A Arte Esquecida nos Tribunais

      “O quadro no átrio do primeiro andar do Palácio da Justiça de Torres Novas é uma obra que chama a atenção de quem gosta de arte mas, até agora, nada se sabia sobre a pintura de cavalete, que veio a revelar-se um tesouro.


      No âmbito do restauro da pintura sobre madeira, que estava bastante degradada, veio a descobrir-se que o quadro tem um alto valor artístico e cultural, que era desconhecido, tal como não se sabia quem era o autor.


      A pintura é de Manuel Lapa, nome artístico de D. Manuel Vasconcellos, filho de conde, nascido em 1914 em Lisboa, e que fez parte da segunda geração de artistas modernistas portugueses.


      Já se sabe que a obra foi terminada no ano da morte do pintor em 1979. Segundo Nuno Proença, um dos elementos da equipa que recupera a obra de arte, se esta não foi a última obra do pintor, foi uma das últimas em que esteve envolvido.


      Na altura Manuel Lapa já não estava bem de saúde e sabe-se que a pintura, pelas suas dimensões, teve a colaboração de outras mãos. O Ministério da Justiça não tinha o registo da obra e esta tem vindo a ser estudada por especialistas em história da arte, concluindo-se que é uma pintura importante.


      A pintura representa as Cortes de Torres Novas de 1438 (juramento de D. Afonso V) é a segunda obra mais importante da Comarca de Santarém. A mais valiosa é o fresco que representa as cortes de Almeirim na sala de audiências principal do palácio da justiça de Santarém.


      A recuperação do quadro de Torres Novas insere-se numa estratégia da comarca na recuperação do património artístico dos tribunais.


      Está já em andamento o restauro do mural da sala de audiências do palácio da justiça de Tomar, do pintor Guilherme Camarinha, intitulada “A devoção da Várzea Grande ao povo de Tomar”. Está ainda prevista a recuperação da escultura exterior do Tribunal de Benavente, da autoria de Dorita de Castel’Branco.


      Para o juiz presidente da Comarca de Santarém, com esta ação pode-se estar a criar uma nova filosofia, que é a das comarcas se preocuparem com a parte artística. Luís Miguel Caldas diz que a preocupação não deve ser só os processos, porque os tribunais têm um património muito interessante, com acervos que se destacam no panorama das artes em Portugal, sendo um veículo também da sua promoção. Além das obras de arte também há uma parte arquitetónica de relevância, como é o caso do edifício de Rio Maior, uma referência dos anos 60, do arquiteto Formosinho Sanches.”


TJ-TorresVedras-Átrio(Restauro).jpg


      Fonte: “O Mirante”.

Comentários

  1. Anónimo7/8/20 09:17

    A arte esquecida nos tribunais é a desenvolvida diariamente pelos funcionarios judiciais que, mal pagos, mal reconhecidos, mal tratados, com falta de material, de liderança, e excesso de trabalho, conseguem, com zelo extremo, e preserveranca, conseguem que tudo corra com alguma normalidade

    Assinado , supostamente.
    Ministra da justiça.

    ResponderEliminar
  2. Anónimo7/8/20 09:19

    A arte esquecida nos tribunais é a desenvolvida diariamente pelos funcionarios judiciais que, mal pagos, mal reconhecidos, mal tratados, com falta de material, de liderança, e excesso de trabalho, conseguem, com zelo extremo, e preserveranca, conseguem que tudo corra com alguma normalidade

    Assinado , supostamente.
    Ministra da justiça.

    ResponderEliminar
  3. Anónimo7/8/20 09:55

    Luís Miguel Caldas diz que a preocupação não deve ser só os processos, porque os tribunais têm um património muito interessante.....

    Mas quem é que quer processos?

    ResponderEliminar
  4. Anónimo7/8/20 15:03

    A preocupação deve ser exclusivamente os processos porque os Tribunais Administram a Justiça em nome do povo e não o património cultural em nome do povo!

    Essa tarefa está atribuida e bem ao Ministério da Cultura e aos seus técnicos devidamente credenciados e habilitados para o efeito.







    ResponderEliminar
  5. Anónimo7/8/20 15:24

    A ser assim, qualquer dia sujeitamo-nos a um episódio qualquer como o que aconteceu ao quadro de Bartolomé Esteban Murillo que mostrava a Virgem Maria mas que ficou irreconhecível depois do restauro feito por um amador.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