E se criássemos uma Plataforma Sindical da Justiça?
Já aqui propusemos a criação de uma entidade suprassindical, com os dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça, de forma a estabelecer-se como uma alternativa ou uma outra alternativa às suas ações individuais e ainda ao Conselho dos Oficiais de Justiça, designadamente, naquelas matérias em que este Conselho é incompetente. Seria uma espécie de “Ordem dos Oficiais de Justiça”, uma vez que uma verdadeira “Ordem” não é legalmente possível.
Não se trata de substituir nada nem ninguém, mas de acrescentar; de criar valor.
Independentemente desta ideia, hoje vimos sugerir ainda uma outra, sobre a qual os Oficiais de Justiça devem refletir (aliás, como todas). A ideia não é original e já existe noutras carreiras, como a que abaixo vamos referir e nos inspirou, portanto, nem sequer exige um grande sacrifício de reflexão.
Trata-se da possibilidade de criar uma “Plataforma” sindical, desde logo com os dois sindicatos dos Oficiais de Justiça mas, ainda, por que não também com outros sindicatos? Por que não com os dois sindicatos das magistraturas (SMMP e ASJP)?
Uma plataforma sindical composta pelos quatro sindicatos poderia ter uma representatividade muito interessante na sua intervenção junto do Governo e demais entidades. De todos modos, como se disse, é necessário refletir sobre o assunto e verificar se essa tal “Plataforma Sindical da Justiça” poderia aportar ganho aos Oficiais de Justiça.
Os problemas dos Oficiais de Justiça são problemas da Justiça e, sem dúvida alguma, afetam as magistraturas, pelo que a resolução dos problemas dos Oficiais de Justiça éalgo que interessa também às magistraturas.
Plataforma assim já existe com os Oficiais dos Registos e chama-se: “Plataforma Sindical dos Registos”.
Essa Plataforma é constituída por três sindicatos: pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado, pela Associação Sindical dos Conservadores de Registo e pelo Sindicato dos Registos.
Para algumas situações abrangentes, não é o sindicato A ou B que emite um comunicado, nem dos Conservadores nem dos Oficiais de Registos, mas a Plataforma, por ser assunto que diz respeito a todos.
A existência da “Plataforma” não limita nem diminui a ação sindical de cada sindicato, mas vem reforçar essa mesma ação, o que é uma vantagem.
Ainda na semana passada, a Plataforma Sindical dos Registos, a propósito de um anúncio de medidas pela secretária de Estado da Justiça, emitiu um comunicado a rebater tal anúncio e dizia assim:
«As medidas anunciadas pela secretária de Estado da Justiça não passam de mera propaganda e de vãs promessas, infelizmente sem qualquer tipo de impacto positivo na vida dos cidadãos, não sendo, inclusive, uma resposta eficaz aos diversos problemas que afetam o setor.”
A Plataforma explica que aquelas medidas anunciadas para o setor, e que são comuns a todos os trabalhadores do setor, isto é, são abrangentes, “não resolvem os problemas” e afirmam que “não passam de mera propaganda e de vãs promessas”. E porquê? Porque se mantém uma falta crónica de recursos humanos (Conservadores e Oficiais dos Registos).
A “Plataforma Sindical dos Registos” sublinha que a secretária de Estado Anabela Pedroso não apresentou “nada de concreto” e que “esperavam mais da tutela”, nomeadamente “a resolução rápida dos problemas com que o setor dos registos se tem deparado sobretudo em questões estruturais que precisam de uma urgente resolução”, como é o caso da falta de 234 conservadores e de 1522 Oficiais dos Registos.
A Plataforma Sindical dos Registos refere ainda que «Só a inexistência de planeamento e de visão estratégica para este setor permite pensar que o anúncio de recrutamento de 40 conservadores e de 100 oficiais de registo resolverá o problema crónico da falta de recursos humanos», o que foi reconhecido por todas as bancadas parlamentares da esquerda à direita”, salienta a plataforma.
O comunicado refere também que ficou “bem patente que o Governo não pretende um verdadeiro diálogo com os parceiros sociais” ao não ter negociado a revisão do sistema remuneratório.
Aqui fica a notícia dos problemas que enfrentam os Oficiais dos Registos e os Conservadores, com intervenção da Plataforma que reúne todas as carreiras e os três sindicatos do setor.
Na carreira dos Oficiais de Justiça é possível algo semelhante? Sim, é possível. Em que moldes e com que abrangência? Há que refletir sobre estes aspetos. Poderá ser positivo? Sem dúvida que sim, porque acrescenta valor; acrescenta voz; simplifica a relação dos representados com a comunicação social e, quando com ela comunica, comunica com um peso maior, pela sua representatividade.

Fonte das citações do comunicado da Plataforma Sindical dos Registos: "Observador/Lusa".
Os OJ têm voz. Só ainda não aprenderam a projetar a mesma. E não carecerão de mais uma "plataforma"!
ResponderEliminarOs sindicatos não estão a dar o melhor caminho, para os meios económicos de que dispõem (750000€/ano em quotas), às naturais aspirações dos OJ.
As eleições estão aí e ainda não foi avençado qualquer bom escritório de advogados para as competentes ações judiciais, e sua divulgação nos media, contra o Estado e seus solidariamente responsáveis administrativos no que às ilegalidades que estão a ser praticadas nas diversas Leis do OE diz respeito.
Se se está como órgão sindical é reprovável que se esteja a concorrer politicamente por qualquer cor partidária.
