O Necessário Agradecimento a Otelo

      Independentemente das qualidades humanas, das atitudes, das convicções e mesmo das muitas ações e das avaliações que se podem fazer de qualquer pessoa que, como todos nós, tem as suas virtudes e os seus defeitos e comete erros, por ser próprio da natureza humana, há que avaliar se na vida dessa pessoa, a mesma levou a cabo algo que, apesar de a colocar em risco, beneficiou ou contribuiu para o benefício de todos os portugueses.


      E foi isso mesmo que Otelo fez, libertando do jugo ditatorial todos os portugueses, sem que dessa ação retirasse benefício pessoal particular mas um benefício coletivo para todos os portugueses e, quanto a isto, quanto a este facto concreto e incontornável, todos os portugueses têm para com ele uma enorme dívida de gratidão.


      Portanto, temos que estar agradecidos a Otelo Saraiva de Carvalho, bem como a todos os demais que participaram na revolução; no arriscado golpe de Estado, por ter corrido tão bem e por hoje termos a vida que temos que, apesar de não ser a melhor do Mundo, não deixa de ser muito melhor do que aquela que os portugueses tinham antes do 25 de Abril de 1974. E isto é inquestionável, o que já não acontece quanto ao demais.


      Por isso, hoje, aqui estamos a fazer esta pequena e justa homenagem, pela ação de libertação do Povo Português e tão-só por isso, nada mais.


      Muito obrigado Otelo pela ação libertadora do 25 de Abril de 1974, para a qual sempre teremos que estar agradecidos.


Otelo+Zeca.jpg


      Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.


      Em síntese, a vida de Otelo pode resumir-se assim:


      «Nascido em 31 de agosto de 1936 em Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique, Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho teve uma carreira militar desde os anos 1960 e fez uma comissão durante a guerra colonial na Guiné-Bissau, onde se cruzou com o general António de Spínola, até ao pós 25 de Abril de 1974.


      No Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou 48 anos de ditadura, foi ele o encarregado de elaborar o plano de operações militares e, daí, ser conhecido como “estratega do 25 de abril”.


      Depois do 25 de abril, foi comandante do COPCON, o Comando Operacional do Continente, durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), surgindo associado à chamada esquerda militar, mais radical, e foi candidato presidencial em 1976.


      Na década de 1980, o seu nome surge associado às Forças Populares 25 de Abril (FP-25), organização armada responsável por dezenas de atentados e 15 mortos, tendo sido condenado, em 1986, a 15 anos de prisão por associação terrorista. Em 1991, recebeu um indulto, tendo sido amnistiado cinco anos depois, uma decisão que levantou muita polémica na altura.


      É esta a vida que leva a tantas opiniões e mesmo paixões divergentes, dos que salientam o homem que foi estratega da revolução que instaurou uma democracia liberal em Portugal e os que condenam o homem pelo período pós-revolucionário e que teve sempre o nome associado ao movimento terrorista das FP-25.


      Como é que um país se despede de uma figura como Otelo? Como é que se celebra um homem que derrubou um regime ditatorial ao mesmo tempo que se condena a sua ligação ao movimento terrorista pós Abril?


      O tempo cura tudo, mas nunca curou a imagem de Otelo. Nunca o glorificou ou condenou por inteiro. Hoje, no dia da sua morte, não podia ser diferente.»


      Declarará o Governo algum dia de luto pela morte do libertador de Abril? À hora de escrita deste artigo (primeira hora da manhã de 26JUL), ao contrário de outros falecimentos para os quais prontamente anunciou dias de luto nacional, desta vez o Governo mantém-se silencioso, o que é muito mau. O caso Otelo é agora um caso encerrado, o que fez, fez; o que não fez já não o fará. Que foi uma das peças fundamentais para a libertação do país, não há dúvida nenhuma. Se o Governo não declarar luto nacional por este elemento da Revolução de Abril não poderá jamais declarar pelos restantes, pois tal seria agir com uma justiça dupla, sem igualdade, pois para uns seria de uma maneira e para outros de outra.


      Questão central: libertou Portugal? Sim! Então aja-se em conformidade, por tal facto que, por si só, é tão grandioso que merece o eterno agradecimento de todos os portugueses.


Otelo-Mural.jpg


      Fontes: “Sapo24” e “Público”.

