“O trabalho vai continuando a aparecer feito”
«Os Oficiais de Justiça do Tribunal de Vila Franca de Xira não têm mãos a medir para o volume de trabalho que diariamente lhes passa pelas secretárias e os processos só não se atrasam a um ponto de rutura graças a muitas horas de trabalho à borla que dão ao Estado. O alerta é deixado a “O Mirante” por Jorge Duarte, Oficial de Justiça naquele tribunal e delegado do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).
O Tribunal da cidade, velho e com poucas condições, que funciona em quatro locais diferentes – incluindo em Loures onde está de forma temporária há sete anos – tem 65 Oficiais de Justiça mas precisaria, no mínimo, de outros 15 para dar conta do recado.
“Temos muita falta de pessoal. O problema é que o trabalho vai continuando a aparecer feito e com isso vamos tirando do nosso tempo pessoal para permitir que os prazos sejam cumpridos. Estamos todos a dar o corpo às balas enquanto o Estado poupa dinheiro não colocando pessoal. É inadmissível”, lamenta Jorge Duarte.
Por todo o país o SFJ estima que, desde janeiro deste ano, estejam em falta 964 Oficiais de Justiça, em particular nas grandes áreas urbanas.
Os Oficiais de Justiça lutam por uma carreira mais digna, começando por atualizações à tabela remuneratória e passando por mudanças às funções que têm de desempenhar.
“Estamos perante uma situação muito grave. Todos os anos há colegas que se reformam e não entra ninguém para os render. O défice de trabalhadores está a tornar-se muito complicado”, alerta Duarte.
As más condições do Tribunal de Vila Franca de Xira não são novidade e agora, por falta de espaço, os trabalhadores tiveram de colocar uma secretária num corredor, frente à porta de entrada do tribunal, para poder receber as listas dos partidos candidatas às próximas eleições autárquicas.
Há quatro anos o município de Vila Franca de Xira anunciava a compra da antiga Escola da Armada para que nele fosse instalado, entre outros, o novo tribunal da cidade. No entanto, a obra pouco avançou nos últimos anos e quem trabalha no velho tribunal começa a perder a esperança de ver a mudança concretizada.
“Acreditámos que ia ser possível mudar este ano mas a verdade é que continuamos neste tribunal que não tem condições”, lembra Jorge Duarte.
O velho edifício tem sido alvo de obras que remendam os problemas mas não os eliminam totalmente.
“O edifício tem recebido obras de Santa Engrácia que não passam de remendos. Vieram arranjar o telhado mas continuamos a sofrer com infiltrações e tiveram de mudar novamente as madeiras do piso em redor dos contentores do pátio porque estavam a apodrecer”, lamenta.
Havia esperança que as autárquicas deste ano pudessem dar novo impulso à obra do novo tribunal mas tal não aconteceu. O Ministério da Justiça já tinha admitido que só em 2024, na melhor das hipóteses e se tudo decorrer de forma célere no Tribunal de Contas, é que o novo edifício ficará pronto e ao dispor da população. E só no final deste ano é que o projeto sairá da gaveta.»

Fonte: “O Mirante” (reprodução do artigo).
Como este Tribunal, há dezenas pelo país fora. Não se investe em manutenção e depois, sai caro a dobrar!!
ResponderEliminarHá também cidades com terrenos do MJ no seu centro, com possibilidades de ali se fazer um palácio que tudo ali englobasse.
Mas não, prefere-se ter 7 ou 8 tribunais espalhados pela cidade, onde o cidadão anda completamente perdido, alguns com rendas mensais milionárias. É gerir por reação, sem verdadeiro planeamento e sem verdadeiro estudo. As comarcas ou núcleos não têm um funcionário ou pequena equipe de funcionários a tempo inteiro para a manutenção dos edifícios, porque alegadamente sai caro. E depois temos oficias de justiça a fazer de eletricistas, de pintores, de carregadores de móveis, etc...
Sem falar no constante recurso a empresas para fazer trabalhos de manutenção básicos, elementares, mas que não cabe a OJ´s fazer, de certeza. Alguém já fez um verdadeiro estudo do preço deste outsorcing pelo país fora? Cheira-me a que estas medidas são um maná para certas empresas...
Não daria para cada núcleo ou comarca ter um ou dois funcionários cujo trabalho fosse a manutenção dos edifícios,com trabalhos de pintura, canalização, mudança de lâmpadas, fichas eletricas, interruptores, tratar de chaves e fechaduras, pequenos arranjos, etc? Há sempre algo para fazer nos edifícios,sempre. Não me parece que fosse medida onerosa. Bem pelo contrário.
Problema é se depois os colocam a transportar processos entre tribunais e a atender telefone e por aí fora...
