“Detidos têm direito a jantar e nós nem isso”

      O Jornal da Madeira publicava esta semana um artigo, a propósito do Plenário de Oficiais de Justiça realizado no Funchal, artigo esse que se intitula: “Oficiais de Justiça dizem que “detidos têm direito a jantar e nós nem isso”.


      Vamos a seguir reproduzir esse artigo.


      «António Albuquerque lembra que podem ouvir um detido “até às tantas da manhã, ele tem direito a jantar e nós não, nem tão pouco horas extraordinárias”, para exemplificar um estatuto que está caduco e não é revisto há “mais de 20 anos”.


      Decorre ao longo da manhã desta quarta-feira uma manifestação, junto ao Palácio da Justiça no Funchal, promovida pelos Funcionários Judiciais, em que os Oficiais da Justiça, e demais funcionários da justiça a desempenhar funções na Região acompanham o que se passa hoje no todo nacional.


      Pedem um estatuto profissional que contemple vínculo de nomeação, grau de complexidade funcional nível 3 para todos os atuais Oficiais de Justiça, regime de aposentação específico e titularidade dos lugares de chefia.


      É reivindicada ainda a regularização da progressão da carreira com preenchimento das vagas existentes.


      Os principais responsáveis exaltam que o Governo da República não cumpriu nos últimos dois anos com aquilo que foi determinado na Assembleia da república relativamente aos Oficiais de Justiça.


      A manifestação é considerada, pelos seus integrantes, também como um ‘grito de alerta’ para o estado em que se encontram os Tribunais e o Ministério Público, em que os Oficiais de Justiça, face à desconsideração e destratamento que consideram que são alvo por parte do Governo, “têm sido sujeitos a um verdadeiro trabalho de escravo, colocando em causa o bom funcionamento do sistema de justiça”, conforme clamam os seus mentores.


      Lília Sousa, secretária regional da Madeira do Sindicato dos Funcionários Judiciais diz que “estes dois últimos governos tinham se comprometido a rever o nosso estatuto até 31 de julho do ano passado e nada foi revisto. A lei não está a ser cumprida e nós exigimos um estatuto digno da nossa carreira”.


      Na Madeira, serão cerca de “160 os Oficiais de Justiça”, com Lília Sousa a perspetivar uma adesão de “cerca de 90%”. Disse ainda que “os serviços de natureza urgente e essenciais estão assegurados” porque “como se trata de um plenário, não podemos fechar as secções”.


      No futuro imediato, “temos um aviso prévio de greve a partir do dia 17 de maio, com uma greve de uma hora por dia durante um mês, entre as 10h00 e as 11h00”.


      António Albuquerque é o secretário nacional do Sindicato dos Funcionários Judiciais, estando atualmente colocado na Madeira. “O nosso estatuto não é revisto há mais de 20 anos. Tínhamos algumas compensações por todo o tempo que trabalhamos a mais e que não é pago. Todas as horas que trabalhamos a mais nos tribunais, não são pagas”, conforme garante.


      “Podemos estar aqui até às tantas da manhã, a ouvir um arguido, um detido, e não recebemos um tostão por isso. O arguido, e bem, tem direito ao jantar e nós nem a isso temos direito. Nem subsídio de jantar, nem horas extraordinárias”, atesta António Albuquerque a título de exemplo das condições oferecidas a esta classe profissional.»


PlenarioSFJ20210512-Funchal.jpg


      Fonte: “Jornal da Madeira”.

Comentários

  1. Estamos em guerra . Usemos todas as armas ao mesmo tempo. Não há direito a tréguas. O tempo da conversa já acabou . Vamos atingi-los onde for possível. Greve, várias greves, manifestações, outdodrs, artigos de opinião, tempo de antena, tempos pagos, publicidade paga, conferências de imprensa no guincho, providências cautelares, ações, aqui, na eurooa, onde for possível, canhões, fisgas,... Tudo e mais alguma coisa, guerra, guerrilha, o que for e que puder ser.
    ..

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    Respostas
    1. Greves, greves totaiis, parciais, de zelo. Está é muito importante decreta-la., Em geve de zelo, após uma diligência, o funcionário regressa a secretaria e faz a acta, demorando o resto do dia. Ninguém tem de fazer actas por apontamento temos o zelo de bem fazer e o não zelo de fazer muito ao mesmo tempo.
      Decretem guerra ao ministério, caraco.
      Ou vai ou racha e rachados com porrada estamos todos nós.



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    2. Aos colegas, geralmente auxiliares, que estão às diligências. Façam a geve de uma hora, parem às diligências, lutem, por vós, como eu quando tinha as mesmas tarefas fazia e ainda hoje faço. Não se esqueçam quando menos rsperam os heróis são os primeiros a levar um pontapé no cu. E ninguém e imprescindível, embora vós queiram fazer pensar o contrário. Quando fores para outra comarca o serviço onde estais não vai parar. Não há ninguém insubstituível. Pensão nisso. Greve, por vós, por vós, por vós. Por todos.

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    3. Só sois bons, há vista de algumas mentes supremas que vós querem fazer sentir especiais, enquanto não levantardes ondas e ajudeis nas boas notas que lhe vão sendo atribuídas Quando tal não acontecer depressa sois esquecidos, com um biqueiro no dito cujo.
      Greve já.. Lutai por vos.

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    4. Aos colegas auxiliares e a todos os outros das outras categorias.

      Façam greve, quer estejam em trabalho presencial, quer estejam teletrabalho.

      Vamos estar unidos nesta luta que é nossa e sobretudo porque é justa!

      Um grito de revolta contra a discriminação social.

      Os servos reclamam autodeterminação, porque também têm família e direito a gerir, de forma livre e autónoma, os seus periodos de tempo de descanso, fora do horário normal de serviço.

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    5. Verdadinha!

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    6. Pirai-de-vos. Iniciai procedimentos de concurso para outras paragens, pois ao Ministério da Justiça nada deveis para trabalhardes de borla.

      Não alimenteis mais os nababos do Judiciário.

      Ide, ide, ide, enquanto sois novos!

      Caso contrário ireis ser engolidos pela máquina da incompetência organizacional e depois quando vos olhardes ao espelho, aos 60, já será tarde.

      Sejam felizes.

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