Atropelamento e Fuga
Já começou a vacinação dos magistrados enquanto que no que respeita à vacinação dos Oficiais de Justiça, não há ninguém que saiba responder, mesmo quando a isso instados, como já fizeram os dois sindicatos, se os Oficiais de Justiça vão ou não vão ser incluídos e, na afirmativa, quantos, quem e quando.
Ainda ontem aqui divulgamos comunicações da DGAJ e do secretário de Estado dirigidas ao SOJ, de onde se conclui, das respostas dadas, um imenso nada; um vazio.
Também ontem todos ouviram a comunicação social a anunciar, e muito bem, a vacinação para todo o pessoal docente e não docente de todas as escolas, isto é, de pessoas que contactam de perto com outras muitas pessoas.
Os Oficiais de Justiça não fazem especial tensão de se adiantar no plano de vacinação, no entanto, consideram injusto que haja quem, nos tribunais, esteja a receber já a primeira dose da vacina sem que, no seu dia-a-dia, esteja em contacto com os utentes, por se encontrarem fechados em gabinete, trabalhando em casa, ou até com grande distanciamento de todos, seja presencialmente seja por via telemática, enquanto outros, e muitos mais, cerca do dobro, isto é, a grande massa de trabalhadores dos tribunais: os Oficiais de Justiça, que não trabalham isolados em gabinetes mas em Secretarias cheias de gente e contactam diariamente com tanta gente diferente, sentem ser incorreto e injusto que a sua prioridade seja ignorada desta forma tão evidente.
Note-se bem que não se trata de considerar que quem está já a ser vacinado está a sê-lo de forma injusta; nada disso, bem pelo contrário; aliás, até quantas mais pessoas, nos tribunais, estiverem vacinadas, melhor será para todos; trata-se apenas da desagradável constatação da existência dos dois pesos, isto é, da existência de duas medidas: uma medida grande e abrangente e uma medida pequena onde não cabe ninguém.
Acresce que esta situação não constitui uma atitude isolada ou acidental mas o resultado de uma atuação que se adivinhava, e se advinha constantemente, com tantas outras ocorrências sobre tantos outros aspetos e ao longo de tantos anos que a sensibilidade às injustiças está já num ponto muito alto de ebulição.
Não está sequer em causa a ultrapassagem, porque a viagem faz-se na mesma e o destino continua no mesmo sítio, quer se chegue antes ou depois; o que está simplesmente em causa é o atropelamento; o atropelamento e a fuga do condutor, embora não sem antes abrir a janela e dizer ao atropelado que, a breve trecho, regressará para lhe prestar a assistência devida. Entretanto, durante a espera do anunciado regresso, o atropelado esvai-se em sangue e acaba por perder os sentidos; assim esperando, sem ver, sem ouvir e sem reagir.
Algum dia se há de rever o Estatuto dos Oficiais de Justiça e, em tal dia, vai ser necessário introduzir profundas alterações com efeitos até noutra legislação, uma vez que os Oficiais de Justiça precisam de uma entidade própria que realize de forma competente e autónoma a gestão do pessoal Oficial de Justiça, à semelhança do que hoje ocorre nos demais conselhos profissionais dos demais trabalhadores da Justiça.
O Conselho dos Oficiais de Justiça carece de reformulação e de atribuição de maiores competências, designadamente, competências gestionárias, não sendo apenas aquilo que hoje todos sentem, como algo negativo e limitado a duas ações: avaliações e punições.
Os Oficiais de Justiça carecem de um órgão próprio, interno, que zele pelos interesses destes profissionais, com o mesmo afã que se verifica nos demais conselhos e cujos resultados estão à vista de todos.

Ainda ontem aqui escrevia que somos tratados como ralé e seres humanos de 2ª ou 3ª categoria.
ResponderEliminarE, mais uma vez, assim é.
Alguém me pode explicar, que critérios foram tidos em conta, para decidir que os senhores magistrados já estão a ser vacinados e que a ralé, dos oficiais de justiça, como seres humanos de segunda, só lá para o dia 31-12-2021, possam , com sorte, receber a 1ª dose.
Isto é intolerável. Não se pode permitir que numa democracia haja este tipo de descriminação.
Todos são contra a descriminação racial, defendo que todos devem ser tratados de igual modo, independentemente da cor da pele.
Então, todos devem ser tratados de igual modo, independentemente da profissão que exercem.
Está em causa a saúde de todos.
ACABEM COM ISTO DEPRESSA. ISTO MAGOA E REVOLTA.
Bem apreciado! uns são filhos outros filhinhos! e é assim este ministério que é empurrado com a barriga e sabes lá porquê permanece a ministra no cargo apenas empurrando com a barriga
ResponderEliminarE porque não a conversão do COJ em OOJ (Ordem dos Oficiais de Justiça)?
ResponderEliminarA estrutura está já montada. É só adaptar a mais algumas competências, noneadamente a de de gestão.
.... digo supra "de gestão".
EliminarQuando, nas salas de audiência, onde os arguidos ficam a mais de 6 metros de distância dos srs. Magistrados, se colocaram painéis de acrílico descomunais na mesa que estes ocupam, enquanto, junto às mesas ocupadas pelos oficiais de justiça nada se colocou e apenas em alguns locais onde há atendimento ao público foram colocados uns círculos perfurados com pouco mais de setenta centímetros de diâmetro....pouco há a dizer.
ResponderEliminarColega. Os magistrados teem de ser protegidos, afinal são eles que teem a LEI na cabeça e que seria uma grande perda para os tribunais. Eles estudaram durante muitos anos para magistrados e alguns são umas nódoas (SIC) enquanto que nós entramos no passado só com prova de conhecimento geral e pouco mais. Diga onde estão os mais valiosos que devem ser protegidos e em quem o Estado mais investiu?
EliminarEstá na hora do SFJ reagir a esta falta de consideração por parte dos membros do governo deste Ministério.
ResponderEliminarInformação Sindical de 27 de janeiro de 2021.
SFJ - "... Não brinquem com a saúde dos Oficiais de Justiça / Funcionários de Justiça e seus familiares, bem como de todos os utentes, nossos concidadãos que têm de se deslocar aos Tribunais e Serviços do Ministério Público.
Ontem mesmo o Sindicato dos Funcionários Judiciais, expôs a situação publicamente in Expresso online “Se não formos incluídos vamos para a greve”, diz António Marçal, presidente do sindicato que representa os funcionários judiciais” –.
Fomos contactados (27.01.2021) pelo Presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, Desembargador Ramos Soares que nos manifestou a sua solidariedade e da ASJP, relativamente à vacinação de Oficiais de Justiça".
Documentos enviados para publicação.
ResponderEliminarÍndice do BTE n.º 10 de 15 de março de 2021.
NADA!...
Todos se recordam da parte do discurso escrito mas não lido pela Senhora Ministra da Justiça no Parlamento.
Já só faltam 20 dias para o termo do prazo fixado na Lei do Orçamento de Estado!
Quando vier o novo imposto sobre os rendimentos do pessoal que esteve/está em teletrabalho, até se esquecem da vacina ...
ResponderEliminarAhahahahah
António Marçal:
ResponderEliminarPresidente do SFJ ao Expresso online...
“Se não formos incluídos (na fascinação) vamos para a greve”,
Os novos aprendem com os velhos a....MENTIR.
Depois os partidos não digam que é preciso eliminar o "Chega"!!! Afinal estou a ser preterido em relação a magistrados que estão fechados no gabinete enquanto eu sou carne da frente de batalha. Sindicatos nem vê-los.
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