Sim, porque nos queixamos de nos serem atribuidas tarefas fora do nosso conteúdo funcional, mas depois somos os primeiros a pôr telefonistas a dar entrada a papéis, administrativos a trabalhar em processado e motoristas a fazer estafetas a pé, entre tribunais, entre outras alarvidades.
Ou estou a dizer alguma mentira?
Quem não é conhecedor de, pelo menos, uma destas situações?
E é assim. Enquanto aparecer o serviço feito...maravilha!!
Aí é que está a questão!
EliminarMas porque é que continua o trabalhinho a aparecer todo feito?
Fico perplexo!
Será por,
Medo de má avaliação?
Querer ficar bem perante os Srs. Juízes e Secretários?
Não ter vida própria para além das 17.00h?
Medo de um processo disciplinar?
Medo de ser dispensado?
Em. qualquer um dos casos, em Trinuanal administrativo não me parece que tal colhece vencimento. A prova a favor do OJ seria relativamente fácil.
Mudem o paradigma. Cumpram o conteúdo funcional de um OJ, o qual tem por espinha dorsal apenas a instrução processual.
É dentro deste princípio que se desenvolve a ideia de "fazer o demais que o superior ordenar" (desde que legal, claro está, portanto, que não seja contra a lei, contra o conteúdo funcional).
Aqui as finanças do burgo mudaram de instalações.
ResponderEliminarProcessos físicos foram encaixados lacrados e colocadas as caixas em cima das mesas de trabalho dos funcionários de finanças para empresa de transportes e seus carregadores os transportarem!
A mobília foi desmontada e remontada pela mesma empresa. Assim tendo sido mantido o menor impacto no atendimento ao cidadão!
Nós tribunais, chamam-se os bombeiros e a tropa. Carregadores esses, lá foram os OJ.
É a pergunta é a mesma. Porque que é que?
Somos uns tristes e chefias têm culpa muita nisso! deviam tomar mais posição firme sobre quem chefiam! defende-los!
EliminarHá muito OJ com bom corpo para fazer mudanças.
EliminarQuer dizer, não é só receber bons salários e suplementos e estarem o dia todo sentados à secretária a olhar para o computador.
Concordo. Da mesma forma de que há bestas a quem nunca deveria ser ensinado a escrever.
EliminarPorque assim se acham iguais aos outros e até já podem mandar bitaites em blogs, sem saber do que falam.
Bom salário?!
EliminarPara a tutela sem dúvida.
800€ de trabalho especializado para 50 h de trabalho semanal!!!
É fazer a conta!!! (e veja-se lá onde se chega sem saber cálculo!).
Agora que estão de férias, aproveitem para pôr o servicinho em dia...
ResponderEliminarSe estão de férias, como é que põem o servicinho em dia? Queres ver que estão na praia e com o pc em teletrabalho na toalha...
EliminarTem dúvidas?
EliminarPasse pelo núcleo do Porto.
Até os de baixa lá vão controlar!
O colega Jorge Duarte, por muito que a sua função de dirigente sindical assim o exija, não deveria referir-se aos outros colegas nos termos em que o faz, nomeadamente dando a impressão, repare-se no título da notícia, que estes andam num estado de servidão voluntária a quem quer que seja. No núcleo de VFXira não existem colegas a trabalhar fora de horas, salvo situações muito pontuais, bastando para aferir isso, passar pelas secretarias um pouco depois da hora. Aliás, quanto a esta situação o que existe até é uma situação peculiar, que é o facto de os oficiais de justiça do DIAP andarem desde o início da pandemia a trabalhar 6 horas por dia em regime contínuo e depois, esses sim, levarem trabalho para casa... Quanto à falta de funcionários é efectivamente uma triste realidade, contudo também aqui, e por muito que nos custe, não podemos isolar o facto de existirem no núcleo inúmeras baixas prolongadas, algumas com anos, que vão desde o secretário de justiça até ao escrivão auxiliar, passando pela informática. Existem de facto muitos problemas em VFXira, sendo que as instalações péssimas são talvez o pior deles, contudo e actualmente, a grande maioria dos oficiais de justiça que todos os dias comparecem ao trabalho, fazem-no no horário de serviço, demonstrando também assim a sua consciência de classe face às inúmeras injustiças que a afectam, e, se o trabalho aparece feito, é porque os oficiais de justiça em questão são dedicados e excelentes profissionais e não porque andam aqui a toque de chicote de ninguém.
ResponderEliminarA.T.
Muito bem, não precisamos de andar sempre a repetir o que ouvimos dizer. Cada tribunal tem a sua própria realidade e os delegados sindicais devem falar a verdade, com rigor.
EliminarA verdade e o rigor com que se fala e age, deveriam ser recíprocos.
EliminarNão é que concorde com o "diz que disse", obviamente.
Mas quando vemos a tutela a comportar-se de todas as formas possiveis menos com verdade e rigor, questionamo-nos sobre isso.
