Há greve para a próxima semana: 3 dias
O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) anunciou, na sua página oficial na Internet, que o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) marcou 3 dias de greve para a próxima semana.
Sim, é caricato. O próprio sindicato que apresentou o aviso prévio de greve ainda não a divulgou, para além da comunicação à Direção-Geral da Administração e Emprego Público (DGAEP) e respetiva publicação desta entidade na secção própria da sua página.
Diz assim o SFJ na sua informação sindical:
«O SFJ teve conhecimento que o SOJ decretou greve para os próximos dias 30.09, 01 e 02 de Outubro.»
Assim, na próxima semana, está marcada greve para a quarta, quinta e sexta-feira. São três dias consecutivos mas com a seguinte particularidade: o primeiro dia é do mês de setembro e os outros dois são do mês de outubro. Isto significa que o desconto no vencimento ocorrerá em dois meses diferentes. O primeiro dia será descontado no vencimento de novembro e os outros dois dias no vencimento de dezembro.
Esta forma de diferir e de diluir o impacto da greve é mais uma estratégia, iniciada nos últimos anos de luta intensa, que constitui uma muito boa ideia, pois permite aliviar o choque e a necessária repercussão dos efeitos colaterais da ação de luta.
O SFJ afirma ainda na sua informação sindical o seguinte:
«A greve como forma de luta é totalmente legítima. Os Oficiais de Justiça têm todas as razões para protestar face ao comportamento/atitude do Ministério da Justiça.»
E depois disto, não consta na informação sindical nenhum apoio explícito à greve, pelo contrário, indicia-se o não apoio, uma vez que o SFJ descreve que já escreveu à ministra da Justiça, a quem pediu uma reunião urgente (no passado dia 09SET), concedendo, com tal urgência, no entanto, prazo até ao final do corrente mês. Depois, diz o SFJ, que iniciará «um longo e duro processo de luta» e conclui que tal processo de luta, “longo e duro”, terá início no mês de outubro, mas isso só ocorrerá se o Ministério da Justiça não responder e não engonhar mais uma vez as suas obrigações para com os Oficiais de Justiça a quem o SFJ concedeu mais uma oportunidade e mais uma dilação.
Para a próxima semana acaba-se setembro e inicia-se outubro. A marcação da greve do SOJ é perfeitamente oportuna, podendo até ser desconvocada a todo o momento, se o Ministério da Justiça acabar cumprindo as suas obrigações para com os Oficiais de Justiça.
Ou seja, é fácil perceber que não é necessário esperar mais e que os Oficiais de Justiça já esperaram e esperam tanto e há tanto tempo que, obviamente, qualquer pedido de reunião urgente com um prazo concedido de 20 dias, de urgente não tem nada.
A consulta de uma agenda para marcar uma data, que nem sequer tem que ser em setembro, e que não é uma reunião definitiva, conclusiva e última, não precisa de um prazo de 20 dias. Ou seja, marcar uma reunião numa qualquer data para outubro ou novembro, é coisa que se faz num instante.
Por isso, a habitual estratégia de esperar para depois aplicar bombas atómicas ou luta longa e dura, como desde há muito se refere, é uma estratégia que não vem conduzindo a uma real ação de luta efetiva mas apenas a uma hipótese de luta, a uma esperança e a expectativas que constantemente vimos frustradas.
Assim, na próxima semana os dias relevantes são os seguintes:
30SET-QUA = Greve,
01OUT-QUI = Greve,
02OUT-SEX = Greve,
03OUT-SAB = Fim de semana,
04OUT-DOM = Fim de semana e
05OUT-SEG = Feriado nacional.
Claro que terá que haver serviços mínimos nesta greve mas apenas em um dos três dias e esse dia é a quinta-feira, tudo o que for além desse dia será um claro abuso.
Estes 6 dias consecutivos podem tornar-se umas miniférias para muitos, complementados que estão com o feriado de segunda-feira, constituindo, pois, por mais esta característica – para além das já enunciadas, designadamente da diluição do impacto nos vencimentos –, um bom complemento e um eventual incentivo a uma participação mais alargada.
Não há dúvida nenhuma que a ação de luta não carece de mais nenhum incentivo a não ser a razão da luta mas, nos tempos que correm, todos sabemos que, na prática, os incentivos e os pormenores acrescidos se mostram tantas vezes decisivos para obter ou não o apoio de alguns.
Nestes termos, estes três dias de greve têm todos os condimentos para se tornarem uma perfeita manifestação do desagrado dos Oficiais de Justiça, despertando a atenção entorpecida do Governo, anestesiada com cartas, prazos, esperas… com sucessivas inconsequências.
Devem os Oficiais de Justiça aderir massivamente a esta greve? Sem dúvida alguma!

Fonte: “SFJ-Info”.
Triste sina a dos oficiais de justiça. Como é que o sindicato que marca a greve nada diz á classe. O outro revela sem ter de o fazer, sendo eticamente incorrecto. Que pobreza franciscana. Que mal fizemos nós para sofrer tanta desgraça.
ResponderEliminarJá não sei de quem me queixe mais, se do desprezo da ministra ou da incompetência dos sindicatos.
EliminarPor incúria quer da Ministra, quer dos Sindicatos, mas a união dos nossos colegas não se mostra particularmente coesa...
EliminarPor isso temos o que nós merecemos!
ADERE!!!
FORÇA.
A atual direção do SFJ refere que "a greve como forma de luta é totalmente legítima e que os Oficiais de Justiça têm todas as razões para protestar face ao comportamento/atitude do Ministério da Justiça.»
ResponderEliminarO que é lamentável é que não consegue, por questões ideológicas, partidárias ou sabe-se lá porquê, expressar qualquer apoio a uma greve decretada por outra estrutura sindical, apesar de ser legitima e provida de razão!
Esta forma de luta, menos bélica que a então prometida "bomba inteligente", é real, está ao alcance de todos os Oficiais de Justiça, que se sentem enganados e indignados e que queiram ou possam aderir.
conclusão: o SFJ, de facto, não apoia greve e os seus simpatizantes vão sentir-se compelidos a não aderir!
EliminarE ficam bem vistos pela ministra amiga que acha que eles são o todo
SFJ
EliminarLista A: Os mesmos do costume....oligarquia socialista com obediência cega.
Lista B: para a Lista A ganhar.