A necessária Greve: próxima Quarta, Quinta e Sexta-feira
«Depois de várias promessas, diversos mal-entendidos, muitos equívocos e outros “artifícios” menos claros, próprios de uma governação desorientada, o Ministério da Justiça furta-se, uma vez mais e claramente, ao cumprimento dos compromissos assumidos e – pasme-se!!! – até aos determinados na Lei do Orçamento Geral de Estado (LOGE), em vigor.»
Assim o diz o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) na sua comunicação de ontem que anuncia a greve dos três dias para a próxima semana.
Numa denominada “Nota Pública”, na sua página do Facebook, o SOJ refere que «O Ministério da Justiça, após ter promovido alteração que valorizou e dignificou, com total justiça, os estatutos das carreiras dos Juízes e Magistrados do Ministério Público, encontrou sempre razões instrumentais para não cumprir com as suas obrigações legais, no que se refere aos Oficiais de Justiça, o que reflete a imparidade com que este Governo gere as questões relativas aos trabalhadores.»
O SOJ prossegue a sua “Nota Pública” explicando o inédito incumprimento da Lei depois da também inédita inserção de uma determinação ao Governo com data limite. Nunca se viu nada assim: nem a necessidade e conseguimento em obter uma determinação legal na Assembleia da República nem, também, o seu declarado incumprimento, como cereja no topo do bolo de anos e anos de promessas incumpridas e daquilo que, hoje, se pode considerar, não só aberrante como profundamente insultuoso para com todos os Oficiais de Justiça.
«A Lei do Orçamento de Estado – art.º 38.º – estabelece que o Ministério da Justiça deve(ria) publicar, após negociar com os Sindicatos, o Estatuto dos Oficiais de Justiça, em jornal oficial (Diário da República) até ao final do mês de julho de 2020. A verdade é que, até ao momento, nenhuma proposta foi sequer apresentada aos Sindicatos. Contudo, o Governo prepara já um novo Orçamento de Estado, para 2021, ignorando totalmente o incumprimento, no que aos trabalhadores importa da LOGE, ainda em vigor.
Importará, pois, chamar à colação que Sua Excelência, o Senhor Primeiro-Ministro, tem afirmado, com toda a veemência e solenidade, que os seus Governos não apresentam orçamentos retificativos. Todavia, há que esclarecer que não se mostra necessário apresentar orçamentos retificativos, quando os mesmos não são cumpridos, depois de aprovados.
O Ministério da Justiça tem sido, neste capítulo, exemplar, pela negativa, apresentando uma imagem cabal do estado da sua própria justiça; ou seja, não cumpre o que estabelece a Lei do Orçamento Geral do Estado, no que aos Oficiais de Justiça diz respeito, encontrando invariavelmente razões espúrias e instrumentais para o não fazer!»
E é por estas razões que o SOJ conclui a sua “Nota Pública” justificando a opção da greve:
«Desse modo, a greve, neste contexto, afigura-se como o recurso necessário à demonstração da indignação dos Oficiais de Justiça, já que os deveres os têm como inalienáveis, mas os legítimos direitos, estabelecidos na própria Lei da República, são constantemente coartados, a cada nova legislatura.
Concluindo, os Oficiais de Justiça, na defesa intransigente da reivindicação justa dos seus direitos, estarão em greve nos dias 30 de setembro, 01 e 02 de outubro de 2020, entre as 00h00 e as 24h00.»
Os Oficiais de Justiça devem ter bem presente os seguintes aspetos elencados nesta nota do SOJ:
“Depois de várias promessas, diversos mal-entendidos, muitos equívocos e outros “artifícios” menos claros, próprios de uma governação desorientada, o Ministério da Justiça furta-se, uma vez mais e claramente, ao cumprimento dos compromissos assumidos e – pasme-se!!! – até aos determinados na Lei do Orçamento Geral de Estado (LOGE), em vigor.”
Quer isto dizer que o SOJ considera que o Ministério da Justiça, em relação aos Oficiais de Justiça, tem passado o tempo todo a ludibriar os Oficiais de Justiçar: realizou “várias promessas”, “mal-entendidos”, “muitos equívocos” e “artifícios menos claros”.
Conclui o SOJ que todos os aspetos são normais e, portanto, “próprios de uma governação desorientada”. No entanto, não concordamos com a opinião do SOJ relativamente à afirmação da “governação desorientada”, uma vez que tal “desorientação” não existe em relação a outras carreiras, isto é, a “desorientação” ocorre apenas com esta carreira dos Oficiais de Justiça. Aliás, é o próprio SOJ que também o afirma quando diz assim: «O Ministério da Justiça, após ter promovido alteração que valorizou e dignificou, com total justiça, os estatutos das carreiras dos Juízes e Magistrados do Ministério Público, encontrou sempre razões instrumentais para não cumprir com as suas obrigações legais, no que se refere aos Oficiais de Justiça, o que reflete a imparidade com que este Governo gere as questões relativas aos trabalhadores.»
Trata-se, pois, de uma clara “desorientação”, quiçá propositada, mas, sem dúvida alguma, direcionada aos Oficiais de Justiça.
