Anulada a extinção da Greve do SFJ de 1999
E de repente, a greve do SFJ de 1999 volta ao ativo.
A greve decretada em 1999, ao trabalho fora de horas, que recentemente o secretário de Estado adjunto e da Justiça considerou extinta, levando em conta um parecer que encomendou à PGR, volta a estar válida para que todos os Oficiais de Justiça a possam invocar e não realizem qualquer trabalho fora de horas, designadamente, na hora de almoço e após as 17H00.
E é isto mesmo que o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) veio publicamente manifestar no dia de ontem através de uma informação sindical que diz assim:
«No âmbito da Intimação para proteção de direitos, liberdades e garantias, prevista no art.º 109.º do CPTA, contra o Ministério da Justiça que o SFJ interpôs relativamente ao despacho do SEAJ homologando o parecer do Conselho Consultivo da PGR que dava por extinta a Greve ao trabalho fora do horário normal de funcionamento das secretarias, foi proferida sentença julgando a mesma “intimação para proteção de direitos, liberdades e garantias procedente e, em consequência, declara-se a nulidade do despacho do Secretário de Estado Adjunto e da Justiça de 8-09-2020, na parte em que homologou as conclusões 10.ª e 11.ª do Parecer n.º 7/2020 do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República”; ou seja, o Tribunal considerou que o SFJ nunca teve vontade de substituir o protesto inicial, nem lhe pôs termo, pelo que a Greve se mantém nos exatos termos em que foi convocada, podendo os funcionários invocar a mesma para recusarem o trabalho além do horário, não havendo quaisquer serviços mínimos a observar.»
Recapitulando:
Há a greve do SOJ, até ao dia 21-12-2020, que permite greve total sem serviços mínimos entre as 12H30 e as 13H30 e com serviços mínimos após as 17H00 e há agora, outra vez, esta greve ressuscitada do SFJ, em que após as 17H00 não há quaisquer serviços mínimos, mesmo para processos urgentes.
Assim sendo, todos os Oficiais de Justiça (sejam lá de que sindicato forem ou até de nenhum) podem declarar-se em greve a todo o serviço, seja ele qual for, entre as 12H30 e as 13H30 e depois das 17H00 e é esta a boa notícia que o SFJ trouxe no dia de ontem a todos os Oficiais de Justiça.
Mas esta boa notícia não é apenas uma boa notícia, é, antes de mais, uma retumbante vitória dos Oficiais de Justiça sobre a constante opressão que é exercida pelo Governo, diminuindo, por todos os meios, os direitos dos Oficiais de Justiça; todos e todas as ações; um encurralar e um encarceramento. Portanto, esta notícia de ontem constitui uma libertação.
A informação do SFJ continua assim:
«Ao contrário de outros, alguns com elevadas responsabilidades, respeitamos o Estado de Direito Democrático e a dignidade, inata, de cada ser humano, recusando o trabalho escravo e o desrespeito com que são muitas vezes tratados os funcionários judiciais, como numa recente situação num Tribunal da Comarca de Lisboa Norte, em que uma magistrada ameaçou escrivães auxiliares com participações disciplinares e perda do suplemento se se recusassem a trabalhar além das 12:30, em diligências que a própria marca para as 12:15.»
E isto apela à informação sindical do SOJ ainda aqui ontem reproduzida que diz assim:
«O SOJ conhece a postura dos atuais (ir)responsáveis pelo Ministério da Justiça: para esses, os Oficiais de Justiça serão sempre “servos”, pois que no seu imaginário, delirante e aberrante, são eles os “príncipes”.»
Conclui o SFJ a sua informação sindical assim:
«Trabalho escravo não!
E é esta a parte que agora cabe a todos e cada um de nós – cumprir apenas e só o seu horário de trabalho.
O SFJ reitera o apelo a todos os Oficiais de Justiça que façam greve ao trabalho fora do horário de funcionamento dos serviços, ou seja, nos períodos compreendidos entre as 12:30 e as 13:30 e a partir das 17:00.»
E, novamente, reproduzimos mais um trecho da informação do SOJ:
«Estamos conscientes de que é exercida muita coação psicológica para que os Oficiais de Justiça não façam essa e outras greves, mas essas e outras situações têm de ser denunciadas para que consigamos recuperar a cidadania e o respeito pela carreira que, enquanto cidadãos e profissionais, temos vindo a perder, ao longo dos anos.
Quanto aos colegas que invocam o brio, preferindo ser “capachos” de uma administração que não os reconhece como iguais, importa esclarecer que essa greve visa garantir a dignidade e respeito que devem merecer todos e que não há brio na servidão!
Mais: importa ainda salientar que, a greve em apreço, visa também proteger os Oficiais de Justiça do regime ilegal a que continuam submetidos, com a complacência de diversas entidades nacionais e estrangeiras que vivem constantemente num fingimento palaciano.»
“Alea Jacta est”; agora está nas mãos e na cabeça de cada um a atitude a ter. Os sindicatos disponibilizaram as ferramentas para que cada um as use, portanto, é só usar ou não usar; mudar ou continuar.

