10 Advogados Abandonam Julgamento

      «Um julgamento agendado para esta quarta-feira no Auditório Municipal da Batalha foi transferido para o Teatro-Cine de Pombal, onde também não se realizou, devido à recusa de dez advogados, por falta de condições de trabalho, revela ao JN o bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Luís Menezes Leitão.


     Estes espaços, tal como o auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Leiria, têm sido utilizados pelo Tribunal da Comarca de Leiria quando o número de arguidos é elevado, devido à pandemia.


      “Estão a decorrer casos destes em todo o país, mas Leiria é a situação mais grave, porque os julgamentos têm sido adiados”, justifica Luís Menezes Leitão.


      No caso do processo criminal desta quarta-feira, que envolvia 21 arguidos, seis dos quais detidos, dez dos 13 advogados entenderam que o espaço não tinha condições de trabalho, pediram a suspensão da audiência e, face à recusa do coletivo de juízes, abandonaram a sala.


      “Colocar as pessoas numa plateia de cinema não é adequado. Como é que passam umas pelas outras?”, questiona o bastonário.


      Um comunicado da OA refere que “apesar de os mandatários terem informado que os seus constituintes só aceitariam ser pelos mesmos representados, o senhor juiz presidente do coletivo determinou a imediata nomeação de defensores oficiosos para todos os arguidos, que passaram a não ter defensor na sala#.


      Contudo, o bastonário esclarece que estes se solidarizaram com os colegas que se recusaram a trabalhar, porque nem sequer tinham onde colocar os documentos e tomar notas, num processo com 20 volumes.


      “Constitui um verdadeiro atentado à advocacia um tribunal, mandar substituir um advogado, que justificadamente se recusa a realizar um julgamento, em condições que contrariam o Estatuto da sua Ordem", sublinha a nota de imprensa.


      “A OA manifesta, por isso, solidariedade e apoio aos colegas afetados por esta situação e exige do Conselho Superior de Magistratura uma rápida intervenção neste caso, solicitando igualmente ao Ministério da Justiça que assegure de imediato as condições necessárias para que os julgamentos no nosso país decorram com as condições de segurança e de trabalho.”


      “As coisas não se resolvem assim. Isto é inaceitável num estado de direito", observa Menezes Leitão, que contesta não só a existência de falta condições de trabalho, como de segurança e de saúde. "Em Leiria, há muitos advogados com perfil de risco à Covid-19", alerta.


      A este propósito, adianta ainda ao JN, tem a indicação de que “o Tribunal Administrativo e Fiscal de Castelo Branco fechou porque uma juíza está infetada”.


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      Fonte: “Jornal de Nortícias”.

Comentários

  1. Apenas se pretendem condições para trabalhar! Creio que adiar os julgamentos ou outras quaisquer diligências, certamente não será o melhor para os Senhores Advogados, na medida em que de todos os intervenientes, serão os únicos que não têm um salário garantido, quer se faca ou não um julgamento!
    Não é por acaso que foram estes os maiores afectados com o encerramento dos tribunais, que ficaram sem trabalho e sem rendimentos.
    O que está em causa é valorizar esta tão nobre profissão que há muito vem sendo maltratada pelos demais!
    Nao se trabalha sem condições. Os advogados e os cidadãos por eles representados, exigem respeito!

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  2. Merece respeito quem se dá só respeito. A generalidade não merece qualquer respeito, como recentemente se viu. Vivem em constante "lambe-botismo, de joelhos, perante os deuses maiores: magistrados e administradores. O resto é música, conversa da treta.

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