«O Ministério da Justiça furta-se, uma vez mais e claramente, ao cumprimento dos compromissos assumidos e – pasme-se!!! – até aos determinados na Lei do Orçamento Geral de Estado (LOGE), em vigor.»
Nunca se viu nada assim.
Por isso, é imperioso que todos os Oficiais de Justiça reajam e que o façam de forma perentória em face das circunstâncias e da motivação exposta.
Para aderir à greve não interessa se se é filiado num ou noutro sindicato ou sequer em nenhum, basta com que se seja Oficial de Justiça e não se esteja satisfeito com o tratamento que está a receber por parte do Governo e, mesmo que esteja satisfeito, pois alguns até estarão, mesmo estes devem aderir à greve, mais que não seja pela óbvia e necessária solidariedade e para a tão badalada “união, união e união”.
Na próxima semana, na quarta, na quinta e na sexta-feira, todos os desobrigados dos serviços mínimos só podem ter uma atitude: deixar de inventar desculpas para não aderir à greve.
Todos bem sabem que as muitas greves do ano passado não surtiram o efeito pretendido e que a maioria dos Oficiais de Justiça não aderiu às greves. Ora, isto é lamentável e incompreensível. Como é que é possível que os Oficiais de Justiça estejam a ser considerados desta forma anormal – sim, anormal, porque a normalidade é a do tratamento conferido às outras carreiras, que não se aplica à dos Oficiais de Justiça – e, apesar disso, desta anormalidade, desistam de lutar de forma determinada?
Como é possível que a desistência de tantos – com prejuízo de todos – seja ainda uma opção?
«O Ministério da Justiça tem sido, neste capítulo, exemplar, pela negativa, apresentando uma imagem cabal do estado da sua própria justiça; ou seja, não cumpre o que estabelece a Lei do Orçamento Geral do Estado, no que aos Oficiais de Justiça diz respeito, encontrando invariavelmente razões espúrias e instrumentais para o não fazer!»
Ora, se, como diz o SOJ, o Governo apresenta sempre, em relação aos Oficiais de Justiça, “razões espúrias e instrumentais” para não fazer aquilo que deve fazer e aquilo que até é mesmo obrigado a fazer; como é possível que, por sua vez, haja Oficiais de Justiça com a mesma atitude, apresentando também “invariavelmente razões espúrias e instrumentais” para justificar a sua apatia?

Fontes: “SOJ Página” e “SOJ Facebook”.
Mais um que não vai aderir à greve ...
ResponderEliminar" Foi declarado extinto o vínculo de emprego público de Paulo Jorge Mascarenhas Martins, por ter requerido a exoneração de funções.
Em cumprimento do disposto na alínea d) do n.º 1 do artigo 4.º da Lei n.º 35/2014, de 20 de junho, que aprova a Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (LTFP), torna-se público que por despacho da Senhora Subdiretora-Geral da Administração da Justiça, de 24 de agosto de 2020, foi declarado extinto o vínculo de emprego público de Paulo Jorge Mascarenhas Martins, por ter requerido a exoneração de funções, no lugar de escrivão auxiliar do mapa de pessoal do Núcleo de Portimão, da Secretaria do Tribunal Judicial da Comarca de Faro, ao abrigo do disposto no artigo 304.º e 305.º da LTFP, com efeitos a partir de 15 de julho de 2020.
2020.08.27. - O Diretor de Serviços, Lourenço Torres."
Greves e mais greves, para a frente e não olhando para mais lado nenhum.
ResponderEliminarEscutem, pensem, repensem, e imaginem outras formas de luta.
A greve, por si só, nada resolve. Estou farto de fazer greves, para nada.
É preciso confrontar o governo na praça pública, trazer a opinião pública para o nosso lado, pôr em causa a imagem do governo, o que não é difícil, basta pensar.
Mas não, o mais fácil é logo partir para a greve, sem antes, VÁRIOS MESES ANTES, se planear minuciosamente.
Do conforto das secretárias dos sindicatos é fácil planear a greves para os OUTROS FAZEREM, os que não têm ajudas de custo, quilómetros pagos e outras mordomias e, após as greves vêem o seu serviço acumulado, com o dobro da pressão e stress.
Greve, obrigado mas não.
Manifestações, vigílias, confrontos diários com os membros do ministério que, diariamente, pelo país se mostram nos vários tribunais e dependências destapando placas de inaugurações ou outros eventos para captarem as luzes das câmaras; vigílias nos locais onde decorrem as diligências mais mediáticas e que atraem os média.
Isso sim, contem comigo, mas isso exige o tal planeamento, o tal trabalho de retaguarda que exige disponibilidade de tempo que parece que ninguém tem. Após se esgotarem estas, aí sim, avancemos para greve, mas greve a sério, por um mês se necessário, que aí sim, com sacrifício mas ninguém morrendo à fome, é que a greve teria visibilidade, não só na praça pública mas NAS ESTATÍSTICAS MINISTERIAIS.
Estou chateado? Sim estou, com estes filmes, filminhos, episódios tristes entre estruturas sindicais e com a triste previsibilidade dos nossos representantes.
