O Congresso contou com a presença de representantes de Oficiais de Justiça / Rechtspfleger / Greffiers / Letrados da Áustria, Alemanha, Dinamarca, Espanha, Estónia, França, Itália, Luxemburgo, Noruega, República Checa e, claro, Portugal. Presentes também como observadores, as delegações do Japão, Coreia do Sul e Tunísia, bem como representantes da CEPEJ (Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça) e da ELRA (European Land Registry Association).
O papel relevante dos Oficiais de Justiça foi amplamente salientado e enfatizado no que concerne às dinâmicas e funções que já hoje desempenham, e também no que concerne às que podem vir a desempenhar, de elevada exigência técnica e com grande margem de autonomia.
Na sessão de abertura estiveram presentes representantes da Assembleia da República, do STA, STJ, da Comarca de Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa, DGAJ e do MJ, representado pela Dr.ª Anabela Pedroso, Secretária de Estado da Justiça e vários dirigentes de sindicatos da área da justiça.
No primeiro dia decorreu uma Conferência subordinada ao tema “O Impacto da IT no serviço do staff dos tribunais (Rechtspfleger/Greffier/Letrado/Oficial de Justiça) e a qualidade da justiça para os cidadãos.”, na qual participaram a Vice-Presidente da CEPEJ, Ivana Borzova, a Secretária Geral da ELRA, Luísa Clode, o Rechtspfleger austríaco Walter Szöki, o Oficial de Justiça Daniel Pires da Costa e o Presidente da UER, Vivien Whyte.
Pode ver por aqui o vídeo da conferência.
O Congresso teve ainda oportunidade de conhecer algumas das soluções tecnológicas existentes no mercado (e já em aplicação em alguns países) no âmbito do apoio à tramitação e à decisão (inteligência artificial) através de uma comunicação da Vice-Presidente da Fujitsu Europa.»
Para além desta informação, o SFJ acrescentou ainda outros temas nesta última informação sindical, relativamente ao último Movimento Ordinário, à recuperação do tempo congelado, contribuição para a ADSE e reunião para reinício do processo negocial para o Estatuto e integração do suplemento.
A seguir vamos reproduzir estes temas que constam na mesma informação sindical do SFJ.
«Conforme havíamos anunciado, e para além dos recursos hierárquicos interpostos pelos associados através do Departamento Jurídico do SFJ, o sindicato apresentou, no CAAD, uma ação para reconhecimento do direito dos Oficiais de Justiça, que se candidataram no movimento ordinário de 2019, a serem promovidos para os lugares vagos de escrivão de direito, técnico de justiça principal e secretário de justiça. Esta exigência é tão mais justificada quer pela existência de lugares a serem ocupados em regime de substituição (uma figura que, conforme já anteriormente dissemos, não se mostra como sendo a mais adequada a estas situações) quer pelo facto de a validade do concurso ter entretanto caducado, no que consideramos ser um desperdício de dinheiros públicos.
Também no âmbito da luta do SFJ pela recuperação integral do tempo de serviço “congelado”, e sem prejuízo da reivindicação de tal ser feita também no plano negocial com o governo e com a Assembleia da República, o SFJ está a interpor, em nome de associados, ações pedindo a declaração de nulidade, por violação do artigo 13º da CRP, da aplicação pela DGAJ do DL 65/2019, que manteve no 1º escalão remuneratório os escrivães adjuntos nomeados em 2010, e coloca outros, nomeados em Setembro de 2019, no 2º escalão remuneratório.
Estas ações visam concretizar o aviso que fizemos ao Governo aquando da “negociação” do diploma de recuperação parcial do tempo, uma vez que não tinha (e não teve) em conta que a nossa carreira é vertical e que, mesmo durante o período da “Troika”, houve promoções (embora poucas) atendendo à especificidade da carreira e das funções. Os associados que se encontrarem nesta situação deverão contactar o Departamento Jurídico do SFJ.
Com base do relatório elaborado pelo Tribunal de Contas à ADSE, o SFJ está também a requerer pela via judicial que seja revisto o número de prestações cobradas (14 em vez de apenas 12 prestações anuais).
No âmbito da nossa atividade sindical informamos que, a solicitação nossa, foi marcada para amanhã, dia 05.12.2019 uma reunião com o novo Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Dr. Mário Belo Morgado, onde analisaremos as várias questões que transitaram da anterior legislatura e cuja prioridade da sua resolução se impõe, nomeadamente o estatuto e a questão da integração do suplemento, entre outras. De referir que esta reunião deveria ter ocorrido hoje mas foi remarcada para amanhã, por impedimento de última hora em face da ausência da Sra. Ministra da Justiça.
Convém esclarecer que, conforme referiu o Secretário de Estado Adjunto e da Justiça, Mário Belo Morgado, no âmbito do XIV Encontro Anual do CSM: “…. delegação de competências em oficiais de justiça devidamente habilitados com licenciatura em Direito, nomeadamente para a prolação de despachos de mero expediente, solução implementada em ordenamentos jurídicos próximos do nosso e que se encontra em ponderação no âmbito dos estudos preliminares tendentes à aprovação de um novo Estatuto dos Funcionários de Justiça, constituiria um importante valor acrescentado no plano das estruturas de apoio ao trabalho dos Juízes e uma componente basilar de um moderno modelo organizativo das secretarias judiciais”; o novo estatuto é urgente e fundamental, não só para os Oficiais de Justiça como também para a melhoria do sistema judicial.
