“Que se passa com a nossa classe?”
Cumpre-se hoje o 4º dia de greve, dos cinco disponibilizados pelo SOJ aos Oficiais de Justiça para poderem manifestar o seu descontentamento perante o estado lastimoso em que se encontra a carreira.
Todos os dias os nossos artigos são comentados por muitos Oficiais de Justiça que expõem os seus pontos de vista em relação aos artigos publicados e aos assuntos da atualidade.
Antes de ontem, 13ABR, no artigo intitulado “O 2º Dia: a Intranquilidade”, surgiu um comentário anónimo, às 22:57 desse mesmo dia, o qual queremos aqui hoje destacar, não em desprimor de tantos outros comentários, alguns espetaculares e que muito contribuem para o esclarecimento e conhecimento de tantos aspetos, mas queremos destacar este em concreto pela sua perniciosidade em relação à greve em curso, constituindo-se também ele um contributo muito relevante.
Diz assim o comentador:
«Que se passa com a nossa classe?
Está verdadeiramente enferma. É um triste espetáculo. A gladiarem-se uns com os outros quando deviam estar a lutar pelos seus direitos. Aqueles direitos que já eram/são nossos, mas que nos estão a tirar e irão continuar a tirar, pois são poucos a lutar por eles.
Não interessa quem marcou ou deixou de marcar a greve, o que interessa é marcar e frisar bem alto o descontentamento com o tratamento que a tutela e o/os Governo(s) têm votado esta classe.
Falam, falam, falam, mas não fazem Greve. Escudam-se uns nos outros para não fazer greve. Inventam ninharias e outros assuntos que não dizem respeito à classe, para se desculparem para não fazer Greve.
Estão envergonhados com a palavra "escravatura"? Querem embelezá-la com flores? Para não parecer mal? Afinal o que querem chamar às milhares de horas que foram dadas pelos colegas e que continuam, sem que lhes seja dada qualquer compensação? E como se não bastasse, ficam ainda impedidos de estar/acompanhar a sua família.
Só não compreende isto quem tem a sorte de estar num Tribunal/Serviço que pelos mais variados motivos, não precisa de prestar estas horas extraordinárias e que não sofre a obrigação própria do serviço onde trabalha (tal como os JIC) ou até imposição velada para as fazer.
E as nomeações oficiosas e toda esta mobilidade em que se tem que deslocar para tribunais bem distantes de suas residências, onde é extremamente difícil manter duas casas, pagar colégios, infantários e até alimentação. Só não entende tudo isto quem não passa/passou por elas.
Como já disse "Falam, falam, falam e não fazem nada/Greve". Só sabem reclamar e ficar à espera que as coisas lhes caiam do Céu.
Afinal são os dois sindicatos que apoiam a greve. Não era também isso que estavam sempre a dizer? Que era preciso que os dois sindicatos lutassem juntos? O que mais querem afinal?
Querem que as outras classes lutem pelo que é nosso? Mas eles estão bem, pois têm recebido mais do que nós, ou pelo menos não lhes têm tirado tanto quanto a nós.
Sejam auxiliares, adjuntos ou chefes de secção, deixem de se gladiarem, respeitem o trabalho uns dos outros, pois todas as categorias são importantes para o serviço que prestamos a toda a comunidade.
Todos se queixam que estão prejudicados, que já deviam estar noutro escalão, mas quando chega a hora de se fazerem ouvir, ficam muito caladinhos a trabalhar. A dizerem que não é o momento certo.
Afinal quando é o momento certo? Daqui a 5, 10, 20 anos? Quando já for demasiado tarde?
Lutem pelo que é vosso. É duro ver o nosso salário reduzido, mas nada se consegue sem lutar.»
Fontes: “Artigo DDOJ de 13ABR” e “Comentário reproduzido”

Infelizmente é a triste realidade. Mas está realidade advém muito da falta de liderança e acutilância sindical.
ResponderEliminarLíderes, sindicais ou não, amorfos, não geram sibergias.
Queria dizer sinergias
EliminarMuito bem !!!
ResponderEliminarÉ a velha historia:
ResponderEliminar"Grevistas?? Era enforcá-los a todos", dizem alguns (já ouvi isto, não estou a brincar).
Mas se não lutam e não fazem greve...é porque não lutam e não fazem greve !!!
Muito bom comentário de quem se apercebe das clivagens entre sindicatos, provocadas muitas vezes por "cães de fila" e "atiradores" entendidos em ódio a destilar em redes sociais e pouco mais.
A própria união, mesmo que ocasional - entre sindicatos -incomoda essa gente. Na guerra sobressaem, no entendimiento, ninguém dá por eles, por nada terem de válido para dar. A escaramuça e o lodo são o seu ambiente natural.
Os sindicatos querem brilhar à custa do "parolo".
ResponderEliminarBlá Blá blá, trabalhem pois exite muita gente que quer trabalhar e não tem trabalho, e muitos são nossos filhos.
Fantástico.. É isso mesmo, falam, falam e no fim não fazem greve, continuam a prestar vassalagem
ResponderEliminar"... deixem de se gladiarem, respeitem o trabalho uns dos outros, pois todas as categorias são importantes para o serviço que prestamos a toda a comunidade."
ResponderEliminarUma vez mais, e bem, apontado o cerne da questão.
Quem nos divide?
A Tutela.
A ausência de promoções provocam, maugrado, a constante "invasão funcional" não remunerada.
Assim, E. Auxiliares, ilegalmente, a substituirem E. Direito sem a competente, por ilegalidade, impossivel autorização da Tutela. E. Auxiliares a desenvolverem, sob os mais diversificados pretextos, as tarefas dos E. Adjuntos em falta. E secções existem onde não há E. Adjuntos.
