Vamos ficar todos bem no arco-íris?
O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), depois da Carta Aberta enviada à ministra da Justiça, bem como a outros representantes da Justiça, lançou um Apelo Público, dirigido aos Administradores Judiciais e aos Secretários de Justiça.
Este Apelo Público vem subscrito por muita gente, Oficiais de Justiça e outros profissionais da área da justiça e não só, em jeito de abaixo-assinado,
Em síntese, aquilo a que o SFJ vem apelar consiste em melhorar a prática da rotatividade que se está a realizar nos tribunais e nos Serviços do Ministério Público.
Diz o SFJ que «Há já bons exemplos tomados por alguns colegas Administradores e Secretários. Há, agora, que replicar essas boas práticas. Impõe-se apelo público e genérico, porque entendemos ser benéfico, para que se corrijam as más práticas, como as dos turnos com um número excessivo de funcionários, com rotações quase diárias, e com apelos para que se “aproveite para recuperar atrasos”, entre outras»
De facto os turnos com mudança diária são muito breves e não protegem convenientemente os Oficiais de Justiça, especialmente aqueles que se deslocam em transportes públicos, sendo muito aconselhável que a rotatividade seja mais espaçada. No entanto, sabe-se que algumas secções é que optaram por esta rotatividade diária ou curta, por acordo entre todos, nada lhes sendo imposto, o que constitui uma má opção que só se compreende pela rapidez que se pretende impor para que todos gozem dias fora do trabalho. Esta ideia é, no entanto, errada e é errada não só porque não se está a gozar dias de descanso mas dias de salvaguarda da vida das pessoas, dos próprios e dos demais com quem se relacionam, e é errada também porque não estamos perante um período de tempo curto em que imperará a rotatividade, não será até hoje, nem até ao fim do mês nem até ao final dos primeiros 15 dias do estado de emergência. A rotatividade dos Oficiais de Justiça realizar-se-á por muito mais tempo.
Claro que há Oficiais de Justiça que duvidam que esta situação se prolongue por muito tempo, por exemplo, até junho e, por isso se apressaram a realizar turnos rápidos. E por que é que há Oficiais de Justiça que não se acreditam na longa duração desta crise? Porque viram como as demais operadores judiciais e judiciários tomavam medidas de contenção e de redução e para eles nada era decidido em sentido idêntico e, quando o foi, sucedeu de forma tímida até à atual segunda fase em que se pretende uma maior redução das presenças.
Aponta o SFJ ainda a ideia que existe em algumas secções e que foi implantada pelas chefias de que este período poderia ser aproveitado para “recuperar atrasos” ou realizar quaisquer outras atividades ou tarefas. Mais uma vez trata-se de uma má opção das chefias, ao conceder maior importância ao serviço do que às vidas das pessoas.
Estamos perante uma situação completamente inédita que ainda ninguém viveu coisa assim que esteja vivo para contar, embora haja alguns idosos que se recordem de surtos muito semelhantes na sua infância. Mas aqueles que trabalham nos tribunais e nos serviços do Ministério Público nunca viveram nada assim e é isso mesmo que têm que se aperceber, que este é um momento extraordinário que exige medidas completamente extraordinárias e que à frente de tudo está a vida das pessoas e nada mais do que isso.
No Apelo Público, o SFJ sugere um regime de rotatividade e diz assim: “Os turnos suprarreferidos deverão ser formados por equipas de Oficiais de Justiça, que efetuaram, por exemplo, turnos de cinco dias, com intervalo mínimo de catorze dias”.
Esta sugestão, mais ou menos assim e adaptada a cada realidade, constitui um bom ponto de partida para se compreender a necessidade de afastamento dos Oficiais de Justiça do trabalho e das vias e dos transportes públicos, preservando-os em casa.
O SFJ diz ainda que se deve ter em conta as “patologias preexistentes dos funcionários” e que “as equipas devem ser sempre constituídas pelos mesmos Oficiais de Justiça para garantir um maior controle”.
Por fim, o Apelo Público do SFJ termina dizendo o óbvio que ainda alguns não perceberam bem: “Este é o tempo de salvar vidas” e, da mesma forma como já aqui se escreveu e até foi considerado nos comentários como algo exagerado e descabido, o SFJ refere que “Nenhum de nós quer, de certeza, que por ação ou omissão de um de nós, potenciar contágios ou, até, ser responsável, mesmo que indireto, pela morte de alguém!” E é mesmo disso que se trata: da vida e da morte e da possibilidade de haver responsáveis diretos e indiretos.
No artigo aqui publicado há mais de 15 dias, no passado dia 10 de março, terminava-se assim:
«Sim, estamos a referir-nos a uma questão de vida ou morte; tão simples quanto isto, o que exige uma verdadeira ação preventiva e não uma inação em modo de espera para ver até onde é que isto vai. Os portugueses e os Oficiais de Justiça reclamam e reclamarão responsabilidades pela inação.»
O Apelo Público do SFJ, pode ser acedido na sua versão Pdf na página deste Sindicato ou diretamente pela hiperligação que incorporamos.
O documento vem ilustrado com o arco iris que se tornou símbolo em Itália e agora já por todo o lado, acompanhado da frase: “Vamos ficar todos bem”. Mas não, não vamos ficar nada todos bem; vamos ficar quase todos bem, mas antes disso, todos ou muitos ficarão muito mal e todos passaremos muito mal durante muito tempo, mesmo depois do fim da pandemia, se é que alguma vez se poderá dizer que terá um verdadeiro fim.

