O coronavírus não pega nos tribunais?

      O número de casos de infeção pelo novo coronavírus está realmente alto, com números nunca antes vistos e esta grandeza vê-se também no número de mortes a cada dia, também cada vez mais altos.


      Perante isto, tenta o Governo salvar a economia do país com cuidados paliativos suaves às pessoas.


      Nos tribunais e nos serviços do Ministério Público, continua a trabalhar-se diariamente como se nada e a discricionariedade dos Administradores Judiciários e Secretários de Justiça fazem com que em alguns locais haja teletrabalho, desfasamento de horários, jornada contínua, regimes de rotatividade… enquanto que noutros não há nada. Nuns locais tenta-se proteger as pessoas com padecimentos de saúde, que são de maior risco, mas noutros não.


      Por sorte e pelos cuidados individuais que cada um aporta, os casos de infeção nos tribunais e nos serviços do Ministério Público são reduzidos mas não são nulos. No entanto, o perigo parece estar a aumentar, não só porque os casos aumentam também fora dos tribunais, mas porque os casos parecem não estar a ser convenientemente divulgados, havendo até indícios de estarem a ser omitidos ou escondidos para que não se instale o pânico e a máquina não pare e para que não chovam pedidos e exigências, seja dos Oficiais de Justiça, dos magistrados, dos advogados, etc.


      Evitam-se as exigências, os cuidados e as despesas se não se souber dos casos. Será que isso está mesmo a acontecer?


      Vejamos uma notícia publicada ontem no Jornal de Abrantes. Diz assim:


      «Há um Funcionário do Ministério Público no Tribunal Judicial de Abrantes que está infetado com o coronavírus. A informação foi adiantada esta manhã à Antena Livre por diversas fontes e confirmada pela delegada de Saúde Pública do Agrupamento de Centros de Saúde do Médio Tejo Maria dos Anjos Esperança.


      A médica não adiantou muitos pormenores porque ainda não tinha os procedimentos concluídos, embora tenha salientado que o funcionário que tinha testado positivo estava já em confinamento. Quanto a outras medidas a serem tomadas ainda estavam a ser avaliadas.


      Contactado pela Antena Livre o presidente do Agrupamento de Abrantes da Ordem dos Advogados, António Velez, lamentou ter tido conhecimento pela comunicação social e não pela Saúde Pública ou pelo Tribunal. Indicou ainda que a comunicou de imediato a todos os colegas.


      António Velez diz que é eleito para este cargo da Ordem dos Advogados para defender os advogados, a justiça e o cidadão.


      “Se dentro de um Tribunal onde o povo vai, onde estão os advogados, onde estão funcionários, onde estão juízes e se faz caixinha de um assunto destes (…) deveria ser imediatamente divulgado para tomarmos medidas acrescidas à nossa proteção (…) parece-me lastimável e contranatura”, diz António Velez.


      O presidente do Agrupamento de Abrantes da Ordem dos Advogados diz que nas empresas é a entidade patronal que dá as indicações aos seus colaboradores. E fazendo o paralelismo com o Tribunal diz que tem estado toda a semana em diligências e audiências e não foi informado deste caso.


      António Velez remata com a expectativa de ainda ser contactado sobre esta situação porque é um local aonde vão muitas pessoas, entre cidadãos, agentes de autoridade, advogados e onde já funcionários e juízes.»


      Pode também ouvir a gravação das declarações integrais do advogado citado através da seguinte hiperligação: "Áudio".


      NOTA-ATUALIZAÇÃO:


      No final do dia foi recebido um e-mail do Administrador Judiciário de Santarém fazendo algumas observações à notícia do Jornal de Abrantes aqui hoje reproduzida, nos termos que a seguir vão reproduzidos:


      «Lendo a notícia hoje publicada no blogue, a mesma não corresponde totalmente à verdade. O colega em causa já não se encontrava fisicamente no tribunal desde o dia 4 de novembro. De imediato foi acionado o plano de contingência do Tribunal, seguindo-se as orientações da Autoridade de Saúde competente. Pode consultar a informação sobre este caso no Portal da Comarca de Santarém, uma vez que o Conselho de Gestão emitiu uma nota informativa, como faz para todos os casos. Sobre o teletrabalho, informo que, na Comarca de Santarém, cerca de 80% dos Colegas têm teletrabalho.»


TJ-Abrantes.jpg


      Fonte: “Jornal de Abrantes”.