Portanto, muito dinheirinho está o MJ a poupar ao erário público. Pena é que tal não suceda com Novos Bancos e companhia. Mas, não fosse este o nosso Portugal e não estaríamos em Greve, teríamos o que nos é devido em consequência do muito que damos.
Greve, já.
Factos são factos, por muito que custe.
EliminarPois. Entenda-se que "E. Direito" são chefes de secção. A serem substituídos por "Auxiliares"!
EliminarNossa Senhora!!!
Eh pá, façam greve canudo.
Blog do Oficial de Justiça tudo neste artigo está correto excepto a parte em que diz que os dois sindicatos estão juntos e unidos, pois mais uma vez o SFJ anuncia publicamente que apoia a greve do SOJ e depois tem um dirigente que anda literalmente a desmobilizar os colegas para que não as façam! Deitem os olhinhos ao que se passa na Madeira pois já é hora e está a tomar proporções vergonhosas!!!!!!!!!!!
ResponderEliminarO que eu noto é que o SFJ se encontra em apatia total. Só anda a reboque das iniciativas do SOJ, mas previamente, tenta denegri-las e diminui-las.
EliminarDada a dimensão do SFJ, deveria haver um plano de luta, mas assiste-se a tomada de iniciativas adoc, sem planeamento.
Toma-se uma iniciativa hoje outra daqui por 15 dias etc.
E triste ver pessoas que, publicamente se apresentaram para uma coisa, com promessas de acção e depois nada do que prometeram
Primeira culpada a tutela e depois os que deixam a tutela agir como age
Escrivães de direito a serem substituídos por auxiliares?!
ResponderEliminarComo assim?!
Não acredito ...
Dê uma voltinha pelo Norte do país, durante a suspensão de prazos de Verão e não só, e constatará a verdade dos factos.
EliminarNo SFJ houve uma sucessão dinástica, saiu o FJ e entrou o seu delfim...
ResponderEliminarNada mudou e dizer:
"Encontra-se decretada pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) uma greve que decorrerá entre 12 e 16 de Abril em protesto contra” o não pagamento de horas suplementares” e o “ trabalho forçado/escravo”.
As lutas dos oficiais de justiça são justas e justificadas em face do comportamento do MJ, pelo que todos devem lutar e aderir à greve."
Não é um verdeiro apelo. É apenas um proforma.
Parafraseando um outro comentário muito aqui reproduzido: "Os auxiliares que façam greve, pois são eles os mais afetados." Perante tais comentários que não mais são do que uma reprodução do que muitos pensam, apenas digo: temos o governo, a direcção geral, o coj, os sindicatos, os colegas e o trabalho que merecemos.
ResponderEliminarEsqueci-me de referir: teremos o estatuto que merecemos
EliminarNunca tal ouvi em imensos anos de greves e de tribunais, nem é essa a percepção que tenho da grande maioria dos colegas. Sabe, às vezes temos tendência a ouvir-nos e a achar que estamos a ouvir os outros.
EliminarSou do tempo, em que ainda era sindicalizado, que o sindicato marcava as greves com a antecedência devida de modo a haver tempo para haver reuniões nos tribunais, geralmente no final do período de trabalho, em que falávamos e ouvíamos e depois, devidamente unidos tínhamos greveves de 90 por cento de adesão.
ResponderEliminarFoi assim que conseguimos os dez por cento e três aumentos interpolados que valorizou o vencimento em cerca de 5 por cento.
Eram estratégias pensadas, devidamente planeadas e realizadas devidamente
Que saudade.
bem dito! porque não fazem sessões de esclarecimento presencial nos tribunais, sem ser para eleições, claro!!??
EliminarInspecção
ResponderEliminar"Com efeito, o Conselho de Oficiais de Justiça, considerando as significativas alterações introduzidas na gestão das comarcas, pela Lei de Organização do Sistema Judiciário (Lei n.º 62/2013, de 26 de agosto), regulamentada pelo Regime Aplicável à Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais pelo Decreto-Lei n.º 49/2014, de 27 de março e o número significativo de oficiais de justiça que não tem o seu mérito avaliado com a periodicidade legalmente previstas, aprovou um novo regulamento para as inspeções dos oficiais de justiça, impondo, entre outras, uma mudança de paradigma no que respeita:
· Ao método da realização das inspeções ordinárias, passando as mesmas a incidir sobre o oficial de justiça e não sobre a secretaria judicial.
O regulamento entra em vigor no dia 14 de abril de 2021".
Outdoors em frente ao Palácio de Belém, Tribunal Constitucional e Provedoria de Justiça, já.
ResponderEliminarEm defesa dos princípios da legalidade, igualdade e da proporcionalidade!...
Mais uma vez, o esforço e sacrifício dos poucos que aderiram a esta greve apenas serviu para penalizar os mesmos... A nossa luta não teve qualquer visibilidade na comunicação social. Assim, de muito pouco vale o esforço...😡
ResponderEliminarEra previsível. O discurso da escravidão é completamente idiota e não é perceptível nem pelo cidadão comum, nem por quem está no comando, muito menos pela maioria dos oficiais de justiça que não se sentem, de modo algum, escravizados. A grande maioria dos oficiais de justiça, actualmente, cumpre o horário de trabalho. Alguns nem isso, outros mais que isso. A carreira acabou quando se extinguiram lugares de chefia e na altura quantas greves se fizeram por isso? Nenhuma!
EliminarDever cívico cumprido, consciência tranquila.
EliminarMenos dinheiro no bolso? Sim.
Integridade, total.
Muito nos é devido pelo que demos, damos e teremos de continuar a dar, sem ressarcimento, representando a "Justiça" que nem sempre existe, mas à qual nada devemos.