Desilusão + Incongruência = Demissão
O presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), António Marçal, em vídeo gravado no Terreiro do Paço em Lisboa, prometia voltar a gravar novo vídeo, naquele mesmo local, na segunda semana de janeiro.
Não o fez, apesar de tal semana ter passado.
No entanto, logo no início dessa segunda semana, o SFJ apresentou uma informação pública na qual afirmava que a luta devia passar pela greve declarada em 1999, isto é, há mais de duas décadas: a greve ao trabalho fora de horas e nada mais do que isso; nada de novo.
Embora não anunciando nenhuma nova iniciativa, apesar de tão propagandeada, a informação sindical de 11JAN relembra o seguinte:
«Estamos perante uma verdadeira inércia, ou mesmo má vontade, do Ministério da Justiça em resolver as questões mais relevantes: i) integração do suplemento remuneratório; ii) atribuição de um regime de aposentação diferenciado e iii) revisão estatuto profissional.»
E diz ainda, note-se bem:
«Perante as trapalhadas e as desculpas que o Ministério da Justiça vai dando para não resolver as questões que afetam milhares de Oficiais de Justiça e suas famílias, o SFJ responderá com determinação.»
“Com determinação” disse-se, mas não o fez e não o fez com a desculpa universal e transversal da pandemia: «Contudo, estamos conscientes de que a situação pandémica e os sucessivos Estados de Emergência inviabilizam muitas das ações de luta que o SFJ pretendia (e pretende) levar a efeito.»
Por isso, conclui:
«Assim, tendo em consideração todos os condicionalismos inerentes à situação de saúde pública e os constrangimentos daí advenientes, o SFJ reitera o apelo para que todos os Funcionários de Justiça / Oficiais de Justiça façam greve ao trabalho fora do horário de funcionamento dos serviços, ou seja nos períodos compreendidos entre as 12:30 e as 13:30 e a partir das 17:00 horas.»
Está, pois, dada a resposta para que o prometido vídeo, que dias antes se prometera, não exista. Mas, se prometido, se a palavra dada deve ser honrada, no mínimo, em vídeo e desde o mesmo local, deveria ter António Marçal cumprido a sua palavra? Ou pode ir dizendo o que quiser sem nunca cumprir?
Recordemos a tal palavra dada:
«Por isso mesmo, caras e caros colegas, será na segunda semana de janeiro que, a partir daqui, vos dirigirei mais algumas palavras, esperando nessa altura já termos o Estatuto para o discutirmos (…), ou, não o tendo, para vos anunciar as novas formas de luta, que tem que ser uma luta dura, uma luta que poderá ser efetivamente prolongada (…)»
Tome nota:
– “Para vos anunciar novas formas de luta”;
– “Uma luta dura” e
– “Uma luta prolongada”.
Ou seja, nada foi anunciado e, muito menos, “novas formas de luta” mas apenas, e por outra via, uma mais do que velha forma de luta. Quanto à dita “luta dura”, a anunciada greve com mais de 20 anos, já não está dura, mas flácida, e a única coisa que, afinal, é verdadeira é a tal “luta prolongada”; sim, sim, uma greve em vigor por mais de duas décadas é, de facto, uma luta prolongada.
Inúmeros Oficiais de Justiça viram nascer esta greve, até a fizeram, outros não, mas até já nem sequer cá estão; não necessariamente por terem falecido, embora tal seja também verdade, mas por se terem aposentado e nenhum deles viu efeitos de tal greve a não ser o descambar da carreira até chegar a este ponto nunca antes tão baixo e nunca antes visto.
Repare-se que é o próprio SFJ que o diz: «Estamos perante uma verdadeira inércia, ou mesmo má vontade, do Ministério da Justiça em resolver as questões», e isto é um excelente diagnóstico. Mas de diagnóstico em diagnóstico, da análise de cada sinal e de cada sintoma, ocorreu o contágio e a mesma inércia que o SFJ aponta ao Ministério da Justiça. O SFJ padece, hoje, da mesma sintomatologia de inércia e do mesmo discurso auto-absolutório.
É chegada a hora dos associados deste Sindicato abandonarem o seguidismo e reivindicarem uma mudança diretiva, fazendo uma limpeza, uma extração, isto é, desconstruindo para construir algo novo, algo que não apele ao grandioso passado mas a um futuro.
