“Carneiros por pastagens cibernáuticas”

      Pronto. Tem que ser. É inevitável fazer uma menção a Eduardo Lourenço. Resistimos, pela desnecessidade em face das muitas menções em toda a imprensa, até que encontramos uma opinião que, sinteticamente, tem correspondência com o pensamento subjacente a esta iniciativa e, por isso, a seguir vai reproduzida.


      «Não somos livres, não somos estimulados a produzir pensamento, a ter ideias, a considerar a nossa identidade, a nossa história. Andamos neste mundo, quais carneiros, por pastagens cibernáuticas, a ler as gordas, a passar o dedo no ecrã, disciplinados e condicionados. Manipulados. Mesmo que tenhamos a ideia da nossa liberdade, estamos presos numa bolha de algoritmos que comandam a nossa existência. Ninguém quer que o pensamento se produza; muitos querem que o pensamento se cale, que não se faça, simplesmente. Porque é mais cómodo, é menos acintoso, provoca poucas ondas e já ninguém quer navegar, essa arte que implica precisão.»


      Assim começava o artigo de opinião Patrícia Reis, intitulado “Eduardo Lourenço, o contrário do que somos” e que hoje reproduzimos por considerarmos que as suas palavras são muito pertinentes.


      A liberdade de pensamento e o pensamento crítico é algo que carece de ser alimentado todos os dias, combatendo o espírito cómodo de rebanho, e é este o trabalho diário que aqui se vem tentando desenvolver.


      Patrícia Reis termina assim a sua opinião:


      «Dizia ele, então, que o mundo estava do avesso, que era importante que os mais jovens percebessem o que é a cultura, o que é ser português, como desenhar melhor o futuro. Tinha, tem, razão, precisamos de pensamento, de procurar saber e pensar, de manter uma identidade não padronizada, não manipulada. Para isso é preciso liberdade e Eduardo Lourenço, que viveu tanto tempo, 97 anos, tinha uma liberdade verdadeiramente invejável. E nós, aqui cada vez mais sós, deveríamos reclamar essa liberdade e promover o pensamento, espalhar ideias de todas as formas, ideias que incomodem, que proponham algo mais, que desafiem. A liberdade é um exercício constante, precisa de aplicação. Eduardo Lourenço sabia-o bem.»


      Eduardo Lourenço exibia os portugueses desta forma lancinante:


      «Os Portugueses não convivem entre si, como uma lenda tenaz o proclama, espiam-se, controlam-se uns aos outros; não dialogam, disputam-se, e a convivência é uma osmose do mesmo ao mesmo, sem enriquecimento mútuo, que nunca um português confessará que aprendeu alguma coisa de um outro, a menos que seja pai ou mãe...» (Cit. Eduardo Lourenço, in “Labirinto da Saudade - Repensar Portugal”, 1978).


EduardoLourenco.jpg


      Fonte: Pode ver todo o artigo, aqui citado, publicado em “Sapo24/Madremedia”.

Comentários

  1. Tinha toda a razão!...

    Até a liberdade de pensar nos é subtraída, enquanto classe profissional.

    A dependência funcional, a disponibilidade e a submissão permanente têm-nos disciplinado e condicionado a produzir pensamento.

    "... Andamos neste mundo, quais carneiros, por pastagens cibernáuticas, a ler as gordas, a passar o dedo no ecrã, disciplinados, condicionados e manipulados" !...

    Filhos de um Deus memor, servos de um pseudo Estado de Direito Democrático, em que somos sacrificados que nem "cordeiros" para que o Estado consiga cumprir os direitos liberdades e garantias, esquecendo os nossos!...

    A política deste Ministério da Justiça tem privilegiado e de forma muito célere as reivindicações das classes profissionais posicionadas no topo da pirâmide.

    Quando os recursos são escassos, a divisão e distribuição dos mesmos devia ser proporcional!...

    Tudo para uns e sacrifícios para outros, num Estado de Direito Democrático, assim, assim?

    Já foi entregue o "martelo" à Senhora Ministra da Justiça, está na altura dos Oficiais de Justiça mostrarem o "prego" do Estado de Direito Democrático, junto das instituições Europeis.


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    1. Tem toda a razão mas, como carneiros que somos, só em manada seremos vistos. Individualmente não seremos notados, e os nossos pseudo pastores mudaram-se para os prados da ministra. Assim, enquanto não corrermos com estes representantes da classe, nem a migalhas teremos direito.

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