Dos Aumentos Salariais para 2020
Soube-se ontem que o Governo pretende aumentar em 7,00, já a partir de março e com retroativos desde janeiro, os vencimentos de quem ganha 683 euros mensais, mantendo os 0,3% de aumento para os demais, conforme já havia anunciado.
A reunião de ontem dos sindicatos com o Governo, no Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública, em Lisboa, resultou nos sindicatos a afirmarem que esta proposta é “inaceitável”, pretendendo apresentar contraproposta na nova ronda negocial marcada para a próxima segunda-feira.
Após a reunião, o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), cujo presidente, Carlos Almeida, esteve presente na reunião, comentou assim estes aumentos:
«O Governo tem apresentado e desenvolvido, reiteradamente, uma narrativa falaciosa ao povo português e que consiste no seguinte: para que o país não volte ao tempo da troika há que manter os trabalhadores da Administração Pública em situação salarial de perda – é essa a opção política –, pois que uma situação de normalidade, cumprindo a Constituição, colocaria em crise, no entendimento do Governo, a sustentabilidade orçamental do país.
Hoje mesmo, durante a reunião, o Senhor Secretário de Estado referiu que o esforço que o Governo está a fazer é enorme, ao propor aumentos de 0,3% – implica perda salarial para os trabalhadores – e que essa proposta afasta sacrifícios futuros de todos. No fundo, o Governo assume um paternalismo inqualificável, tentando passar uma imagem de responsabilidade, que de facto nunca assumiu – mesmo nesta proposta concede a uns poucos um aumento salarial que parece cobrir a inflação e a outros não concede igual direito – e tenta passar uma imagem de que os trabalhadores da administração pública são os responsáveis pela situação em que se encontra o país, talvez por entender que o trabalho não deve ser valorizado, dentro da administração pública.
Ora, esta narrativa do Governo, até por ser falaciosa, mereceu de imediato a contestação do Presidente do SOJ, pois que estamos cansados de a ouvir, quando todos sabemos que a falência das contas públicas se deveu a uma incapacidade por parte das entidades fiscalizadoras, como por exemplo o Banco de Portugal, que permitiram um autêntico saque da riqueza do país para offshores – Portugal é o 3.º país com maior riqueza em paraísos fiscais – e dos próprios Governos que tudo permitiram, nomeadamente, à banca e a diversos especuladores, quase todos detentores de comendas – aliás, uma das formas mais fáceis de identificar os criminosos de colarinho branco é observar atentamente a lista de comendadores, sendo que, como em tudo, há algumas exceções – e, consequentemente, não insista o Governo nessa narrativa falaciosa pois que sabe bem que pagar o salário justo aos seus trabalhadores não coloca em crise nenhum orçamento de estado. Haja coerência e respeito pelos portugueses!»

Fonte: “SOJ”.
Daqui a umas décadas, historiadores referir-se-ão a esta era como a era do "saque bancário" e da imbecilidade não inocente de políticos e decisores em jogar o jogo pérfido da banca, aumentando a miséria e criando dificuldades de vida às pessoas e sociedade em geral, reduzindo o valor do trabalho. Só este ano vão 1.200 milhões para um só banco. Já pensaram no que poderiam fazer com esse dinheiro? Quantas escolas? Quantos hospitais? Quantos tribunais?
ResponderEliminarJá viram o que se poderia fazer com todo o dinheiro que se deu a estes parasitas da banca desde a crise??
Verdade! criminosos são o que são!
Eliminarladrões de todo um povo!