O Descalabro nos Recursos Humanos da DGAJ
Com o título de “A DGAJ e o Descalabro”, publicou ontem uma informação sindical o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), referindo-se à gestão dos recursos humanos.
Esta informação sindical vem na sequência da publicação do “Súbito mini-movimento extraordinário”, tal como aqui intitulamos o nosso artigo de ontem, sobre o mesmo assunto.
O Sindicato inicia a sua informação referindo-se ao período da intervenção externa (da Troika) em que, diz, apesar de tudo e de todas as “medidas draconianas, existiu sempre um cuidado especial com o setor Justiça, tendo inclusivamente existido promoções”. “As promoções existiram devido ao depauperamento em determinadas categorias: Escrivães Adjuntos e Técnicos de Justiça Adjuntos. Mas o que é certo é que existiram.”
Feita esta observação inicial, prossegue o SFJ comparando com o presente e fá-lo assim:
«A gestão feita dia-a-dia por parte do Ministério da Justiça/DGAJ é um prenúncio da falta de estratégia que existe. A publicitação através do Ofício-Circular n.º 3/2021 de um Movimento Extraordinário denominado de “Fevereiro”, embora anunciado e publicado em Março é mais uma prova deste desnorte e sobre o qual já solicitámos sobre a “razão” de ser deste Movimento Extraordinário, exclusivamente destinado a transferências e transições para o preenchimento de lugares das categorias de Escrivão Auxiliar e de Técnico de Justiça Auxiliar no núcleo de Loures; da categoria de Escrivão Auxiliar no núcleo de Vila Franca de Xira; das categorias de Escrivão Auxiliar e Técnico de Justiça Auxiliar nos dos núcleos de Cascais e Sintra.
A situação é deveras grave. Qual ou quais as razões para termos chegado a esta situação tão crítica? Teremos que relembrar que que o movimento ordinário de Oficiais de Justiça se inicia em abril?
A DGAJ tem meios gestionários suficiente para acautelar com tempo estas situações, ou seja, dispor de uma estratégia para que situações destas não ocorram. Ou será que a estratégia do Ministério da Justiça é a de depauperar de tal maneira os quadros de oficiais de justiça, para poder desjudicializar?
Os quadros encontram-se depauperados em cerca de 1000 (mil) Oficiais de Justiça. Ou seja, 1/7 da força de trabalho. Convém também esclarecer que o Governo anterior, através de Portaria, voltou a reduzir os quadros legais de Oficiais de Justiça.
Entretanto assistimos:
– À diminuição drástica dos cargos de chefia: Secretários de Justiça: cerca de -75% e Escrivães de Direito e Técnicos de Justiça Principal; cerca de -25%;
– “Politização” da filosofia subjacente às nomeações em substituição (artº. 49º do EFJ), sendo óbvia a nomeação dos “alinhados” em detrimento dos mais competentes, escusando-se a DGAJ a emitir ofício-circular para regular e impor critérios de seleção, para o exercício das funções de chefia em regime de substituição.
Pergunta-se, então, afinal qual é o papel da DGAJ na gestão dos Recursos Humanos? Se a situação é grave em todo o país, nomeadamente no envelhecimento dos quadros de Oficiais de Justiça, sendo que:
a) Com mais de 60 anos somos mais de 24%
b) Com mais de 50 anos somos cerca de 70%
c) Com mais de 40 anos somos apenas 14%
d) Com menos de 30 anos somos apenas 4%
e) Nos próximos seis anos verificar-se-á um elevado número de aposentações
f) Cerca de ¼ (25%) do total dos Oficiais de Justiça atingirá a idade da reforma
g) Os quadros encontram-se depauperados em cerca de 1000 (mil) Oficiais de Justiça, ou seja 1/7 da força de trabalho.
Apesar do discurso do Governo e das sucessivas promessas da Senhora Ministra da Justiça, o facto é que existe de facto uma má gestão nos recursos humanos/Oficiais de Justiça.
Os Oficiais de Justiça são merecedores de Respeito pelo seu esforço e pela dedicação que têm demonstrado ao longo de décadas em prol de uma justiça mais célere e próxima do cidadão.
Os Oficiais de Justiça nunca se negaram a esforços, trabalhando muito para além do horário, inclusivamente aos fins de semana e feriados, para que os processos não se acumulassem ainda mais e para diminuir os atrasos. E note-se que não são compensados por este esforço hercúleo que têm vindo a fazer em prol da Justiça.
Os Oficiais de Justiça não recebem qualquer hora extra nem são compensados em horas ou dias de férias.
São estas as questões que nos assolam, com anos de carreira e dedicação, que gostaríamos de ver respondidas e esclarecidas pela Tutela:
– Como é possível dar satisfação proficiente à procura por justiça sem Recursos Humanos?