É inadmissível que toda uma classe esteja a ser prejudicada, isto é, todos os Oficiais de Justiça, pela dita “verdadeira inércia” ou incompetência ou incapacidade...
O SFJ não cumpre com o que promete e, para isso, já nos bastava o Governo, por isso, quem passa o tempo todo a prometer sem cumprir deve tomar uma única decisão: demitir-se e, caso não o faça, aí estão os associados para indicar o caminho.
Da mesma forma que é inadmissível que todos os Oficiais de Justiça estejam a ser prejudicados, é também inadmissível que alguns elementos estejam a prejudicar gravemente o histórico Sindicato e, consequentemente, todo o já depauperado sindicalismo em geral.
A desilusão dos Oficiais de Justiça e a incongruência da inércia só pode ter um resultado: a demissão.
O SFJ termina a informação sindical, esta e tantas outras, assim: «Os que não lutam pelo futuro que querem terão de aceitar o futuro que vier» e é mesmo isso que aqui se aplica.

Obrigado por tão boa análise.
ResponderEliminarEstá tudo dito sobre a conduta do SFJ.
Aos associados do STF - abram a Pestana, rasguem os cartões, comecem algo de novo, dali já viram que nada de bom bem.
: A Ministra promete ... mas não cumpre. O do Sindicato promete...mas não cumpre...
Eliminar: Coincidências da vida...
O sindicato somos nós todos e não só a direção. Se fossemos uma classe unida já tinha-mos aquilo que pretendemos. Até hoje só houve uma greve que resultou porque nessa altura era-mos muito
ResponderEliminarmais unidos. Nessa altura teve de haver requisição civil, porque parou tudo por tempo indeterminado.
Isso mesmo, tudo dito e em bem menos palavreado
EliminarFG
Está na hora de convocar um congresso extraordinário para acabar com esta direcção e promover eleições com equipas renovadas e cuja prioridade seja o interesse dos associados e não os interesses politicos e pessoais dos actuais dirigentes do SFJ.
ResponderEliminarE, para isso, bastam 200 assinaturas e, obviamente, pessoas interessadas e dispostas a integrar equipas e direcções interessadas em defender os interesses dos seus associados e, por consequencia, os interesses de todos os Oficiais de Justiça.
realmente, prometer e não cumprir não se faz. Mas valerá mais não prometer e assim nada ter para cumprir, como fazem outros?
ResponderEliminarAssim se destrói um sindicato!
EliminarTodas as classes profissionais do Ministério da Justiça viram os seus estatutos resolvidos.
António Marçal, com a sua conduta, assume a condução do carro de vassoura dos trabalhadores deste Ministério!
Está na altura dos "servos" dizerem basta para não dizerem "chega"!
Prometer e não cumprir tem sido a política deste Ministério da Justiça, mas não pode ser, nem é aceitável, que seja a política de um sindicato que se diz representativo de uma classe profissional.
A Lei do Orçamento de Estado para 2021 está em vigor e tem que ser cumprida até março.
Não dêem mais vicissitudes, como já é habitual, a este Ministério da Justiça.
Já agora, também aguardamos com expetativa, mais alguma iniciativa do SOJ.
Quem representa quem, depende sempre das decisões dos responsáveis das organizações e da aceitação das mesmas pelos seus representados.
Se no movimento sindical assim não suceder, só existe um caminho, a demissão dos seus dirigentes ou a extinção do sindicato.
Lamentávelmente penso que não terá lido a informação sindical enviada pelo SFJ.
ResponderEliminarSe o tivesse feito via que o presidente dessa entidade explicou bem o porque de não se fazer greves. Alias essa é a opinião geral de a maior parte dos colegas.
A palavra dada foi cumprida não no mesmo local mas nos meios de comunicação onde luta pela protecção de todos nós atendendo a situação pandemica que vivemos.
Talvez fosse altura de criticar e ajudar a construir.
O SFJ esta muito activo e atento as necessidades da nossa classe, não esquecendo o temas que estão em cima da mesa em negociações.
Gabriela
Colega.
EliminarAs lutas duras e longas não se reduzem simplesmente a greves!..
Existem muitas outras formas de luta!...
