Sobre a plantação de ideias

      Mário Belo Morgado, está, neste momento, a exercer, provisoriamente, o cargo de secretário de Estado adjunto e da Justiça.


      Entre tantas atribuições, tem também a de resolver o problema do Estatuto dos Oficiais de Justiça. Para o efeito, após anos de estudo, lá acabou por apresentar um projeto de Estatuto que foi rapidamente reprovado por todos, menos pelo próprio.


      Os sindicatos que representam os Oficiais de Justiça consideram que o projeto é lixo e que outro projeto deveria ser apresentado e negociado. No entanto, o referido secretário de Estado afirmou que é este seu projeto que será negociado.


      O projeto está acima acessível na ligação junto ao cabeçalho, tal como os pareceres apresentados, tanto pelas entidades formalmente contactadas para o efeito como duas outras entidades (ASJP e SMMP) que espontaneamente apresentaram também pareceres sobre o mesmo projeto.


      Este secretário de Estado, que foi afastado do Conselho Superior da Magistratura pelos votos dos seus pares juízes, por não terem gostado da forma como geriu os interesses da classe no mandato que ali exerceu, veio ocupar este cargo de convite político, entendendo o vulgar cidadão que tal sucedeu a título de compensação pelo afastamento de que fora alvo.


      Para o atual cargo que exerce não foi eleito, porque se para o cargo tivesse que sê-lo, certamente não o seria.


      Essa falta de eleição, acaba por afligir algumas pessoas com um padecimento muito comum nestes cargos que é o de se sentirem a pairar sobre as cabeças dos vulgares cidadãos e, desde a altura desse novo mundo superior, poderem dizer e fazer tudo o que quiserem, sem sequer ter essa atitude de ser perscrutada pelos cidadãos com o seu voto.


      Há bons exemplos desse padecimento, não só pela relatada postura em relação ao Estatuto dos Oficiais de Justiça, mas também pelas frequentes publicações nas redes sociais em que se podem apreciar todos os sinais do padecimento referido.


      No início deste mês, o cidadão que ocupa um cargo de relevo no Ministério da Justiça, cargo de relevo de serviço público, isto é, para o público; para os cidadãos, escrevia assim no “Twitter”:


      «Foi plantada a ideia de que as alterações na composição do Ticão agradam à defesa de um arguido, que estaria a “arrastar os prazos” para evitar certo juiz. Acontece que os atuais juízes desse tribunal irão manter todos os processos que têm a seu cargo, como bem se sabe…»


VasoNaCabeca.jpg


      O secretário de Estado anda a “mandar bocas” para alguém? Diz que alguém “plantou” uma ideia, isto é, não é que as pessoas possam pensar algo por si próprias, ainda que erradamente, mas porque as suas cabeças são como vasos onde se plantam ideias, ideias essas que se comportam como ervas daninhas.


      O secretário de Estado está preocupado com o que se diz sobre determinado arguido e sobre determinado processo?


      O secretário de Estado diz que é no “Ticão”. Ticão? Onde é que está esta coisa descrita na organização judiciária? Mas é uma coisa com juízes dentro e, pelo menos, um processo e um arguido.


      As “bocas” que lança estão repletas de enigmas como: “um arguido”, “certo juiz”… E conclui com o sarcasmo de: “Acontece que…”, querendo com isto dizer, para o destinatário da “boca”, qualquer coisa como: “E toma lá que já almoçaste! Fica a saber que…”


      Já aqui o dissemos e repetimos: não vemos perfil neste cidadão para ocupar o cargo que ocupa e se inicialmente a ministra da Justiça tinha uma perspetiva positiva do cidadão, acreditamos que já é tempo de encarar a realidade e aceitar que, realmente, não tem perfil para o cargo e, tal como os seus pares fizeram, afastá-lo do cargo o quanto antes.


      E é esta a ideia que aqui fica plantada.


MBM-Twitter-01SET2021.jpg


      Fonte: "Twitter-MBM".

Comentários

  1. Anónimo5/9/21 11:25


    Diário Notícias | Domingo, 26 Março 2017

    Entrevista a Mário Belo Morgado.

    "... Se tivesse a ministra da Justiça à sua frente, qual seria o pedido que lhe faria enquanto vice do Conselho e enquanto magistrado judicial?

    "Enquanto vice do CSM, acho essencial uma reforma das leis processuais verdadeiramente consentânea com as exigências de eficácia do século XXI. Enquanto juiz e cidadão, reivindico o fim da gritante disparidade que existe entre as remunerações daqueles que exercem funções de soberania e as dos responsáveis pelas entidades reguladoras e dos institutos públicos.

    Só assim conseguimos que os melhores e mais íntegros continuem dedicados ao serviço público... "

    Sobre a gritante disparidade existente entre as remunerações, apenas a referir o seguinte já que relativamente aos Oficiais de Justiça não é necessário dizer mais nada.

    A disparidade gritante entre as remunerações dos membros do governo, porque alguns optaram pelo vencimento de origem (magistrado), deixou de o ser, passando a ser uma disparidade virtuosa!...

    Quanto à ideia de que só assim se consegue que os mais íntegros continuem dedicados ao serviço publico, apenas a referir que a integridade não tem preço e que 99,99999% dos Oficiais de Justiça nunca viram a sua intregridade biliscada, apesar da gritante disparidade existente de remunerações e direitos entre outras carreiras da administração pública.

    Servos mas íntegros!...

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    Respostas
    1. Anónimo5/9/21 11:49

      Atirem-me com esse, suposto, senhor, aos t......
      Nada mais se me oferece dizer sobre tal criatura.
      Falar da mesma é dar-lhe o que ele quer, protagonismo para poder ser vaidoso.
      Assim sendo, DESPREZO.

      Eliminar
  2. Anónimo5/9/21 16:51

    Uma sugestão aos sindicatos.
    Da mesma forma que já fizeram publicidade outdoor junto da assembleia da república com reivindicações da nossa classe, porque não, da mesma maneira, fazer publicidade às inúmeras intervenções deste artista.
    Ou seja, publicitar as aberrações produzidas pelo artista, mostrar quem ele é, fosse em publicidade outdoor, nas redes sociais, etc.
    Está na altura de o deixar afundar no seu próprio lodo.

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