Vergonha! É isto que considero, por ser necessário vir a lume um " Apelo Público " dirigido a alguns dos que localmente exercem funçőes de gestāo e que deviam estar na primeira linha de defesa da saúde dos trabalhadores, tanto mais que, as campanhas públicas de informação têm sido exaustivas no sentido de sabermos que o contágio se faz pelo contacto entre pessoas, as quais podem nāo saber que estão já infetadas pela Covid-19.
ResponderEliminarForam desmarcadas milhares de diligências em 2014, o "Citius" deixou de operar meses, houve colossais atrasos nos tribunais... mas ninguém terá morrido por isso! Era uma questāo política, de alteração de geografia judiciária, nada de mais.
Então agora que se trata de algo com um valor maior, defender a Vida, não se desmarcam todas as diligências não urgentes (isto vai durar mais do que o previsto)? Não se colocam metade dos funcionários em quarentena?
Dá-se mais valor à recuperação de atrasos, (mas não estava tudo em dia, com as pendências a baixar segundo o M.J?)
Então os funcionários andam em transporte público, chegam a casa contactam com outras pessoas, não se sabe quem está infetado e vêm para o local de trabalho com intervalos inferiores a 14 dias de ausência?
O plano de contingência divulgado pela DGAJ em 02-03-2020, encontra-se devidamente implementado em todas as secçőes de processos?
Claro que pessoas com doenças crónicas têm prioridade, mas também a solidariedade aqui tem de funcionar. Ex.-Se alguém com filhos menores de 12 anos têm em casa o cônjuge, deveria voluntariar-se para trabalhar de forma a permitir a quarentena de outro.
Todos somos responsáveis pelos que estão à nossa volta e, se todos soubermos assumir isso, também nos lugares de chefia que ocupamos, a contabilidade de mortos irá diminuir, sabendo-se desde já que o vírus nāo escolhe idades, todos lhe servem de veículo de transmissão!
Defendam-se, ele anda à solta.
ELE ANDA POR AÍ!
Parabéns ao seu comentário completamente realista, colega.
EliminarOs OJ, já atravessaram uma pandemia processual muito GRAVE para BEM DA NAÇÃO, para servir interesses de OUTROS.
A nossa determinação falou mais alto e todos conseguimos vencer a PANDEMIA de 2014.
Nesta altura, os líderes (completamente dispensáveis senão mesmo perturbadores), fugiram todos e o barco está entregue aos mesmos de sempre.
A história está muito mal contada.
Saúde para todos nós.
Isso mesmo.
EliminarA REFORMA DOS SALÁRIOS, isso sim.
qual reforma do Mapa Judiciário?
MAQUIAVELISMO PURO.
Nós sabemos.
Se os quadros legais estivessem preenchidos a rotatividade podia ser muito mais alargada!
ResponderEliminarNeste caso nāo se trata tanto de quadros preenchidos ou nāo, mas sim de falta de "preenchimento" de mentalidades que deviam estar preparadas para a gestāo certa, no momento certo, tendo assim que ter discernimento, bom senso, sensibilidade, além de outras qualidades, pois cada caso é um caso.Caso contrário, será melhor voltar à gestão central da DGAJ, como até 2014, antes da malfafada "reforma".
EliminarAssim:
Sabendo-se que o novo vírus é perigoso, de fácil propagaçāo ( o que impede contactos sociais); que a Covid-19 demora a curar e em muitos casos leva à morte; que está em vigor legislação nova, transitória, adequada ao grave momento que se vive, qual é a pressa em movimentar tudo? Bastam os processos urgentes, tal como em férias. Aplique-se a lei em vigor, em primeiro lugar, nos Tribunais!
Está em primeiro lugar a vida das pessoas e daí que, quais prazos, quais diligências marcadas, quais atrasos?Isso é tudo secundário, quando está tanta gente em perigo.
Nāo temos agora comarcas a nível de distrito?Todo o serviço urgente ficaria ali centralizado (e num ou outro núcleo mais distante), com as regras impostas pela DGS, assim possibilitando a quarentena a mais funcionários, qualquer que fosse o quadro de pessoal do seu local de trabalho.
Todos somos responsáveis por todos.Muitos se têm de sacrificar e pôr a vida em risco pelos outros.Os Oficiais de Justiça nāo sāo uma dessas profissões!
Ajudam, ficando em casa.Dessa forma não serāo eventuais agentes de propagaçāo de doença contagiosa, crime previsto na Lei.
EliminarColega:
A reforma foi exclusivamente feita para aumentar salários, furando a contenção da despesa pública imposta aos lerdos (nós)
Não tenha dúvidas.
Os quadros não estão preenchidos por os Senhores da DGAJ, assim o decidem.
ResponderEliminarPara resolver isso criaram e estão a criar novas portarias, sempre com redução de Oficiais de Justiças nos Tribunais.
Pergunto……..
Porque razão a DGAJ, não reduz os seus quadros…? como faz como os Tribunais…… será que a produtividade/trabalhador é assim tão baixa, que não o permite.
E isto que os sindicatos têm que combater.