É o bicho, é o bicho…

      Na primeira página do Jornal de Notícias (JN) de ontem lia-se assim: “Máscaras com bichos entregues no Tribunal de Sintra. Funcionários recusam material. Governo vai averiguar”.


      Avançando para a página 15, onde se desenvolve o assunto, encontramos o artigo que explica como no Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra foram recebidas duas caixas de 50 máscaras contendo “bichos” nas suas embalagens.


      Ao JN, o coordenador do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), António Albuquerque, diria que “Torna-se ridículo. As máscaras servem para proteger quem trabalha nos tribunais, para proteger de um bicho e vêm com outro bicho”.


      Refere o JN que “algumas das máscaras terão sido usadas sem que quem abriu as caixas se apercebesse do que estava no seu interior”.


      O JN diz que “as duas caixas em que agora foram detetados bichos terão sido importadas dos Países Baixos. Já o material que estas contêm foi, atendendo ao selo que ostenta, fabricado e embalado na China. Foi dentro destas últimas embalagens que os pequenos intrusos foram descobertos”.


      Contactou o JN a Direção-Geral da Administração da Justiça (DGAJ), entidade que lhe garantiu «que as duas caixas defeituosas se encontram “em recolha” e vão ser substituídas “já” hoje. Adiantando, ainda, que “não existe registo desta situação se ter verificado em outros tribunais”. “Ainda assim, a DGAJ irá apurar se existem situações semelhantes e procederá de imediato à sua regularização, caso [estas] se venham a verificar”, assegura. O organismo garante, igualmente, que as encomendas destinadas aos tribunais “são sempre verificadas pelos serviços da DGAJ”. E ressalva que, “entre os milhares de máscaras que já chegaram aos tribunais, apenas duas caixas – com 50 máscaras cada – apresentaram problemas do conhecimento da DGAJ”.»


      O dito bicho, como se aprecia na imagem abaixo que o JN também publica, não é um bicho mas são vários. São pequenos mas visíveis, ao contrário do invisível vírus. Estes bichos ainda não estão identificados mas certamente terão vindo do país onde as máscaras foram embaladas e de onde vieram, tal como veio a pandemia.


      Por sua vez, a revista Sábado, dá a mesma notícia mas acrescenta que algumas da máscaras “terão mesmo sido utilizadas sem que os seus utilizadores se apercebessem que continham bichos”.


      A grande questão que se coloca e que deixa todos os Oficiais de Justiça apreensivos é se há alguma garantia de higiene das máscaras que colocam na cara e através das quais respiram durante todo o dia, dia apos dia. O surgimento destes bichos claramente indicia que não há uma boa garantia de higiene na fabricação ou no embalamento destas máscaras e, embora se possa dizer que a quebra de garantia ocorreu apenas nestas duas caixas detetadas, a dúvida e o receio fica a pairar sobre as cabeças de todos os Oficiais de Justiça e de todos os magistrados judiciais e do Ministério Público que vêm usando estas máscaras.


      De todos modos, embora o JN não o refira, certamente os bichos já deverão estar mortos e, possivelmente já não serão origem de novas infeções ou contaminações, pelo que, se forem sacudidos das máscaras, estas ficam com um aspeto limpo e, desta forma poderão ser usadas, porque aquilo que não se vê parece que não existe. Será isto possível? Será que isto já aconteceu?


      No mesmo artigo o JN dá ainda a notícia de que a Ordem dos Advogados (OA) criou uma conta de e-mail própria (tribunal.inseguro@oa.pt) para que os advogados possam para ali denunciar as falhas de segurança sanitária nos tribunais. O JN cita o bastonário da OA que afirma ter «"vindo a receber queixas de vários colegas que se sentem em risco pelas deficientes condições de segurança que lhes estão a ser proporcionadas para a realização de diligências presenciais em tribunal”. E acrescenta que o bastonário apela a todos os advogados para “que tenham cuidado sempre que tenham de realizar diligências presenciais, evitando a prática de quaisquer atos que possam constituir risco agravado para a sua saúde e devendo exigir que as condições de segurança indicadas pelas autoridades de saúde sejam respeitadas”. Avisa ainda que o risco de contágio nos tribunais é “elevado”.»


MascarasComBichos.jpg


      Fontes: "Jornal e Notícias", "Sapo24" e “Sábado”.

Comentários

  1. Nao passam de pequenos insetos inofensivos, que existem a varios pisos subterrâneos, por ex , em caves no Bangladesh utilizadas para trabalho infantil.
    É apenas uma questao ética. Basta sacudir!

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  2. As cuecas e mascaras de tecido da Primark tb trazem, e nao é por isso que deixam de fazer filas à porta.

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    Respostas
    1. Por isso, como fazemos com as cuecas, vamos também lavar as máscaras, antes de as utilizar.

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  3. Tribunal de Sintra, Tribunal piloto. Sempre à frente... !!!

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  4. O Senhor bastonário da OA está preocupado pelas deficientes condições de segurança que estão a ser proporcionadas aos advogados para a realização de diligências. E os Oficiais de Justiça que nunca abandonaram o "barco" e que são a classe profissional mais exposta a essas condições e que mais tempo permanece nas instalações dos Tribunais!...

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