Sejam audazes, porra.
concordo
EliminarO "colega" merece um louvor pelo serviço que tenta prestar ao Governo. É pro bono ou há compensações? A retórica do "fiz sempre, mas agora estou cansado, agora não faço... " essa retórica está gasta. Encontre novas formas de tentar enganar as pessoas. Mas não se esqueça de uma coisa, os oficiais de justiça têm andado adormecidos, mas não pense que basta papas e bolos, pois aqui não vai encontrar tolos...
EliminarQue me diz às outras formas de luta? Tem opinião ou vai pedi-la ao sindicato?
EliminarDigo o que penso, não penso o que me dizem.
EliminarTá aberta a "Época da Greve"
ResponderEliminar" Que tempos são estes, em que é necessário defender o óbvio" _ Bertolt Brecht
ResponderEliminarAssim, não vamos lá... nem a lado nenhum... estou triste, muito triste com a classe.
Senhor Secretário de Estado não foi isso que anunciou em Fevereiro deste ano na sua página do Twitter!
ResponderEliminarPreviamente à abertura formal do processo negocial?!...
Tão céleres que foram na aprovação da revisão dos estatutos das Magistraturas, sem questões prévias ou discussão das grandes linhas das reivindicações das mesmas!
Senhor Secretário de Estado, existe uma Lei do Orçamento de Estado em vigor, que já devia ter sido cumprida.
Haja paciência que eu já não tenho!
Vou aderir à greve decretada.
Não pode haver dúvidas, é mesmo opara fazer greve esta e outras que se adivinham. É uma época difícil mas precisamos de pessoas com coragem, que façam frente à tentativa clara de nos menosprezar. Deixem-se de desculpas esfarrapadas e se querem salvar a nossa carreira temos de ser nós a dar um murro na mesa, porque com falinhas mansas não vamos lá!
ResponderEliminarConcordo!
EliminarChega de promessas e de manobras dilatorias!
Transformaram a revisão dos Estatudos dos Oficiais de Justiça no diploma mais difícil e complexo da história do processo legislativo da nossa democracia!...
Como é possivel e aceitável que um Oficial de Justiça no início de carreira receba um vencimento inferior a um subsídio de residência atribuido às Magistraturas.
E ainda por cima sujeito a um regime de disponibilidade permanente sem qualquer compensação por essa disponibilidade e pelas horas extraordinárias que lhe são impostas.
Os resultados estão à vista, abandono da carreira ou recusa de inicio de funções como se tem verificado ultimamente.
Oficiais de Justiça, no início da carreira, nomeados para Lisboa e outras cidades no limiar da probeza!...
Elevador social para uns e escadote social, com alguns degraus partidos, para outros?!...
O direito à indignação foi proclamado por um dos fundadores do partido que atualmente está no exercicio da governação, e é esse o direito que os Oficiais de Justiça têm que reclamar aderindo à greve!
O problema dos oficiais de justiça é serem traídos pelos próprios oficiais de justiça. O auxiliar é traído pelo colega do lado que quer ficar a trabalhar no processo e não ir para a sala. O adjunto é traído pelo colega que passou a escrivão, o escrivão passa a capacho do secretário e este é marioneta do colega, por vezes mais novo e incapaz, que chegou a administrador por ser lambe-botas e a trair todos. Até o soj acabou traído pelo sfj ainda agora e a mudança só se deveu ao facto de ter sido publicado o acórdão dos serviços mínimos. Ora, com a aceitação dos colegas a esta greve, com a publicação do acórdão, uma segunda feira feriado, é evidente que o sfj percebeu que ficava isolado e colocou a cabeça fora de água. Se o soj se distrair na terça feira a greve do soj é anunciada na comunicação social como sendo do sfj e sem pudor estes passam a cavalgar a onda... A reunião com o SEAJ fazia parte da traição, pois o comunicado do ministério diz tudo: sfj disponível para reunir para falar em linhas gerais e o soj que se afastava do teatro. O que estava preparado era: sfj a informar os colegas que estava a negociar e que o soj não queria negociar...
ResponderEliminaros reformados que vivem do dinheiro dos fundos comunitários para a formação, arranjado por escritório de advogados, se encarregariam de lançar a campanha contra a greve. O acórdão estragou tudo, pois sem serviços mínimos muita gente aproveita as mini férias...
Vamos ver quanto tempo aguenta o coito tanto tesão. Hoje, tem sido um orgasmo tanto coito. Nunca ninguém havia visto um único coito, hoje são orgasmos atrás de orgasmos...vom tanto coito.
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ResponderEliminarA Srª Ministra é a favor de que a aposentação especial NÃO deve fazer parte do Estatuto profissional. Ironias...
Veja-se o preâmbulo do DL 4/2017:
"Considera-se com esta uniformização que as condições e as regras de atribuição e de cálculo das pensões de aposentação devem constar de um único diploma legal aplicável ao pessoal com funções policiais, que agora se aprova, não integrando os respetivos estatutos e legislação específica, uma vez que se trata de matéria específica que não integra o âmbito das relações laborais."
Em que ficamos???