Mas nos dias de hoje vale tudo.
Certissimo!
EliminarCorrecto!
EliminarACHO QUE OS OJ´S ESTÃO DE TAL FORMA DESMOTIVADOS QUE JÁ NÃO ACREDITAM EM NADA
ResponderEliminarÉ lamentável querem acabarem com as promoções de auxiliares para adjuntos, pois querem que todos façam a mesma coisa sem diferenças. Tem sentido existirem estas categorias, auxiliar, adjunto e escrivão, porque é que querem acabar com isso?!
ResponderEliminarTemos um bom estatuto, porque é que os sindicatos e demais o querem mudar?! Deviam era de fazer pequenas alterações, nomeadamente sobre a reforma e o suplemento, de resto deixem estar, porque se mexe no que está bom? Devemos mudar é quando as coisas não estão bem.
Ninguém nos quer ouvir, só querem saber dos seus interesses. Estamos a afundar e ninguém quer saber, mas se não fossemos nós ( maioria não é licenciada) os Tribunais não funcionavam e agora só querem licenciados para tudo, então coloquem-nos para magistrados e advogados.
O pior é que este estatuto vai ser mudado e não vamos ficar melhores, neste caso, a mudança vai ser para pior :(
Bem verdade, deviam alterar este estatuto no que está pontualmente mal e inconstitucional. Integrar suplemento x 14 meses e aposentação diferenciada, sim senhor! Vamos SOJ como disseram discutir na Assembleia da República essas matérias!já que SFJ não quer que seja lá!
Eliminar"mas se não fossemos nós ( maioria não é licenciada) os Tribunais não funcionavam".
EliminarNao é com estas afirmações infundadas, medíocres e presunçosas, e que de facto representam o sentimento de boa parte dos colegas, que algum dia se consegue a uniao e a força necessária para se conseguir atingir objetivos comuns.
Nao reconhecer a mais valia que muitos dos colegas licenciados representam, com o evidente aumento de produtividade e profissionalismo, a quebra de rotinas e determinados habitos, apenas revela uma visao retrógrada com o unico objetivo de conservar o seu status, em prejuizo da qualidade e transparência do serviço prestado ao cidadao.
Não é uma questão de dar mais ou menos valor aos colegas licenciados.
EliminarHá serviço de qualidade e transparência de serviço prestado dado por colegas que não têm licenciatura, mas isso seria "discutir o sexo dos anjos".
Não sou nem contra nem a favor de licenciados, eu não sou porque não o quis ser, nem todos temos que o ser.
Mas em relação ao nosso estatuto é lamentável ele mudar assim, tínhamos algo bom e vai passar a ser mau, como tem se visto em outros ministérios, cada vez há mais desigualdade e ainda falam nas igualdades. Enfim.
E sim devemos ser unidos, é lamentável não o sermos, por isso, fazem o que querem de nós.
SFJ:
ResponderEliminarCM - 07 set 2021 - Correio da Justiça
DIGNIDADE...
Em tempo de pré-campanha e de Feira do Livro, peço a Eça de Queirós a frase – “A pobreza geral produz um aviltamento na dignidade. Todos vivem na dependência: nunca temos por isso a atitude da nossa consciência, temos a atitude do nosso interesse.” Apesar do anúncio de milhões, à maioria dos trabalhadores, sobra em dias o que falta em salário.
O salário médio em Lisboa é de 1400€, sendo que o salário médio nacional na administração pública é 1056€. O SMN é de 665€. Um oficial de justiça com 20 anos de serviço não aufere 1000€. E aos jovens que o Governo quer (?) trazer para a carreira paga pouco mais de 700€. Em Lisboa, onde um quarto custa 400€ ou mais, como sobreviver? A carência de funcionários leva a soluções caricatas, como a da Gestão de Lisboa que pede “voluntários” para evitar o colapso dos Tribunais de Almada. Exemplo que se replica por todo país. Ora, este colapso anunciado tem responsáveis. São, no dizer de João de Melo, “os políticos de carreirinha que hoje prometem o que amanhã deixarão por cumprir”. Assim, ao contrário do que escrevia João Massano, a greve de 1 de setembro, é um sobressalto cívico em defesa da cidadania plena e, logicamente, também da advocacia. A luta pode ser dura, mas a dignidade não tem preço. Lutar: Sempre; Vencer: Talvez; Desistir: NUNCA."
Em tempo de campanha, observo com tristeza, alguns representantes do SFJ, a esquecerem e a abandonarem a luta dos colegas que auferem pouco mais de 700 euros e que pagam por um quarto em Lisboa 400 euros
“Os sindicalistas de carreirinha que hoje prometem o que amanhã deixarão por cumprir”.
O empenho que lhes vejo nesta campanha, na defesa intransigente das listas do partido do poder, que nos tem desconsiderado, desprezado e humilhado, era aquele que gostaria de ver na defesa dos colegas que os elegeraram para os representar!
No exercício de um mandato existem impedimentos insanáveis!...
A campanha a favor do infrator é um deles!
É muito claro que especialmente o SFJ não foi nem é dirigido de forma séria e competente. O seus dirigentes só tem (quase) carreiristas e cuja cor politica é a vermelha com o tom totalitário. E é por culpa destes fulanos que estamos como estamos. Se se criar essa plataforma, com o que concordo, lá vêm esses gajos estragar tudo dado que com eles é só a politica do bota abaixo.
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