– Com que propósito?
– Será que uma Justiça eficiente e proficiente, nomeadamente na área penal não interessa ao poder político?»

Fonte: “Info-SFJ-04MAR2021”.
Obviamente que interessa ao governo PS que a justiça não funcione! Por isso tentam (e conseguem) controlá-la, desde a investigação à sentença. Controlam o MºPº e os Magistrados Judiciais, aqueles hierárquicamente e estes através de pequenas e grandes benesses que os mantém satisfeitos e calados, assistindo completamente apáticos a uma tomada clara do poder judicial pelo poder politico. Para completar, controlam agora por completo os Tribunais, nomeando a seu capricho Juizes e e administradores judiciais e preparando-se para controlar até o nível mais básico dos Tribunais, as Secções de processos. Não é teoria da conspiração...É um facto. E enquanto uns andam (legitimamente, aliás) preocupados com estatutos, integrações de suplementos, promoções e outros com bilhetes de futebol à borla, cargos no governo, na administração, no estrangeiro, eles (o governo socialista) vão tomando conta da justiça...Nunca se esqueçam: "Quem se mete com o PS, leva!" e se a justiça se meteu com o PS, vai certamente levar...
ResponderEliminarTotalmente de acordo para mal dos nossos pecados!
EliminarColegas, à dias falou-se do esboço do novo estatuto... onde o posso encontrar? Confesso que não tenho conhecimento do mesmo.
ResponderEliminarObrigado
Há anos que estão no cabeçalho desta página todos os documentos relacionados com o Estatuto, designadamente, os esboços últimos de 2019. Siga a ligação para ver tudo.
EliminarHá mais de ano num gabinete do ministério...
EliminarAfinal já tido lido... Congratulo esta página por toda a dedicação aos Oficiais de Justiça
EliminarCompletamente de acordo. Somos infelizmente o "parente pobre" da Justiça!
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ResponderEliminarPretendem ascender a uma carreira com uma complexidade de grau 3, mas nem sabem conjugar o verbo HAVER ...
Infelizmente é o que acontece com muitos licenciados recentes...
EliminarMais um iluminado que sabe conjugar o verbo beber, de grau 13 ou 14, mas que desconhece os direitos liberdades e garantias da CRP!...
EliminarAtrelado e bem instalado!...
"A situação é deveras grave", e o que fazem os nossos sindicatos? Comunicados para consumo interno. Ora que a situação é deveras grave já os oficiais de Justiça estão todos fartinhos de saber, dispensamos comunicados a lembrar-nos o abismo para onde insistem em empurra-nos!
ResponderEliminarE que tal uma conferência de imprensa a denunciar publicamente estes factos para que a opinião pública também passe a saber o que se passa e o anúncio de uma luta feroz contra a situação com medidas práticas no terreno?
Já agora, acho piada que o SFJ esteja muito preocupado, mas depois apenas apresenta exemplos de falta de chefias... Mais grave é a nossa carreira já não conseguir atrair novos funcionários, tal tem sido a desvalorização salarial, de regalias, e de condições de acesso à carreira, isso sim é realmente preocupante. Em 20 anos deixámos de ser uma carreira atrativa para passar a ser o refugio de quem mais nada consegue em termos laborais. Enfim, o costume da parte dos sindicatos...
Está certo o que o comunicado do SFJ divulga.
ResponderEliminarMas não chega publicar comunicados, aliás penso que a eficácia de tais comunicados é, pouco mais que nula, embora tenham alguma importância, mais que não seja, para esclarecimento dos oficiais de justiça.
No entanto, no presente caso, impõe-se que SFJ interpele a DGAJ, no sentido de ser esclarecido acerca das razões que levaram à abertura deste movimento, do porquê de faltarem cerca de 1000 funcionários nos quadros. no caso de obter qualquer resposta por parte da DGAJ, deve insistir pela resposta as vezes que forem necessárias.
É altura para os Sindicatos tomarem uma atitude firme.
Dia 9 de Março - tomada de posse do Senhor Presidente da República.
ResponderEliminarOutdoors junto ao edifício do Parlamento com a seguinte mensagem:
Escravatura moderna!
Estatuto dos Oficiais de Justiça
"Ausência
1 - Os funcionários de justiça podem ausentar-se fora das horas de funcionamento normal da secretaria, quando a ausência não implique falta a qualquer acto de serviço ou perturbação deste"
Uma forma de chamar a atenção dos médias nacionais e internacionais.
Não percam a oportunidade.
Oficial de Justiça oferece-se para pequenas reparações e limpezas na Comarca do Porto e Porto Este. 5 €/hora.
ResponderEliminarP. s.
Também passo a ferro.
Resposta a esta publicação pelos interessados.