As respostas da DGAJ sobre o Movimento e os muitos anos de espera
A DGAJ publicou na semana passada a lista definitiva dos movimentados no Movimento Ordinário deste ano.
De imediato houve um coro de protestos por parte de alguns Oficiais de Justiça que se pronunciaram aquando da divulgação do projeto, sem que tivessem obtido resposta.
De facto não era costume divulgar-se o resultado final de um Movimento sem que as pessoas que se pronunciaram e até solicitaram alterações ao projeto tivessem a sua resposta.
Realmente há pronúncias sobre o projeto que são mais desabafos e desesperos do que outra coisa qualquer e, por isso, talvez muitos considerem que até nem carecem de uma resposta, pelo desfasamento. Por mais tresloucadas que sejam essas pronúncias em audiência prévia, todas devem ser respondidas e respondidas atempadamente.
Os Oficiais de Justiça colocados longe dos seus domicílios, com despesas insustentáveis, desesperam e reagem de forma que às vezes é pouco lúcida, porque a situação em que se encontram, e a perspetiva de assim ficarem durante muitos mais anos, os leva a esse desespero que lhes tolda a razão.
Por tudo isto vamos tentar ser claros e esclarecedores para proporcionar algum sossego, uma vez que nas redes sociais, especialmente no Facebook, os comentários denotam uma grande exaltação e, consequentemente, grande falta de discernimento.
São factos:
-1- O Movimento Ordinário de 2021 ainda não foi publicado.
-2- A publicação do Movimento Ordinário ocorre com a publicação no Diário da República.
-3- A DGAJ informou que a publicação em Diário da República ocorrerá no dia 31AGO.
-4- A divulgação prévia a que assistimos no passado dia 18AGO é algo que não é devido mas que se tornou uma facilidade para permitir um pouco de antecipação e de preparação para as mudanças para os movimentados. É uma divulgação prévia mas não a publicação do Movimento. Esta divulgação prévia não existe, não está prevista em lado algum e não tem qualquer valor formal ou legal.
-5- A DGAJ enviará as respostas às pronúncias (pronúncias e não reclamações, embora assim denominadas muitas vezes) até ao momento formal que é o dia 31AGO, portanto durante esta semana e ainda alguns dias da próxima. Ao que apuramos será isso mesmo que vai suceder.
-6- A DGAJ está perfeitamente em tempo de responder a todas as pronúncias até ao dia da publicação em Diário da República do Movimento, pelo que não há nenhum atraso nem sequer ausência ou omissão nas respostas.
A impaciência dos Oficiais de Justiça deslocados é avassaladora, especialmente daqueles que se encontram deslocados entre as ilhas e o continente, que se veem privados de um contacto familiar mais periódico.
Durante toda a vida desta profissão, quase todos os Oficiais de justiça ficaram deslocados durante muitos anos, mesmo havendo três movimentos anuais ordinários. No entanto, nesse tempo, o vencimento de Oficial de Justiça chegava para as despesas, o que hoje não se verifica em face da ausência de atualizações, das progressões, das promoções e da aposentação; tudo congelado.
Para além de, no passado, ser financeiramente suportável a colocação longe da família, pelo valor que o vencimento então tinha, existia ainda outra significativa diferença: os deslocados eram praticamente todos do continente e podiam movimentar-se a cada fim de semana.
Desde que nas ilhas e especialmente na Madeira surgiu formação para ingresso nesta carreira, têm ingressado muitos mais indivíduos do que aqueles que podem ser absorvidos localmente, tornando-se, portanto, mão-de-obra no continente.
A Região Autónoma da Madeira tornou-se uma grande fornecedora de Oficiais de Justiça para o continente e estes aceitam a colocação com a esperança de regressar, no curto ou médio prazo, à sua Região e depositam uma enorme esperança nos Movimentos anuais.
Na realidade, os Movimentos anuais jamais conseguirão devolver à Madeira todos os Oficiais de Justiça colocados no continente a breve trecho; longe disso.
Caso não seja criado um regime diferenciado de aposentação dos Oficiais de Justiça que permita aos mais velhos deixarem a profissão, dando lugar aos mais novos, esses Oficiais de Justiça barafustarão ainda durante muitos e muitos mais anos pelo inconseguimento de qualquer movimentação a cada Movimento Ordinário ou Extraordinário.
E caso também não sejam repostos os lugares das diferentes categorias, com as necessárias promoções, esses mesmos Oficiais de Justiça continuarão retidos no continente durante muitos anos.
É esta a triste realidade: uma carreira encaixotada em tábuas pregadas, sem possibilidade de renovação, de expansão, de voltar a ser o que era; com pessoas aprisionadas, sufocadas, delirantes até, tal o desvario de que padecem. E é esta a gente que trata da Justiça em Portugal, neste estado de espírito.

Epa deixem-se de conversa fiada! A lista provisória foi divulgada, e irá sair em Diário da República sem qualquer alteração. A DGAJ não tem qualquer sensibilidade pelos seus funcionários. Já andamos há muitos anos longe de casa a penar com inúmeras despesas, longe da família, sem qualquer apoio, já não conseguimos chegar ao final do mês sem recorrer ao cartão de crédito.. com o aumento do preço das rendas e mais uma habitação para pagar é insustentável está situação enfim... apenas quem passa, e quem está longe é que sabe e sente! Ainda temos secretários que dizem !! "Epá concorreste para cá porque quiseste! "
ResponderEliminarCampismo judiciário para as grandes cidades era uma solução, na falta de uma alternativa mais digna, como de um subsidio para renda de casa!...
