O Citote de Dezembro de 2020
O Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) distribuiu por estes dias mais uma edição do Citote, o boletim-revista deste sindicato que nos últimos anos passou a ter edição ocasional e não periódica, como já foi.
Se a memória não nos atraiçoa, a última vez que saiu um Citote foi em 2016. Houve um congresso deste Sindicato em que foi decidido que esta publicação tivesse uma saída mais periódica, o que nunca aconteceu.
Capa Citote DEZ2020
Na edição de 2016, afirmava-se que o regresso do Citote vinha “para se constituir como um meio de comunicação sindical, que efetua a interpretação e a discussão das temáticas relacionadas com o trabalho e a carreira de Oficial de Justiça”.
Nessa altura, todos nos congratulamos com o ressurgimento deste veículo de comunicação, apreciamos a excelente qualidade gráfica, no que se refere à versão impressa distribuída aos associados mas, congratulamo-nos ainda mais pela importante inovação da sua disponibilização aberta a todos, em formato digital, podendo a revista ser lida, como hoje se impõe, nos computadores, “smartphones” ou “tablets”, durante as viagens de e para o serviço ou em qualquer lugar e a qualquer hora com outra disponibilidade e comodidade.
Infelizmente, perdeu-se a versão digital tal como se perdeu a periodicidade determinada em Congresso, bem como o ímpeto alegado então.
Nesse Citote de 2016 constava um artigo do então presidente Fernando Jorge, no qual abordava a problemática do contexto político, social e económico dos últimos anos, alegando que foi “neste contexto extremamente negativo e desfavorável” que a ação sindical foi desenvolvida, terminando com a crítica às vozes dissonantes, dizendo assim:
«Claro que as críticas à atividade sindical e ao próprio sindicato existiram no passado, existem no presente e de certeza que existirão no futuro. Até porque criticar é mesmo muito fácil. Mais difícil é assumir responsabilidades, tomar decisões, ou mesmo apresentar alternativas.»
Claro que as críticas são fáceis; bem mais fáceis, aliás, com este género de percurso.
Capa Citote MAR2016
No Citote deste ano (DEZ2020), a capa apresenta uma caracterização dos tempos que correm, com a imagem de uma justiça vendada com uma máscara facial e uma balança equilibrada por um globo terreste e um “globo” viral.
O assunto único de chamada à primeira página é: “Nova equipa do SFJ preparada para desafios inéditos”.
Esta nova “equipa preparada”, liderada agora por António Marçal, afirma-se pronta para “desafios inéditos” mas bastaria que estivesse pronta para os mais que velhos desafios pendentes de resolução, antes; bem antes, dos novos que se perspetivam, como a divisão da carreira em duas e as novas atribuições (ou novos desafios) para aqueles que ficarem na carreira dos Oficiais de Justiça que terão novas funções processuais, isto é, “novos desafios”.
Os Oficiais de Justiça atuais, todos eles, gostariam de ter uma equipa preparada para resolver os velhos desafios que se arrastam há anos e só depois, depois destes, os tais novos desafios.
No final da revista, o artigo subscrito pelo atual presidente António Marçal e também por Alexandre Silva, o novo secretário-geral do SFJ, também já colocado na linha de sucessão à presidência do Sindicato, dizem assim:
«O Sindicato dos Funcionários Judiciais alerta, desde já, o Ministério da Justiça, que irá recorrer às formas de luta que melhor se adequem à estratégia sindical e, acima de tudo, à dignificação dos Oficiais de Justiça. Podemos desde já afirmar que a paralisação de tribunais, por recurso à greve, por um mês consecutivo, está em cima da mesa.»
E terminam o artigo com os habituais chavões: «Quem não luta pelo que quer, aceita o que vier. A luta continua! O momento é de união! Juntos conseguiremos!»
A “luta dura e longa”, anunciada para iniciar em outubro último, afinal não está na gaveta, como se pensava, ainda “está em cima da mesa”.
António Marçal - Presidente do SFJ
Agora é que é. Ou é como foi? Que nunca chegou a se-lo.
ResponderEliminarJá li este slogan numa informação sindical:
ResponderEliminar"Porque um sindicato que age com responsabilidade, reforça a sua legitimidade!
E o SFJ é um sindicato responsável e independente"
Vai um plenario com a seguinte ordem de trabalhos?
Os príncipes.
Os servos.
E a morte da decência?
Seria interessante!...
Nem todos falam de "desafios inéditos". Abordam-se realidades atuais completamente desajustadas. Concorda-se que a promessa de um "Citote" de publicação regular e até de formato digital tem sido sucessivamente adiada...esperemos que o paradigma mude de figurino. Haja vontade de mudança...
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