Comentários

  1. Controverso de facto! as FP25 de Abril talvez devessem atuar agora contra os corruptos, banqueiros e outros do género que têm delapidado o fruto do suor de quem trabalha honestamente e tem que pagar com a carga brutal de impostos todos esses roubos impunes de colarinho branco, levando assim a que mesmo quem trabalhe não consiga ter uma vida digna

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    1. O ex DDT não pode ir a Tribunal devido à covid.
      Foi de férias para a Sardenha onde há suites a 27 mil euros/dia!
      Palavras para quê?

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  2. OSCAR, até sempre camarada...

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  3. Diario da Republica de hoje:

    Despacho n.º 7384/2021

    Sumário: Autoriza que o Centro de Estudos Judiciários proceda à abertura de um concurso de ingresso para preenchimento de 125 lugares de auditores/as de justiça.

    Oficiais de Justiça ZERO!

    O dever de permanência resolve, com o prolongamento da jornada de trabalho!...

    Não passamos disto!...

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    1. O Ministério da Magistraturas.

      Promoções, movimentos para todas as vagas, ingressos anuais e manutenção da idade da jubilação ou reforma!...

      Oficiais de Justiça, promoções zero, movimentos mínimos, ingressos zero, aumento da idade da reforma.

      O dever de permanência vai resolvendo nem que seja de bengala ou de andarilho!....

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    2. SINDICATOS DIZEM QUE LUTAM POR PROMOÇÕES A ADJUNTO PORQUE E NADA! FODDDDDDDDDDDD

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    3. O dever de permanência extingue-se com o direito à greve, a qual, estando em vigor, é para se fazer, sem qualquer perda, das 12.30h às 13.30h e a partir das 17h!

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  4. SINDICATOS DIZEM QUE LUTAM POR PROMOÇÕES A ADJUNTO PORQUE E NADA! ONDE??QUANDO??

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  5. Só lhe faltou cumprir 17 de pena de prisão! Só.

    Onde param os dois milhões de contos de um infame assalto bancário em seu tempo ocorrido?


    Heróis, com pés de barro há muitos.



    Viva Humberto Delgado!

    Viva Ramalho Ianes!



    Viva Portugal!

    E paciência para os portugueses para aturarem 47 anos do mesmo, onde "os pides" só mudaram de métodos e andam dispersos e a liberdade de expressão não tem eco, é vazia de poder.

    P. s.

    Mas, também os há piratas de mar alto, hoje grandes proprietários em terras do Alentejo.

    O 25 de Abril, desgraças de uns, oportunidades de outros.

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    1. Vê-se bem camarada...de profissão, claro, não partidário, que isso é irrelevante...que falas do que não sabes e não sanes do que falas! Sabes lá tu o que foi essa tenebrosa organização que foi a PIDE e seus carrascos que faziam parte dela, isto sem esquecer os tenebrosos "bufos" que acusavam quem queria e como queriam!
      Lê alguns livros de história dessa época, acede a alguns ficheiros que faziam parte da PIDE e vais ver do que estamos a falar!
      Que o mundo atual português não seja propriamente muito edificante, concordo, mas quando é que estivemos com esse elam? Quando grandes eventos se organizam em Portugal ou quando vamos jogar a bola em que partimos para os eventos sempre com a marca de favoritos e depois é o que se tem visto, com exceção do europeu de França!

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    2. Caríssimo,

      É a atalho de uma extinta PIDE que tem a sociedade presente. Mas os bufos subsistem, assim como a pide das redes sociais limitadoras da liberdade de opinião.

      Parabéns pela eloquência, mas temos fontes distintas e conclusões distintas sobre o assunto "Otelo", "Oscar", "Senhor X", "Capuz 7", "Assassino condenado", como lhe queira chamar.

      Ou seja, caríssimo, sempre terá sido um mal menor!

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    3. Tenha juízo!

      "Otelo é responsável pelo assassínio de 15 portugueses: 15, XV, quinze
      Não é uma questão de opinião. É uma questão de facto que não permite dúvidas morais: Otelo foi o líder de uma organização terrorista perseguida pela PJ e condenada pelo nosso estado de direito em tribunal. Qualquer debate sobre Otelo não pode fingir que ele não é responsável ou co-responsável por 15 mortes violentas... "

      in Expresso

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