Não, não tem havido muitas greves de facto mas muitas apenas faladas

      No ano passado (2020) o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) não convocou nenhuma greve. Nesse mesmo ano, o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) marcou uma greve de 3 dias, de 30SET a 02OUT, e uma greve para quase todo o ano (de 22JAN a 21DEZ) ao serviço fora das horas normais de expediente.


      Este ano (2021), o SOJ ampliou o meio de luta convocando uma greve de 5 dias, permitindo aos Oficiais de Justiça endurecer a luta, agora de uma forma mais longa e efetiva, como tantas vezes prometido.


      Assim, constatamos como as greves têm sido marcadas de forma muito comedida, havendo até uma estrutura sindical que optou por não marcar nenhuma greve.


      Esta nova greve não é, pois, mais uma greve, é, antes, uma, ou a maior, Greve Geral de Todos os Oficiais de Justiça dos últimos anos.


      É necessário que os Oficiais de Justiça tenham noção que o esforço tem que ser feito em face do desleixo e do desprezo a que a carreira está votada.


      Não vamos aqui voltar a elencar todos os aspetos essenciais que têm sido menosprezados e espezinhados pelo Governo, também não vamos voltar a fazer diagnósticos da situação.


      Todas as análises e todos os diagnósticos, a par de todos os prazos e de todos os incumprimentos, tudo está já sobejamente esclarecido, não só aqui nos nossos artigos diários, como em todas as informações sindicais.


      Então o que falta agora? Falta precisamente o escrupuloso cumprimento de todos e cada um dos cinco dias da Greve Geral de Todos os Oficiais de Justiça.


      Claro que o esforço é enorme apenas sendo atenuado porque se refletirá no vencimento de junho, aquando do recebimento do subsídio de férias.


      Esta oportunidade tem que ser aproveitada por todos os trabalhadores humilhados e ainda por aqueles que, embora não se sintam de tal forma, devem ser solidários com os seus colegas.


      Este momento constitui-se como um momento de agir e não como mais um momento de pensar sobre o que é que se deveria fazer ou se o Governo cumpre ou não cumpre a palavra ou a lei ou seja lá o que for. Todos estes aspetos estão já mais do que claros e os prazos perfeitamente ultrapassados, pelo que já só resta realmente a ação e, nesta, a oportunidade que todos têm agora de demonstrar que não estão anestesiados mas despertos, ativos e, antes de mais, decididos.


Decidida+Folha=EAgora.jpg


      A Greve Geral de Todos os Oficiais de Justiça começa no próximo dia 12ABR-SEG e termina no dia 16ABR-SEX.


      Esta não é uma greve para os que ganham menos, estão deslocados de casa, não conseguem ser promovidos, nem transferidos ou destacados, isto é, uma greve apenas para os mais prejudicados. Esta greve é também para os acomodados, para os que auferem maiores vencimentos, para os que conseguiram ser promovidos e estar perto de casa, e porquê? Porque também estes, sem o saberem ou sentirem, também estes estão também a ser prejudicados porque poderiam estar ainda mais confortáveis e rodeados de colegas satisfeitos.


Greve-Carregando=Faltam4dias.jpg

Comentários

  1. Anónimo7/4/21 11:35

    Infelizmente não me parece que esta greve tenha qualquer utilidade e a adesão deverá ser bastante reduzida. Num Estado em que o estado das coisas leva a que democracia todos os dias seja colocada em causa, a greve não provocará qualquer dano visível que não ser a perda de mais dinheiro pelos o.j. A profissão mudou, hoje em dia é impossível juntar um elevado número de oficiais de justiça com um propósito comum relativo à profissão, como existia no fim do século passado. Infelizmente nessa altura o futuro da profissão não foi pensado, e a partir dessa altura andou-se a reboque da cenoura da integração do suplemento e pouco mais. Por outro lado, as actuais contingências de trabalho do o.j. nomeadamente com a gestão do teletrabalho, permitem que muitos não se desloquem e que tenham assim aquele "tempinho" para tratar dos assuntos que, noutras circunstancias, as greves permitiam. Pouca utilidade, fraca adesão.

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  2. Continuo a dizer que não somos uma classe unida e não fazemos mossa nem sequer cócegas ao governo... Mas este dano que estão a provocar à carreira vai se repercutir nos próximos 20/30 anos... Os que podem saltam fora para melhor, e normalmente são quem tem mais habilitações... Quem não pode está desmotivado e sem vontade de alterar o que quer que seja... Caminhamos para o precipício...

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    1. Anónimo7/4/21 13:19

      Sem dúvida.

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    2. Anónimo7/4/21 18:33

      Vamos lá. Não se deixem abater. Não há mal que sempre dure, nem bonança que nunca acabe.

      Só se vive uma vez.

      E a vida não é só materialismo, também é civismo.

      Pré Aviso Greve Aleatória, já.

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  3. Anónimo7/4/21 18:06

    Não deixa de ser curioso que os discursos de protesto assentem quase sempre na falta de unidade da profissão. O discurso (zinho) dos lambe-botas, dos fura-greves e outros que tais como sendo o principal problema da profissão, levaram a que questões laterais e comuns a todas as profissões, tenham absorvido e continuem a absorver o "pensar" sobre a profissão. Questões efectivamente fracturantes, como por exemplo a questão da saída das execuções dos tribunais (que continua agora com aquelas relativas ao apoio judiciário), pouco dizem à maioria dos oficiais de justiça. Os próprios sindicatos têm outras agendas. Na altura todos os esforços deveriam ter sido feitos para a equiparação da profissão à dos solicitadores, com cisão se necessário da própria carreira. Não estaria agora a profissão a adivinhar o desastre que se anuncia e que, de certo modo, se verifica já todos os dias nas secretarias. Basta falar com um qualquer delegado sindical para perceber duas coisas, que está a tentar fazer a sua carreira sindical, uma vez que a outra se eclipsou, e que as suas ideias sobre a profissão se resumem à reforma e aos aumentos salariais. A perda de competências da profissão que continua face à "nova justiça" parece não incomodar ninguém, aliás, parece que ninguém dá por isso, tal a apatia que se sente. É mais fácil dizer que não existe união e que a culpa é sempre dos outros.

