“O Imaginário Delirante e Aberrante”

      Na informação sindical do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) de ontem pode ler-se o seguinte:


      «O SOJ conhece a postura dos atuais (ir)responsáveis pelo Ministério da Justiça: para esses, os Oficiais de Justiça serão sempre “servos”, pois que no seu imaginário, delirante e aberrante, são eles os “príncipes”.»


      E por que razão o SOJ diz isto dos “atuais (ir)responsáveis pelo Ministerio da Justiça”?


      Explica o SOJ que, relativamente à greve dos 3 dias que este Sindicato decretou e o SFJ secundou, nos passados dias 30SET, 01OUT e 02OUT, quarta, quinta e sexta-feira, respetivamente, “o Ministério da Justiça recorreu, para o Tribunal da Relação, do Acórdão do Colégio Arbitral pois defende que deveriam ter sido decretados serviços mínimos durante os 3 dias.”


      Esta atitude e esta consideração leva o Sindicato dos Oficiais de Justiça a considerar que não é “nada que surpreenda, pois o SOJ conhece a postura dos atuais (ir)responsáveis pelo Ministério da Justiça: para esses, os Oficiais de Justiça serão sempre “servos”, pois que no seu imaginário, delirante e aberrante, são eles os “príncipes”. E acrescenta: “Aliás, isto mesmo defendeu, em artigo de opinião, um ilustre magistrado judicial há poucos anos. Sucede, pois, que nós recusamos terminantemente um tal tratamento”, conclui a informação sindical.


      Estamos, pois, perante posições extremadas e desavindas que constituem, por um lado uma desilusão e um desgosto que alimenta o estado depressivo dos Oficiais de Justiça mas que, por outro lado, aporta um raio de esperança por se ver um sindicato a reagir de forma tão contundente àquilo que considera ser um ultraje aos Oficiais de Justiça.


      Relativamente à mesma greve dos 3 dias, informa o SOJ que já procedeu “à reposição do subsídio de refeição, tal como determinado pela Direção, em conformidade com os estatutos do Sindicato, a todos os que o solicitaram”; o que constitui, tal como aqui já noticiado, uma medida nova e inovadora que, se bem que de diminuta compensação, é um passo em frente que vai ao encontro de muitas reivindicações dos Oficiais de Justiça.


      O SOJ aborda ainda, na mesma informação sindical de ontem, a questão da greve parcial decretada por este sindicato e em vigor até ao próximo dia 21 de dezembro.


      Refere o SOJ que esta greve “nunca foi tão necessária, quanto neste momento”, reiterando que se encontra em vigor e explicando a sua importância do seguinte modo:


      “É importante que todos entendam que de nada serve uma greve de 3 dias – ou 3 meses que fossem –, se depois os trabalhadores, nos dias seguintes, trabalharem para lá da hora para recuperar atrasos.


      Estamos conscientes de que é exercida muita coação psicológica para que os Oficiais de Justiça não façam essa e outras greves, mas essas e outras situações têm de ser denunciadas para que consigamos recuperar a cidadania e o respeito pela carreira que, enquanto cidadãos e profissionais, temos vindo a perder, ao longo dos anos.


      Quanto aos colegas que invocam o brio, preferindo ser “capachos” de uma administração que não os reconhece como iguais, importa esclarecer que essa greve visa garantir a dignidade e respeito que devem merecer todos e que não há brio na servidão!


      Mais: importa ainda salientar que, a greve em apreço, visa também proteger os Oficiais de Justiça do regime ilegal a que continuam submetidos, com a complacência de diversas entidades nacionais e estrangeiras que vivem constantemente num fingimento palaciano.”


      A reter:


      -1- “Não há brio na servidão!”
      -2- “Visa proteger os Oficiais de Justiça do regime ilegal”
      -3- “Com a complacência de diversas entidades nacionais e estrangeiras”
      -4- “Que vivem constantemente num fingimento palaciano”.


      Ou seja, esta informação sindical do SOJ reitera, em suma, o que a seguinte frase pode sintetizar:


      «Para que consigamos recuperar a cidadania e o respeito pela carreira que, enquanto cidadãos e profissionais, temos vindo a perder, ao longo dos anos.»


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      Fonte: “Info-SOJ 16NOV2020 Breves Informações”.

Comentários

  1. Muito bem! haja alguém que não se deixe vergar!

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    1. Mas foi para reforçar esta atitude que se convocou a greve de 3 dias? Gosta-se imenso da construção do comunicado mas e resultados palpáveis? Onde estão SOJ? Valha-nos que afinal a greve de 99 ainda está em vigor...

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    2. E onde estão os resultados "palpáveis de uma greve de 1999?!...
      Decorreram já 21 anos!...


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    3. Lamentavelmente não sabe do que fala. Tal e qual alguns que por aqui pululam opinativamente. Uma cegueira que se traduz num gratuito maldizer de tudo o que seja do SFJ e, por outro lado, num realce bacoco de "exibições" do SOJ. Ainda quanto à greve, importa não haver ignorância, desinteresse, desconhecimento ou até desprezo sobre determinadas matérias, tal e qual o demonstrado pelo presidente do SOJ. Em conclusão, seguramente nunca invocou tal direito - a greve de 99 - senão saberia da utilidade da mesma.

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  2. Uma República com laivos de Monarquia!

    De vénia em vénia até que a velhice nos liberte!

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