Vamos Comparar
Para além das repetidas queixas dos Oficiais de Justiça, designadamente quanto aos aspetos remuneratórios, uma forma de aferir se de facto esta carreira está, ou não, sub-remunerada, pode ser pela simples comparação com outras, por exemplo, com a dos Oficiais de Registo e ainda com a das Finanças/AT, que já levou tantos Oficiais de Justiça…
A este propósito, vamos a seguir reproduzir um e-mail, sintético e elucidativo, sobre este assunto, que o Oficial de Justiça Fernando Ribeiro da Silva enviou ontem para os dois Sindicatos e também para a nossa página.
Diz assim:
«A propósito da revisão do nosso estatuto, permitam-me oferecer o seguinte contributo, que resulta do conhecimento direto sobre o assunto, pois passei pela AT e tenho pessoas na família nos Registos.
Com efeito, muito embora as competências sejam muito distintas das dos Oficiais de Justiça, a diferença em termos de carreiras é evidente, como é evidente a atenção que foi dada aquando da respetiva revisão, mormente nos aspetos remuneratórios.
Quanto à revisão das carreiras nas “Conservatórias/Registos”:
O DL 115/2018, de 21DEZ, estabeleceu, para além do mais, o regime das carreiras especiais de oficial de registos, ressaltando do mesmo, para o que interessa ao assunto, o seguinte:
– Modalidade de contrato de trabalho em funções públicas por tempo indeterminado, passa a constituir o modo de prestação de trabalho nestas carreiras;
– As carreiras de Ajudante e de Escriturário passam a constituir uma carreira única: a de oficial de registos;
– Esta carreira de oficial de registos passa a dividir-se em duas categorias (art.º 17.º), de forma pluricategorial, estruturando-se nas seguintes categorias: a) Oficial de registos e b) Oficial de registos especialista.
– A carreira é classificada no grau 3 de complexidade funcional.
– O conteúdo funcional do oficial de registos especialista (funcionário com 10 anos de serviço e classificação no mínimo de adequada (SIADAP)) é, essencialmente e para além do mais, o de assegurar e supervisionar o serviço em matérias de maior complexidade técnico-funcional; de prestar a necessária assistência ao conservador de registos; sob a direção do conservador de registos, o acompanhamento profissional do oficial de registos; coadjuvar o conservador de registos na gestão do respetivo serviço de registo, designadamente nas áreas de logística e de contabilidade; participar na estruturação, organização, planeamento e coordenação dos serviços, sob a supervisão do conservador de registos; participar em todos os processos de adaptação e avaliação de metodologias de trabalho no âmbito das novas tecnologias e sistemas de informação; preparar, organizar e tratar os elementos e dados necessários à elaboração de relatórios e promover a apresentação de estudos de melhoria contínua da sua área de atividade.
– Os respetivos lugares (oficial de registo especialista) correspondem a 30 % do quadro de pessoal e têm uma remuneração diferenciada (prevista no DL 145/2019, de 23SET) que a seguir se transcreve na parte que interessa.
Conforme resulta da tabela disponível “AQUI”, a remuneração começa logo, para os oficiais de registo, em cerca de 1205 € (condizente com o grau de complexidade 3) e para os oficiais de registos especialistas em cerca 2651 €.
Noto ainda que existem mitos funcionários com vencimentos, inclusivamente, superiores aos vencimentos de Conservadores, nomeadamente os Ajudantes, mas também os Escriturários Superiores que, contando com muitos anos de carreira e tendo exercido funções em determinados serviços (CR Comercial, Predial e Notários) mantiveram a remuneração que em outros tempos dependia em muito dos emolumentos.
Quanto à Autoridade Tributária e Aduaneira:
A revisão das carreiras especiais foi operada pelo DL 132/2019 de 30AGO, onde se passou a prever duas carreiras especiais: uma de gestão e inspeção tributária e aduaneira e uma segunda carreira de inspeção e auditoria tributária e aduaneira.
Focando-me na primeira carreira, de gestor tributário e aduaneiro (porque são maioritariamente os funcionários dos Serviços de Finanças), esta é:
– Uma carreira especial;
– Com estrutura unicategorial;
– É classificada no grau 3 de complexidade funcional;
– Quanto ao conteúdo funcional incumbe, genericamente, assegurar a execução de todos os procedimentos e processos relativos à administração dos impostos, direitos aduaneiros e demais tributos que sejam atribuídos à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), bem como assegurar a execução de todas as tarefas destinadas a cobrar outras receitas, cuja competência for atribuída à AT, e desenvolver a ação de inspeção interna, no âmbito da missão e das atribuições da AT.
O ingresso depende de licenciatura, da aprovação em curso específico e dos requisitos do art.º 17.º da LTFP.
Para esta carreira de gestor tributário e aduaneiro, a remuneração começa em cerca de 1360 € a que acresce o FET de cerca de 274 € (cálculo mensal) e vai até aos 3374 € (tabela disponível “AQUI”), ou seja começam logo por auferir cerca de 1600 €.
Espero ter contribuído para que possam ter melhor argumentos na discussão da revisão da carreira e construção de um novo estatuto, nomeadamente remuneratório, mais justo.»

O colega passou pela AT, com as condições apresentadas, e veio para oficial de justiça, com as condições conhecidas? Algo vai mal com os oficiais de justiça realmente, pois não é normal esse tipo de mudança profissional.
ResponderEliminarCada caso é um caso, o que se passa é que os OJ´s outrora valorizados, deixaram-se comer com ladainhas e nada bateram o pé! sindicatos tiveram culpa sim! quase nunca bateram pé a nada! e já agora porque não intentam ação contra o Estado por não cumprir a Lei de orçamento feita na assembleia da república no que aprovaram com prazos para cumprir quanto aos OJ´s?? sindicatos nada têm a dizer e a fazer judicialmente?????