Li a informação sindical do SFJ mas não posso concordar com a justificação dada.
No video gravado na Praça do Comércio, António Marçal faz referência ao estado de pandemia que afeta todo o mundo e, apesar disso, fixou um prazo ao Ministério da Justiça.
Nessa altura já estávamos em pleno estado de emergência e, naturalmente, não foi surpreendido, por nada de novo!...
Mas o histórico fala por si!...
Bombas inteligentes, lutas duras e longas, vicissitudes, integração do suplemento no vencimento e regime especial da aposentação que, segundo a Senhora Ministra da Justiça, não ficou resolvido em 2020, porque não era essa a vontade do sindicato mais representativo da classe, vídeo com mensagem de natal, prazos e mais prazos e os resultados estão à vista.
Todas as estruturas sindicais representativas dos profissionais do Ministério da Justiça, viram os seus estatutos aprovados em 2019.
Em 2021 os "servos" continuam à espera, apesar de duas Leis do Orçamento de Estado assim o determinarem (2020 e 2021).
Com um mínimo de razoabilidade, todos os Oficiais de Justiça percebem que o estado de pandemia que se arrasta e agrava há cerca de um ano tem condicionado de forma decisiva a discussão estatutária. Não se desculpa a administração mas negociações numa altura destas, venha o melhor sindicato deste mundo e seguramente nada conseguiria. É a realidade que atravessamos e com a qual ninguém contava. Continue-se a lutar pela integração do suplemento e o regime de pré-reforma e se algo se conseguir já é uma grande vitória, por ora. Algo que surpreende ou não, exatamente numa altura destas, aparece o “oficial de Justiça”, com a sua sempre propalada “isenção”, desancar no SFJ e apelar à demissão da direção. O timing perfeito, terá pensado. Sugiro que se associe, pague as quotas e intervenha dentro da estrutura. Oportunidades democráticas não faltarão! É com imensa tristeza que assisto a jogadas destas.
ResponderEliminarLutar pelo regime da pré reforma... tudo dito, afinal importa esquecer o regime de aposentação que compense os oficiais de justiça. A pré reforma é que é. Por isso houve tão pouco interesse em destacar a matéria na altura apropriada, como bem salientou a ministra.
EliminarO problema nada tem haver com pandemia...
EliminarO problema chama-se subserviência ao poder do governo PS.
Sejam honestos.....
Resposta ao comentário anónimo de 19-01-2021 às 22:18.
EliminarNão se surpreenda pelo "timing", foi o presidente do SFJ que o marcou, prometendo algo que não cumpriu, é tão simples quanto isso.
Tão simples quanto outras promessas já fez e igualmente as não cumpriu.
Por isso se critica essa atuação, ou "desanca", como diz, e não na entidade, como também diz, mas na pessoa que vem prometendo e não cumpre; tão simples quanto isso.
Quanto à sugestão de associação, pagar quotas e de intervenção dentro da estrutura, é uma sugestão para quê? Para poder opinar? Acha que não se pode ter opinião sem ser dessa forma? Acha que não é com imensa tristeza que se assiste à cada vez maior desilusão dos trabalhadores para com os seus sindicatos? Acha que nenhum prejuízo está a acontecer? Onde vive? Na Lua? No lado oculto da Lua? Sabe, é que esta atuação inadmissível está a ser prejudicial para as pessoas que vivem na Terra e não só prejudica os associados, cada vez mais desiludidos (exceto alguns), como toda a classe e, por conseguinte, acrescenta um desânimo geral e um descrédito geral no sindicalismo. E o sindicalismo é a única forma de defesa que os trabalhadores têm para se defenderem e para lutar pela dignificação das suas vidas, e é isto que está em causa e é isto que sucede com direções que prometem e não cumprem. E isto é óbvio; é claro, e não vale a pena inventar desculpas. A palavra dada tem que ser honrada. Quando? Sempre!
Face a tanta e diversificada sapiência, faça um favor à Classe: Candidate-se a dirigente sindical e conte com o meu voto.
EliminarAconselho ver video publicado na pagina do SFJ:
ResponderEliminarComo é possível o Presidente do SFJ ter tantas preocupações... até com as prescrições dos processos ...mas sobre os funcionarios contaminados com Covid19 no Tribunal de Coimbra, nada diz.