EliminarQuestionem os candidatos às autarquias se estão disponíveis para uma solução deste género, já que o Ministério da Justiça, com esta política arrisca-se brevemente a ter funcionários a viver em "bairros de lata"!...
Houve e há dinheiro para uns. Basta levantarem o dedo e aí vem mais um aumento.
ResponderEliminarE por isso mesmo é que não há para os outros.
Se se esticarem numa compra, já não há dinheiro para outras coisas, certo?
É exatamente o que se passa com o orçamento para a justiça.
É o que dá um ministério governado de e para uma única classe !!
E depois alguém tem de pagar pos isso. simples.
São magistrados a governarem-se e a governar magistrados numa amálgama de política indisfarçada, não se sabendo bem onde começam as funções de uns e acabam as de outros. Enquanto no exercício de cargos políticos, tratam de governar a classe, enquanto magistrados, gozam os aumentos obtidos.
Podem ter todos muito boas intenções e sorrisos para os restantes, mas quando podem, logo tratam de favorecer os seus.
Sempre.
E sempre.
Boas,
ResponderEliminarJá dizia Lampedusa "Algo tem que mudar para que tudo fique na mesma". Transposto para na nossa realidade "judiciaria", quer isto dizer que uns têm que ganhar menos para que outros possam ganhar mais.
Relembro com saudade um homem com H grande, um Comandante da PSP, que não fazia rusgas em determinados bairros problemáticos/pobres, por não querer lá encontrar os seus subordinados a "viver".
Não falta muito para quem faz penhoras passe pelo mesmo.
Duvido é da mesma sensibilidade de quem "manda".
Boas Férias,
João Nabais
Sou OJ, vivo agora em casa camarária após despedimento (covid19) da minha mulher.
EliminarUm filho que amo mais que a mim próprio.
Ganho 1054€/mês e aturo merdeiros e presunçosos mais de 9 horas por dia, desempenhando funções que são desconsiderado, mas sem as quais apregoam que a justiça não existe.
Chego a casa agarro na mota e das 19.30h às 01.00h faço Glovo.
Janto de 2a a Domingo, há já 3 anos, no fast food com o qual faço mais entregas, a título de compensação.
Nunca esquecerei a solidariedade de um companheiro perante um "merdas" (como me sinto) todo encharcado a entregar-lhe uma refeição.
Obrigado companheiro, nunca te esquecerei. Pagaste o triplo de gorjeta do que pagaste pela refeição. E o meu rapaz adorou os brinquedos.
P. S.
Claro que quase todos os meses penso numa corda a volta do pescoço e uma taboleta ao peito escrita a agradecer ao Estado as constantes alterações das "regras do jogo".
O sítio esse, uma janela do meu tribunal.
Força, companheiro. a tua vida vale muito mais do que a dos e das sacanas que te querem mandar abaixo !!!
EliminarTal como eu, fizeste más escolhas ao vir para isto.
Mas haverá, tarde ou cedo, mudanças.
Nem que seja mandares isto tudo a um sítio e seguires caminho por outro lado.
Sei de inúmeros casos de pessoal a trabalhar por fora e se fosse eu a mandar e ter que deferir esses pedidos, morria de vergonha por não cuidar de que esses funcionários não chegassem a esse ponto!!!
Grande abraço !!
O dever de permanência na secretaria é uma norma fascizante que devia envergonhar todos os defensores de um estado de direito democrático.
ResponderEliminarNão conheço, em toda a administração pública, uma norma de idêntica natureza!...
Nem nos estatutos de outras carreias especiais como a dos Órgãos de Polícia Criminal, onde existe sim, um dever de disponibilidade para o serviço.
O dever de permanência na secretaria, tem limitado, durante décadas, de forma abusiva, o direito à autodeterminação dos Oficiais de Justiça, a hora de almoço e depois das 17h00, a troco de nada!...
Porque será que as polícias têm o dever de disponibilidade para o serviço e os oficiais de justiça o dever de permanência na secretaria?...
Hoje, um Senhor Magistrado prolonga a diligência para a concluir porque no dia seguinte não tem nada agendado. Amanhã, um outro Senhor Magistrado procede de igual modo e assim sucessivamente durante o resto da semana.
O oficial de justiça que assiste às diligências é o mesmo e durante a semana foi submetido a uma carga horária inadmissivel, por imposição de um dever de permanência.
Os Senhores Magistrados têm o direito a gerir os seus tempos de trabalho e de descanso.
Os Oficiais de Justiça têm apenas o dever de permanência!
Estatutos da Policia Judiciária :
ResponderEliminarArtigo 28.º
Dever de disponibilidade
1 - Os trabalhadores das carreiras especiais devem manter permanente disponibilidade para o serviço.
Eststutos da PSP:
ResponderEliminarArtigo 12.º
Dever de disponibilidade
1 - Os polícias devem manter permanente disponibilidade para o serviço, ainda que com sacrifício dos interesses pessoais.