EliminarSINDICATOS DEIZARAM ANDAR HÁ MAIS DE 20 ANOS E DEU NISTO! OJ´S NEM SEQUER CONSEGUIRAM A INTEGRAÇÃO DOS 10% HÁ MAIS DE 20 ANOS! PUT......Q PAR........... SEMPRE A EMPURRAR COM A BARRIGA...........INVENTANDO DESPULPAS PRA TUDO E TRABALHO A FAZER-SE! DIRIGENTES SINDICAIS QUE SEMPRE ESTIVERAM BEM DE VIDA!!!!!!!!!!!!!!!!!!! E OS OUTROS QUE SE FO............
ResponderEliminarO mal de muitos "oficiais de justiça" é esperarem pelos sindicatos! LUTEM PELOS VOSSOS DIREITOS! Esta carreira é das mais desunidas da função pública e desta forma não iram alcançar os vossos objetivos! Não ESPEREM PELOS SINDICATOS, pois não iram fazer milagres quando os próprios não lutam por uma carreira melhor e digna!
ResponderEliminarENTÃO SINDICATOS SERVEM PARA QUÊ?? SE EM QUESTÕES ESTRUTURANTES, DESDE LOGO A INTEGRAÇÃO DOS 10% HÁ MAIS DE 20 ANOS QUE NEM ISSO FIZERAM?
EliminarMas se os sindicatos não unem a classe é você sózinho que vai lutar pelos seu direitos individualmente e conseguir negociar sozinho o que andam a tentar negociar há 20 anos ou mais? explique como faz sózinho isso? como faz cumprir Leis da Assembleia da República sem apoio do sindicalismo?
EliminarServem para amealhar 750000€/ano em quotas.
EliminarNão se preocupem... Não tarda nada faz-se mais uma greve...
ResponderEliminareheheh! para levar para casa menos que o ordenado minimo
EliminarNão se preocupem... Não tarda nada faz-se mais uma greve...
ResponderEliminarA ler os comentários enquanto como a minha sandes de fiambre que trouxe de casa. Acompanhada da bela "mine". Bom almoço!
ResponderEliminarPara conhecimento dos colegas, a seguir transcrevo parte de um e.mail que enviei ao SFJ-
ResponderEliminar"Assim, reporto a que hoje me ocorreu, que seria uma greve, a anunciar conjuntamente, durante um mês, de forma interpolada ,isto é, dia sim, dia não.
Com este calendário não haveria serviços mínimos, durante um mês apenas se fariam oito dias de greve, às terças e quintas, mas não deixaria de ser um mês de greve, que seria assim anunciado e tratado na comunicação social. Na mesma altura e para o mesmo período seria ainda decretada uma greve de zelo.
Penso que as medidas juntas e a ser anunciadas juntamente terão muito mais força.
Relembro ainda a conversa que tivemos acerca do envio de cartas para os comentadores televisivos – exemplo: Marques Mendes – Paulo Portas e outros, pedindo-lhes ajuda para a divulgação da justiça da nossa luta."
Parabéns colega pela ideia diria genial que será de fazer mossa com impacto e que doi menos nos bolsos, deitando por terra os ditos serviços minimos! esperemos que alguém entenda e dê seguimento!
EliminarAditamento:
EliminarCom a greve e a greve de zelo, a ideia seria, nos dias de trabalho, fazer o urgente do dia e do dia anterior, o resto do tempo, devagar e devagarinho, da mesma forma como somos tratados, sem zelo e sem respeito.
Vamos para a guerra, para fazer mossa e com todas as armas.
👍👏👏👏
EliminarAPOIADO!
EliminarAPOIO ESSA GREVE.
EliminarTambém APOIO, mas penso deveríamos fazer durante um ano. Isso sim, teria visibilidade. Mas pensando melhor deveríamos fazer uma greve ainda com mais visibilidade que seria por exemplo estarmos de greve até aos 70 anos, dia sim dia não em greve para evitar os serviços mínimos. Isso sim teria ainda mais visibilidade. A não ser uma greve até aos 70 anos apoio mas não faço, pois para mim tem de ser a doer. Greve até aos 70 anos, haja coragem dos sindicados.
EliminarUma greve às terças e quintas, durante um período de tempo indefinido, era top. A uma greve assim aderia com facilidade, sem hesitar. Significaria que poderíamos faltar todas as terças e quintas que entendessemos sem ter que dar satisfações a ninguém. Seria o caos em muitos serviços e tribunais. Sem serviços mínimos e com a actual falta de Oficiais de justiça, seria autêntico "terrorismo".
ResponderEliminarPensem nisso, apoio a ideia!
Há que definir prioridades!
EliminarE para alguns dirigentes do SFJ, felizmente poucos, estão muito empenhados na campanha eleitoral a aplaudir e a apoiar aqueles que nos têm desprezado!...
Um congresso extraordinário para depois das eleições é urgente e necessário, para se pedir explicações e clarificar de que lado da trincheira estão algumas pessoas!
Em vez de aproveitarmos a oportunidade (com alguns ajustes, claro), enbandeirámos em arco a pensar que a nossa (triste) profissão era (muito) diferente das demais do Ministério da Justiça. Assim, em vez de termos aproveitado para ficarmos com alguma coisa, recusámos o que nos foi apresentado para ficarmos sem nada. Serão os nossos representantes sindicais mais inteligentes do que os das outras carreiras? Se são não parece, porque enquanto uns já têm a "coisa" arrumada, outros há que, a troco de muito pedirem, continuam a ser o "patinho feio" da Justiça e sem perspetivas de virem a serr no cisne que todos pretendíamos. É caso para dizer que, quem tudo quer, tudo perde.
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