STEPI+ um Citius para as Insolvências
O Governo lançou um projeto cofinanciado destinado à Comissão para o Acompanhamento dos Auxiliares da Justiça (CAAJ) para que os Administradores Judiciais tramitem melhor os processos de Insolvência.
O programa informático tem um custo de quase 800 mil euros, sendo mais de metade, quase 450 mil euros, financiado pela União Europeia.
A plataforma informática denomina-se “STEPI+”, sendo as iniciais de “Sistema de Tramitação Eletrónica do Processo de Insolvência.
Na síntese da descrição do projeto consta o seguinte:
«O STEPI+ é um sistema de tramitação eletrónica do processo de insolvência que pretende investir na modernização do setor da Justiça em Portugal, no contexto da tramitação do processo especial de revitalização e do processo de insolvência, contribuindo para uma justiça mais célere, transparente, eficiente e eficaz para todos os utilizadores.
Esta plataforma informática, de cariz inovador, irá garantir uma tramitação eletrónica dos processos e contribuir para uma monitorização permanente, e em tempo real, de toda a informação processual.
Para esta Comissão [CAAJ], enquanto entidade competente para fiscalizar e disciplinar os administradores judiciais, será de significativa relevância, uma vez que se irá apresentar como um instrumento de supervisão preventiva e efetiva, particularmente importante no que concerne ao cumprimento dos prazos processuais, à prestação de informação e aos fluxos financeiros registados nas contas bancárias da massa insolvente, contrariando a possível descapitalização dos processos judiciais que, para além de poderem consubstanciar ilícitos criminais, comprometem a entrega das quantias devidas aos credores, insolventes e terceiros.
Este sistema de tramitação eletrónica irá, assim, traduzir-se numa alteração significativa da acessibilidade à informação por parte de credores, de insolventes e de potenciais investidores na economia portuguesa e do cidadão em particular, transformando e substituindo a situação existente por um novo paradigma assente na celeridade e transparência, apostando, de forma integral e estruturada, na inovação da gestão de processos.»
Como objetivos e prioridades para o projeto constam os seguintes aspetos:
«– Maior interatividade entre os administradores judicias e as partes.
– Produção automática de documentos processuais por intermédio de uma inserção de dados estruturados numa plataforma eletrónica, contribuindo, assim, para uma entrega mais célere de quantias aos credores e uma redução da duração do processo de insolvência.
– Introdução de novas soluções de comunicação entre os administradores judicias e os demais agentes que acompanham o processo, incluindo entidades públicas, supervisoras e reguladoras.
– Introdução de novas ferramentas de gestão e de controlo no Setor da Justiça, em particular na tramitação do processo de insolvência.
– Desenvolvimento da funcionalidade de integração com o sistema dos tribunais, CITIUS, permitindo uma tramitação eletrónica dos processos.
– Introdução de novos indicadores e divulgação estatística.
– Desenvolvimento de ferramentas que permitam às entidades públicas, supervisoras e reguladoras, com total autonomia, confidencialidade e independência, dispor de elementos para avaliação da qualidade dos serviços e capacidade de resposta.
– Potencial interação com outros portais públicos.
– Valor para a economia: Diminuição da burocracia para a reclamação de créditos; Maior celeridade no pagamento dos valores aos credores e da remuneração variável aos administradores judiciais e Disponibilização permanente de informação estatística atualizada sobre o processo de insolvência.
– Poupança para os cidadãos e empresas.
– Diminuição de custos para o Tribunal.
– Diminuição da pendência processual.
– Diminuição dos custos operacionais, como equipamentos, serviços externos e outros.
– Diminuição dos custos de supervisão da atividade dos administradores judiciais e incremento da capacidade de fiscalização.»
A data de conclusão do projeto está indicada para 22-06-2022.
Pode ver mais sobre este projeto na página governamental através da seguinte hiperligação: “STEPI+”.

"incremento da capacidade de fiscalização"!
ResponderEliminarE quem vigia o vigia?
É tempo para recordar palavras sábias, livres e genuínas, de sua Excelência o Senhor Juiz Conselheiro Álvaro Rodrigues, relativamente à figura do Oficial de Justiça:
ResponderEliminar«Muito se tem dito e escrito sobre a Justiça em Portugal e seus problemas. São diagnosticadas mazelas, sugeridas terapêuticas e paliativos, alvitradas alterações quanto à formação dos Magistrados, gizados esboços mais ou menos criativos e filosóficos do perfil do Juiz para os nossos dias, enfim, muitos são os que se sentem legitimados a perorar sobre o tema e a prescrever panaceias e mezinhas com vista a melhorar o estado das coisas.
Pouco ou nada se tem dito dessa figura imprescindível que é a do Oficial de Justiça, sem a qual todo o serviço judicial quedaria inerte e, por melhor e mais dotado que fosse o Magistrado, pouco ou nada valeria se não se lograsse dar andamento aos processos judiciais ou cumprir as decisões dos Juízes.
É tempo de pensar também nos Oficiais de Justiça, a quem todos os profissionais do foro reconhecem a louvável dedicação e até a sua não rara abnegação, frequentemente evidenciada, mas, quantas vezes, incompreendida.
É tempo de investir na sua formação e nas condições do seu desempenho, mas, principalmente, é tempo de se lhes dirigir palavras de estímulo e sincero reconhecimento, nestes áridos tempos de desalento generalizado.»
Uma gota no oceano.
EliminarExistissem muitas gotas e menos burocratas.
Mas isto já não vai lá.
- Idade reforma foi-se, mas o desgaste e risco mantêm-se.
- Serviços sociais foram-se.
- Não colocação no escalão devido após Passos Coelho.
- Não existência de promoções.
- Retirada do livre trânsito em transportes públicos.
- Não pagamento de bastantes horas extra a propósito de um dever de permanência muito mal posto em prática por algumas hierarquias.
Pergunta-se,
COJ para quê?
As classificações de nada servem, pois de nada adiantam em virtude de a grande maioria dos Srs. Oficiais de Justiça, não medíocre, não quer saber das mesmas.
É visível para todos, que o Estado vê como solução para o problema da justiça, a desjudicialização, ou seja, os processos atrasam-se? tiram-se dos tribunais. Assim, o atraso já não é imputável ao Estado.
ResponderEliminarChama-se a isto, "lavar as mãos como Pilatos".
A questão é: e o cidadão e a justiça?
Vejam-se apenas dois exemplos: ação executiva e inventários.
O que pensam sobre isto os Sindicatos?
ResponderEliminarApoiada pelos oficiais de justiça??? Só se foi o colega.
ResponderEliminar