Não cumprem com a lei, que quebram e contornam numa base diária, nao cumprem com a classe e discriminam entre esta e as restantes, como todos sabemos e sentimos na pele.
Não se exija seriedade apenas a uns.
A jogo sujo, responde-se com jogo sujo. E nesse aspeto, sindicatos estão a anos-luz de quem governa, atendendo ao que temos visto nos últimos anos.
John Olive3
É impressão minha ou o jogo mais sujo surgiu após a "passagem" do seaj a ministro?
EliminarNa comarca onde eu trabalho, mantém 3 tribunais de porta aberta, sem receberem quaisquer processos, fazendo apenas videoconferências e pouco mais, os quais foram inaugurados há poucos anos e outros com necessidades de instalações, vamos lá saber como pode acontecer neste país a beira mar plantado!!
ResponderEliminarAssim não vamos lá!..
ResponderEliminarExistem colegas que não param de se autoflagelarem.
A culpa é das chefias, a culpa é dos Secretarios de Justiça, dos Escrivães de Direito ou mesmo dos Adjuntos.
Esquecer a realidade em que vivemos há mais de 20 anos, em que fomos esquecidos e relegados pelos titulares dos Órgãos de Soberania, e imputar o insucesso das nossas reivindicações a colegas de profissão, não passa de uma alucinação.
A discriminação vergonhosa, no processo de vacinação, de que os Oficiais de Justiça foram alvo recentemente, a culpa foi das chefias!?...
Os primeiros a "abandonar o barco", não foram os primeiros a serem vacinados?...
As promoções das Magistraturas não ocorrem todos os anos, e as vezes duas vezes no mesmo ano?
Mesmo no tempo da troika nunca estiveram suspensas!..
Os Magistrados não concorrem para todas as vagas existentes e estas naturalmente não são preenchidas?!...
A Jubilação/aposentação não se manteve aos 65 anos de idade?..
O subsídio de renda de casa não foi aumentado para 875 euros por mês isento de IRS.
A culpa é das chefias, é dos colegas mais velhos que não nos defendem!!!!!!!!....
Este filme repete-se há décadas, alguns que na altura eram muito jogens e que hoje já não são, passaram a ser os alvos da mesma argumentação que tiveram na altura em que eram jovens.
A culpa é dos mais velhos e das chefias.
A continuar assim, daqui a uma dezena de anos, se nada mudar, o ciclo repete-se, e tudo vai continuar na mesma.
A culpa não é dos mais velhos nem das chefias, a culpa é dos titulares dos Órgãos de Soberania,
que veneram este "socialismo de caviar"!...
Respeito muito os meus "servos"!...
Até os elogio publicamente, mas as vicissitudes têm comprometido as minhas promessas!!!!
E a direita democrática de algibeira fez melhor.
EliminarSócrates arrumou os OJ para canto e o Coelho deu aos OJ a machadada final. Costa, como bom surfista que é, aproveita a onda!
Mesmo no tempo da Troika, foram recrutados em 2015, pela anterior Ministra da Justiça, 600 Oficiais de Justiça.
ResponderEliminarCom a atual Ministra da Justiça, a que está há mais tempo de sempre, à frente deste Ministério, a redução do número de Oficiais de Justiça começa a ser preocupante!
Reforçam-se os quadros das Magistraturas e emagrece-se o quadro de funcionários.
A razão é simples, os primeiros, não abdicam dos dos seus direitos consagrados pelas Constituição e pela Lei, os segundos são inocentes e estão habituados a servir.
A garantia dos direitos liberdades e garantias dos cidadãos (dos outros), tem sido o pretexto e a fundamentação para renegar esses mesmos direitos aos Oficiais de Justiça, com a imposição de um dever de permanência sem limite da jornada máxima de trabalho ou mesmo com a imposição de serviços mínimos/máximos que liquidam por completo o direito à greve.
Os servos garantes dos direitos liberdades e garantias dos outros, uma carreira muito especial da administração pública.
Não querem abdicar da prerrogativa de nos poderem obrigar a ficar até mais tarde exatamente para servir as suas agendas. É raro o magistrado que respeite o horário de trabalho dos OJ´s.
EliminarMarcam julgamentos para quando lhes apetece, vêm trabalhar quando lhes apetece e querem ali um servo a tempo inteiro para o efeito.
Até a nível avaliativo se encontra ali essa questão, que já conta para avaliação. O facto de ficar até mais tarde se houver necessidade.
Não termos horário de saída serve os seus propósitos.
O dos magistrados e o dos cargos políticos (que são magistrados).
Muito bem.
EliminarPortanto, está nas mãos dos OJ mudar o paradigma.
O OJ nada deve à sociedade para trabalhar gratuitamente para além do seu horário remunerado.