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    1. Anónimo7/4/21 18:46

      Muito bem.

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    2. Anónimo7/4/21 18:49

      Passos Coelho concretizou a maior privatização e encarecimento da Justiça de que há memória, a reboque de uma falácia da poupança de meios do Estado, entenda-se, não pagamento, não promovendo e desconsiderando os OJ.

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    3. Anónimo7/4/21 19:18

      Para a Assembleia da República é que nunca faltam meios de primeira.

      Ah! Mas os políticos não são funcionários públicos.

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    4. Anónimo8/4/21 12:20

      Parabéns. Dos comentários mais lúcidos, pertinentes e densificados que já vi. Na mouche. A questão do progressivo mas inexorável esvaziamento de competências é a central na nossa carreira. Quererem que os OF sejam pagos como OF quando cada vez mais se comportam e tem competências de meros administrativos... ( com todo o respeito pela dignidade das funções e competências dos admnistrativos).

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    5. Anónimo8/4/21 14:58

      Ora aí está. A atitude, em muitos, não é de Oficial de Justiça.

      Existe um não saber estar generalizado.

      O tu cá, tu lá.
      A falta de reserva quanto a companheiros de profissão.
      A contante tentativa de ingerência na vida alheia.
      Os constantes discursos subliminares, cheios de nada, mas fonenstos para a honra dos visados.

      Muito bem observado. É uma questão de berço, não de ouro e presunçoso, mas educacional.

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  4. Anónimo7/4/21 19:25

    Maior desconsideração do que esta a nunca antes tinha sido vista!

    Discriminação social, em matéria de estatutos e no direito de proteção à saúde.

    Colocaram-nos em último lugar na lista de espera.

    Estatutos revistos para as Magistraturas (com aumentos salariais e subsídios nunca antes visto) e vacinação prioritária.

    Nem Passos Coelho se atreveu a tanto num momento difícil para o país (sacrifícios para todos sem discriminação).

    Vieram tempos de bonança e fomos discriminados e relegados para o fim.

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    1. Anónimo7/4/21 20:28

      As hostilidades foram abertas pelo Sr. Sócrates Pinto de Sousa.

      Disse em audiência parlamentar: "... o que têm de especial os Oficiais de Justiça para..."

      A estucada final, essa, foi do Sr. Passos Coelho, mais concretamente da estranha Ministra "von Hafe".


      Faria melhor?

      Obviamente faria diferente.

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  5. Anónimo7/4/21 20:39

    Quando eu não quero que uma bicicleta ande, não querendo ser óbvio na minha vontade, o que faço?

    Vou tirando ar aos pneus e uns raios às rodas.

    Moral da história?

    O que pretendo atingir com o seu não andamento?


    Pensem.

    P. s.

    Venha um Macedo para a justiça, à semelhança do das finanças.


    Até lá, Autos de escriba, como há 40 anos. Notificações mal paradas por falta de testemunhas, devido a legislação arcaica, mas conveniente à injustiça Penhora de tarecos, permitindo a dissipação do valoroso. Custo absurdo para recorrer à Justiça. Dúbias condições para benefício de apoios judiciários. Entre outros.

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  6. Anónimo7/4/21 21:19

    Comunicado do SFJ:

    "Encontra-se decretada pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) uma greve que decorrerá entre 12 e 16 de Abril em protesto contra” o não pagamento de horas suplementares”  e o “ trabalho forçado/escravo”. 

    As lutas dos oficiais de justiça são justas e justificadas em face do comportamento do MJ, pelo que todos devem lutar e aderir à greve"

    Parabéns a António Marçal e a todos os corpos sociais do SFJ por esta tomada de posição.

    Somos todos Oficiais de Justiça e independente das filiações ou convicções partidárias chegou a hora de por termo a esta política discriminatória do Ministério da Justiça!


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    1. Anónimo7/4/21 23:11

      Será que estamos a assistir a uma verdadeira viragem!

      Se sim, é de louvar.

      P. s.

      Pré Aviso de Greve Aleatória, já.

      Fonestas consequências, perdas minimas.

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    2. Anónimo8/4/21 00:20

      Pena é andar uma dirigente do SFJ Lisboa, acompanhada de um delegado sindical, hoje, no campus da justiça, a transmitir que a greve é do SOJ, mas que quem quiser pode aderir... lógico, quem quer pode aderir... Seguramente haverá mais palestras nos próximos dias.

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    3. Anónimo8/4/21 09:40

      eheheh tudo dito quanto a posturas!

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    4. Anónimo8/4/21 12:26

      Colega, é um afortunado. Aqui, a delegada sindical nem muge, nem tuge... Enfim, nada de novo. Parece que o pessoal do sindicato só existe para terem faltas justificadas, passei..., perdão, deslocações e estadias em "congressos" (nos quais já tudo já está decidido à partida). Chegada a altura de se falar abertamente sobre o bafio, a poeira, a cristalização dos sindicatos, nomeadamente, do mais representativo?

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    5. Anónimo9/4/21 09:26

      ehehe! nem muge nem tuge! tudo dito!

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