Comentários

  1. Comecem a testar o pessoal e logo vêem se pegou ou não. Vao ter uma surpresa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tânia de Matos14/11/20 08:05

      Em Santarém, tal despiste total foi realizado a pedido do sr. Administrador.
      O teletrabalho é uma realidade em larga escala, e ainda conjugado com rotatividade, atenção especial a funcionários com situações de maior risco, direto ou familiares diretos que de si necessitem.
      Para além disso há ainda uma total transparência de comunicação quer dentro dos tribunais, quer para fora.
      Esta sim é a realidade de Santarém, um administrador, secretário, gestão e restante equipa com um cuidado humano e profissionalismo exemplar.

      Eliminar
    2. ... já no Porto ... é tudo ao contrário!

      A título de exemplo, espaços, como previamente atestado pelos competentes na área da higiene e segurança no trabalho da Comarca, sem condições para albergar tantos funcionários, que continuam com a lotação no máximo e onde não chega essa ideia do teletrabalho obrigatório.

      Eliminar
    3. Alguém que se identifica para promover o administrador, numa semana em que foi publicada a sua nova recondução ao lugar, já que a anterior era ilegal. Infelizmente esta é uma carreira com muitos lambe-botas e portanto o endeusamento do administrador tem de ser com a identificação de quem o faz. Alguém que ignora o comportamento de tão exemplar personagem, agora que sente o lugar em causa, mas que ao longo dos anos assumiu comportamentos para com os seus colegas dignos de censura, para não dizer outra coisa. Dona Tânia, um dia será reconhecida...

      Eliminar
    4. Compreendo o que diz. Contudo apenas posso falar sobre o que vejo e na minha óptica e realidade é assim que as coisas estão a ser realizadas. Não procuro reconhecimento algum até porque há muitas "Marias" na terra. Apenas não me faz sentido, esconder me atrás de um anonimato para dar a minha opinião. Se queremos realmente manifestar uma opinião e essa nos faz sentido, não temos que nos esconder. Apenas isso.
      Votos de saúde.

      Eliminar
    5. Donzilia Santos15/11/20 23:52

      A minha solidariedade para com a coragem da colega Tânia ao identificar-se, quando dá nota pública de ações da administração da comarca na ajuda ao combate à pandemia.
      Isto porque hoje em dia, políticamente correto é dizer que está tudo mal, fica mal dizer a verdade, mesmo que baseada em factos.
      Neste caso, porque nāo se gostou de ver escrita a verdade, houve logo alguém escondido no anonimato, que tentou dar diferente imagem da gestão mas sem factos em concreto.
      Que não falte coragem à Tânia para denunciar situações menos corretas se vierem a existir e que outras administrações tenham o bom senso de nesta altura ter como prioritária a defesa da saúde, tentando o equilibrio com o desempenho das funções que os cidadãos esperam dos Tribunais.
      O momento é difícil mas é nestas dificuldades que se apreciam e verificam as capacidades de gestão e direção.

      Eliminar
  2. abram hospitais nos tribunais

    ResponderEliminar
  3. As inverdades, proferidas solenemente no Parlamento, têm que começar a pagar imposto!...

    ResponderEliminar
  4. Congresso de Anadia:

    "... 0 Congresso sublinhou que, apesar de toda a controvérsia gerada à volta deste processo, as negociações estão longe de estar terminadas (carreiras especiais, carreiras não revistas e carreiras subsistentes) – como é o caso dos Oficiais de Justiça – para negociar a forma de contabilização dos anos de serviço referentes aos períodos de congelamento.

    Os congressistas reiteraram o seu apoio à proposta entregue pelo Secreatariado Nacional ao Governos, na qual, exigindo a contabilização de todo o tempo trabalhado, abrem a possibilidade de essa contabilização e reconhecimento poder ser feita de várias formas, designadamente em sede de aposentação, desta forma permitindo ganhos, quer para os trabalhadores, quer para os próprios serviços.

    O Congresso exortou à União de todos os Oficiais de Justiça para que a justeza das suas reivindicações se concretizem.

    A luta continua. Juntos conseguiremos!

    Anadia, 07 de abril de 2019

    O Secretário-geral

    António Marçal "

    ResponderEliminar
  5. Em Valongo existe uma secção encerrada! 2 dos 4 elementos testaram positivo. Estão os 4 em casa.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. ... e o MP da Familia do Porto? Espero que já estejam de boa saúde.

      Eliminar
  6. Alguém me sabe informar sobre eventuais casos covid no Palácio da Justiça de Lisboa e sobrebquais as medidas que foram tomadas quanto a proteção dos funcionários?

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