E depois dos plenários?
Hoje, pelas 10H30, tem início a quarta reunião plenária de Oficiais de Justiça, convocada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), desta vez em Castelo Branco.
No artigo que ontem aqui publicamos ficou explicado o funcionamento e a abrangência desta iniciativa do SFJ, pelo que todos os Oficiais de Justiça podem comparecer a estas reuniões, sem quaisquer prejuízos, aliás, devem mesmo comparecer porque, para além de não ter prejuízos, dali só poderão advir vantagens, para além do dever de camaradagem que se impõe e anda hoje tão arredado de tanta gente.
Estas iniciativas surgem na sequência do pontapé de saída e do empurrão que representou a greve dos 5 dias, têm uma duração de cerca de um mês e, findas estas iniciativas, sem dúvida alguma se seguirão outras que se devem prolongar no tempo até que os objetivos que se visam atingir sejam de facto atingidos, sem compromissos, sem palavras dadas, sem quaisquer afirmações ou promessas; uma vez que, como já todos comprovaram, por parte deste Governo não há seriedade, não há palavra honrada, só dada, isto é, atirada ao ar, e nem sequer há o cumprimento das Leis.
De todas as muitas ideias que vão surgindo e que ao longo do tempo mais recente os leitores Oficiais de Justiça aqui vêm expondo, designadamente, nos comentários aos artigos aqui publicados, bem como pelas comunicações por e-mail, destaca-se a opção por uma greve “light” ou “low cost”, portanto, horária, mas que se prolongue no tempo, de momento, até ao início das férias judiciais de verão.
No que se refere às horas diárias, há variadíssimas sugestões e estas têm que ser bem refletidas, desde logo analisando as experiências do passado, como a greve horária já realizada, mas também o desgaste diário individual, obviamente o custo das horas somadas no vencimento e, claro está, o impacto alargado.
Dentro de cerca de dois meses termina a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia e, de seguida, iniciar-se-ão as férias judiciais de verão. Assim, todas estas iniciativas aqui mencionadas carecem de uma rápida implementação, pois, caso assim não ocorra, tudo se adiará para depois do verão.
A seguir vamos transcrever parte das declarações de Carlos Almeida, presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), no âmbito da greve dos 5 dias ao Porto Canal.
Disse assim:
«…Temos que refletir e mostra bem aquilo que os portugueses pensam da Justiça: há uma justiça para uns e uma justiça para outros.
Houve uma justiça, e esta é a tal cultura que temos, e tem sido fomentada pelo Ministério da Justiça, pelos seus responsáveis; há uma cultura que coloca os senhores juízes e os magistrados de um lado, como, digamos assim, pessoas que têm uma outra natureza, e há depois aqueles, que são os soldados da linha da frente, que não é necessário proteger.
Esta cultura de haver pessoas de primeira e de segunda, isto, de facto, não faz sentido absolutamente nenhum, num Estado que, nomeadamente, está a presidir o Conselho Europeu.»
E a seguir citamos o SFJ na nota publicada sobre a greve dos cinco dias:
«As lutas dos Oficiais de Justiça são justas e justificadas em face do comportamento do MJ, pelo que todos devem lutar e aderir.»

Fonte das declarações transcritas: "Vídeo do Porto Canal na página do SOJ no Facebook". Fonte da citação do SFJ: “Nota sobre a greve dos 5 dias”.
Temos mesmo que gritar bem alto para nos fazer ouvir, pois quer o Governo, MJ e inclusive a UE, todos sabem mas fazem de conta que não se passa nada.
ResponderEliminarÉ tão bonito a Presidência Portuguesa na UE apresentar lindos projectos de "resiliência" mas na prática nada se fazer.
É pois URGENTE fazer algo que se veja e oiça.
"Oponham-se também, já agora, a:
Eliminar. Fim dos 55 anos idade reforma.
. Fim Serviços Sociais para o próprio e agregado.
. Redução do período, em um mês, no qual o OJ possa marcar férias, sem requerimentos feridos de inconstitucionalidade.
. Ausência de subsídio de risco.
. Não integração do subsídio de recuperação.
. Não pagamento das muitas horas extraordinárias não consignadas, pois, ilegalmente, não se permite o seu registo.
. Esvaziamento de conteúdo funcional e entrega do mesmo a Agentes de Execução privados, que agora o desenvolvem fazendo-se bem remunerar pela execução do mesmo.
... e por aí fora..."
projectos de "resiliência" será mais um ANTRO DE CORRUPÇÃO E JUSTIÇA NADA FARÁ
ResponderEliminarE depois dos plenários, férias. Depois das férias não dá jeito pois tem que passar mais um mês para se começar a pensar.
ResponderEliminarVem então o Natal e começam-se a divulgar umas cartas com pedidos de reunião aos deputados.
Bolas, ainda não virão isto em todos os anos que se têm passado.r
Os nossos representantes sindicais não querem. Querer implica trabalho e eles têm outros locais mais vantajosos onde gastar o tempo, que não seja a tramitar processos ou a desenvolver uma actividade séria e comprometida de representantes sindicais.
Vejam a reunião que houve entra as duas estruturas, qual o resultado.
Uma cópia de um documento que já foi feito hà anos.
Esqueçam. Com estes dirigentes, suas vontades e forma de actuar, a tutela está sempre garantida e sabe be disso.,
Mais, veja-se a falta de discurso dos mesmos (penso que ambos formados em direito). Quando conseguem arranjar um tempito para falar em frente aos média, a sua linguagem versa sobre temas de direito, sobre tipos de processos que deveria haver, leis que deveriam ser aprovadas, etc. Para que não fiquem dúvidas da sua formação académica e muito saber. (isto mais o principal representante do SFJ.).
EliminarSe utilizarem uma linguagem mais direta sobre os verdadeiros problemas da classe, provavelmente, para o seu ego, já não resulta.
Temos que baralhar e dar de novo, ou nem daqui a DEZ ANOS.
... mas a "cagança" é um predicado há muito enraizado nos Tribunais...
EliminarMentalidades e saber estar.
Há de tudo.
Muito bem o SOJ está de Parabéns!!!
ResponderEliminarAc. Tribunal Constitucional 221/2021
ResponderEliminarMais um imbróglio!
Este Ministério da Justiça não para de nos surpreender!
E "cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas"!