Fontes: “Info SFJ 17NOV2020” e “Info SOJ 16NOV2020”
e eu sublinho:
ResponderEliminar«Mas esta boa notícia não é apenas uma boa notícia, é, antes de mais, uma retumbante vitória dos Oficiais de Justiça sobre a constante opressão que é exercida pelo Governo, diminuindo, por todos os meios, os direitos dos Oficiais de Justiça; todos e todas as ações; um encurralar e um encarceramento. Portanto, esta notícia de ontem constitui uma libertação.»
E acrescento: uma grande derrota do aquele senhor.
Afinal a publicação do estatuto no BTE ainda não é esta semana, talvez para a outra,ou a outra, ou a outra......... Esperemos pois, até que os sindicatos queiram.
ResponderEliminarcomo alguem costumava dizer, «qual é a pressa?». Para pior, já basta assim.
EliminarA senhora Ministra fa Justiça garantiu no Parlamento que o documento já tinha sido enviado para publicação no BTE.
EliminarConsultado os documentos enviados para publicação nos últimos dois boletins nada consta do Ministério da Justiça.
Perdidos e achados nos "Ministérios da Justiça e da Segurança Social".
Como temos a garantia do envio da Senhora Ministra da Justiça, resta-nos pedir explicações à Senhora Ministra da Segurança Social a razão da não publicação no BTE.
É o que se impõe e que se pede aos dois Sindicatos.
Alguém nos continua a enganar e nós exigimos explicações!...
É uma excelente notícia.
ResponderEliminarAssim os OJ tenham tomates!
Quanto às propostas do PCP hoje informadas pelo SOJ:
ResponderEliminarSe cada partido apresentar as suas corre-se o risco de nenhuma ser aprovada?!!!!!
O CAMINHO É ESTE:
ResponderEliminar"Assim, considera o SOJ – e isso mesmo defendeu –, fundamentando, junto de todos os grupos parlamentares com quem se reuniu, cumpre ao Parlamento convocar, evitando mais delongas, dois diplomas – DL n.º 4/2017, de 6 de janeiro e DL n.º 485/99, de 10 de novembro – e proceder à sua alteração."
Esqueçam o resto!
Concordo. Tudo o resto são "fait divers"!
EliminarhAJA QUEM NÃO SE DEIXE VERGAR! CONTRA OS TIRANOS!
ResponderEliminarSó nos faltava mais esta!
ResponderEliminarAgora é o Ministério do Trabalho Emprego e Segurança Social a travar a iniciação do processo negocial com os sindicatos ao não publicar no BET o projeto de Estatutos enviados para publicação pelo Ministério da Justiça.
Peçam explicações à Senhora Ministra do Trabalho e da Segurança Social.
"Perguntem a S. Bartolomeu que mente tanto como eu" pensa a senhora Ministra.
EliminarLamento informar, mas nada espero deste governo, como nada esperei dos que o antecederam, pois todos tiveram sempre um plano estratégico com o propósito de desvalorizar o trabalho e quem trabalha, seja os profissionais de saúde, seja os funcionários de justiça, seja os elementos das forças policiais, os assistentes técnicos, dos assistentes operacionais, etc, etc, etc... mas não se ficaram pela função pública no setor privado enquanto as grandes empresas engordaram sob a batuta dos mesmos de sempre, os pequenos negócios desapareceram e chamam agora empreendedores aos que têm relações laborais precárias, o patrão é uma aplicação, nos outros o ordenado minimo é a bitola....
Habilmente vão acicatando o setor privado contra o setor público, preocupam-se e irritam-se com os Venturas habilidosos (na minha opinião um individuo perigoso), mas de facto eles, governantes, é que construiram o país em que vivemos...que diga-se de passagem já nem é um Estado de Direito, qualquer um deles pode tomar decisões, como a anulação ilegal de uma greve... mas nada lhe acontece...tudo continua igual como se ele tivesse praticado o acto mais legal e legítimo... ainda mais sendo magistrado.
Os impostos em vez de servirem para fazer face as necessidades coletivas da população, nomeadamente, a saúde, a educação, a justiça, servem para salvar bancos e para subsidiar empresas, cujos CEO por um lado defendem as virtudes da economia liberal e do capitalismo, mas por outro não largam a teta do estado...onde mamam há décadas.
Tivemos um primeiro ministro que em horário nobre disse que iamos todos que empobrecer e de facto estamos mais pobres, os que trabalham, porque os que vivem de rendimentos estão mais ricos, portanto o que ele de facto queria dizer era que, alguns de vocês vão ter que empobrecer...
Que País é este que em vez de criar riqueza, cria ricos? onde a igualdade de oportunidades não existe, onde a distribuição da riqueza não é equitativa. Reparem que o mecanismo é sempre o mesmo DESVALORIZAR O TRABALHO!!!
Estai atentos que mais cedo ou mais tarde o salário não chega para comer... se é que isso já não acontece a alguns...
Isto é como a diarreia, a gente aguenta, aguenta, mas se não nos conseguirmos aliviar de alguma forma vai haver m**da por todo o lado...
É triste vermos o sindicato mais representativo da classe alhear-se dos assuntos que mais interessam. A reboque do outro sindicato lá vão publicando uns comunicadores, mas sobre o quê mais interessa, nada. Até dois tanta incúria.
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