O Oficial de Justiça e Eterno Caloiro, o Senhor Rui
O “Senhor Rui”, como era conhecido pela maioria dos estudantes de Portalegre, foi Oficial de Justiça, aposentando-se do Tribunal de Trabalho, onde acabou a carreira.
Uma vez liberto da carreira, o “Senhor Rui” matriculou-se no Curso de Jornalismo e Comunicação, na Escola Superior de Educação de Portalegre, fê-lo em 2010 e fê-lo não com a intenção de concluir o curso mas de apenas ser caloiro, participar de todas as festividades académicas por todo o país, onde era presença assídua, passando a viver o que não pôde na sua juventude.
O “Senhor Rui” nunca acabou o curso, no qual se matriculou em 2010, mas sempre esteve presente na comunidade académica de Portalegre, tendo recebido a alcunha de “O Eterno Caloiro” que trajava todas as quintas-feiras, tal como manda a tradição académica portalegrense.

A notícia da sua morte surpreendeu todos aqueles que consigo conviviam e que presenciavam a sua alegria e jovialidade, principalmente dos estudantes que passaram pelo Instituto Politécnico de Portalegre (IPP).
A Associação Académica do IPP emitiu a seguinte nota:
«A pandemia que hoje vivemos tem-nos feito perder muito daquilo a que estávamos habituados a ter, a sentir e a viver.
Hoje perdemos mais um amigo. O nosso estimado Sr. Rui deixou-nos e deixou o nosso espírito e a nossa academia mais pobre e mais triste.
Para muitos de nós, Portalegre trata-se de uma bonita página da nossa história. Uma página colorida com os seus registos, pela suas histórias, pelo seu companheirismo. Momentos esses que ficarão para sempre imortalizados nas nossas memórias.
Continua a registar as nossas conquistas aí de cima, nós brindaremos à tua amizade.
Sr. Rui, o nosso eterno caloiro, jamais o esqueceremos.»
Por sua vez, o IPP escreve que “a vida académica nunca mais vai ser a mesma sem a sua emblemática presença, as suas infindáveis conversas e a sua máquina fotográfica que tantos bons momentos eternizou”.
O Oficial de Justiça Rui Alves, que enveredou pela nova “carreira” de “Caloiro”, foi vítima do vírus da doença Covid19. Tinha 66 anos.
Há mais vida para além da profissão e nunca é tarde para tentar um regresso à juventude ou tentar viver aquilo que antes não se pôde mas, por outro lado, aprendemos também como o vírus pode colocar um abrupto ponto final na vida mas também no sonho.

Fontes: “Jornal Alto Alentejo”, “Associação Académica do IPP” e “Rádio Portalegre”.
"Há mais vida para além da profissão " nem mais! e é isso que a maioria não tem em mente! e daí as atitudes de mesquinhez diárias vividas entre pares de profissão e afins! e que tal os mesquinhos e ditos fisicamente imortais pensarem nisso??
ResponderEliminarSomos Instantes!
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