Mas esclarecer também, que o novo estatuto terá de ser aplicado a todos os atuais Oficiais de Justiça. Foi o que sempre defendemos e que mantemos como exigência que não pode ser preterida.
O SFJ também já solicitou audiência a todos os partidos políticos com assento na Assembleia da República.»
E assim termina a informação sindical, que aqui reproduzimos na íntegra, a qual pode aceder diretamente através da seguinte hiperligação: “SFJ-Info-04DEZ2019”.
Muito apreciamos as informações prestadas, que vieram quebrar um longo silêncio deste Sindicato, apenas nos tendo ainda ficado a dúvida sobre a divisão da carreira proposta pelo Governo em Oficiais de Justiça e Assistentes de Justiça. Achamos que a posição deste Sindicato não tem sido, na nossa perspetiva, suficientemente clara, deixando alguma dúvida nas mentes mais inquietas e perturbadas.
Assim, quando se lê nesta informação sindical que “o novo estatuto terá de ser aplicado a todos os atuais Oficiais de Justiça”, isto não significa necessariamente que se queira dizer que se está contra a divisão da carreira; quer apenas dizer que o novo estatuto se deve aplicar a todos os atuais Oficiais de Justiça e isso é mesmo o que irá acontecer, seja lá qual for o conteúdo do novo estatuto ele será sempre aplicado a todos os atuais Oficiais de Justiça e mais do que isso não se diz nesta informação sindical.
Consideramos que esta afirmação possa constituir apenas uma deficiência comunicacional, seja ela da parte do emissor seja até da parte do recetor mas o certo é que há aqui algo que não se mostra ainda perfeitamente claro, sem sombra de dúvida, e que convinha esclarecer logo que possível. A cisão da carreira é um assunto que perturba e pode afetar metade dos atuais Oficiais de Justiça, designadamente, todos os Escrivães Auxiliares e Técnicos de Justiça Auxiliares, como já aqui explicamos no artigo publicado esta terça-feira.

Ontem, assim que li o comunicado do SFJ, surgiu-me logo imediatamente essa dúvida!
ResponderEliminarEntão os senhores do SFJ não tinham já garantido a atribuição do grau 3 a todos os OJ's?
Essa questão, segundo eles, já estava decidida.
Afinal, parece que não é bem assim.
Basta ler nas entrelinhas o que se transcreve:
- "o novo estatuto terá de ser aplicado a todos os atuais Oficiais de Justiça..."
E como se costuma dizer, para bom entendedor meia palavra basta...
Os sindicatos sabem há muito o que nos espera no entanto não têm coragem de o divulgar de forma transparente e frontal, preferindo, ao invés, andar a enrolar todos os OJ's!
"...que manteve no 1º escalão remuneratório os escrivães adjuntos nomeados em 2010, e coloca outros, nomeados em Setembro de 2019, no 2º escalão remuneratório..."
ResponderEliminarNão consigo perceber o último parágrafo, até porque, atenção colega que escreve o blog, a grande maioria dos Escrivães Auxiliares são aqueles que possuem as licenciaturas......
ResponderEliminarem direito, na sua maioria.
Essa afirmação é falaciosa.
As listas de antiguidade não dizem nada sobre este assunto colega...
Caro colega,
ResponderEliminarFaria sentido para si despromover aqueles que deteriam o "canudo" e promovendo os restantes que não o possuam???
Seria sempre tentar os que não têm tentar tê-lo...
Mas parece colega que quem não está a perceber é o colega
Resposta ao comentário anónimo de 06-12-2019 às 12:46.
EliminarContinua sem perceber. Não nos faz sentido algum despromover que quer que seja, tal como não nos faz sentido algum promover quem quer que seja. Limitamo-nos a apresentar os factos e os dados que estão em cima da mesa, manifestando a nossa discordância com a cisão que se intenta operar na carreira. Isto não significa que não se admita a valorização da carreira, pelo contrário, não se admite é que as categorias de ingresso (os Auxiliares) tenham que deixar de ser Oficiais de Justiça, é tão-só nisto que está a nossa discordância e não defendemos nem deixamos de defender mais nada.
A proposta é do Governo, a discordância neste aspeto da cisão da carreira é nossa e a concordância com a proposta do Governo e da cisão será sua e de quem a quiser. Ainda bem que há quem pense diferente, é bom que assim seja e se possam discutir todos os assuntos.
Esclarecimento/Nota final: esta publicação é dirigida e administrada por pessoal não Oficial de Justiça, embora contando com a óbvia e imprescindível colaboração de muitos elementos desta profissão onde as opiniões aqui prestadas obtêm a sua base. Assim, o seu interlocutor, aqui autor destas respostas não é "colega" de profissão. Saiba mais acedendo ao perfil/Autoria da página e também ao Estatuto Editorial e Direção que encontra na coluna da direita junto à indicação do endereço geral da página.
É só doutores nos Tribunais...
ResponderEliminarLOLES...
Reunião remarcada por indisponibilidade da ministra. Mas a ministra acabou por não comparecer... o sfj colocou todas as fichas apostando em que a anterior SEAJ seria ministra e houve muito trabalho de campo, com claro prejuizo dos oficiais de justiça, entre ambos. Mas com a renovação do mandato da ministra agora as reuniões servem para imputar a culpa ao Fernando...
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