A Anedota do Ano contada pelo Rodrigo
A anedota do ano foi contada no programa, que se quer sério, “O Último Apaga a Luz”, na RTP3, esta última sexta-feira 01OUT.
O participante, de seu nome, Rodrigo Moita de Deus, com a total anuência de uma outra participante, a escritora Inês Pedrosa, afirmou que os Oficiais de Justiça não “transitam” as sentenças, porque estão todos em teletrabalho.
Incrivelmente, diz que há processos que os Funcionários fazem demorar semanas e mesmo meses a transitar sentenças e toda esta conversa vem a propósito da fuga de um arguido banqueiro para o estrangeiro.


«No final do dia o que é que conta? O que conta é que há uma sentença, aliás são três a condená-lo, as sentenças têm que transitar em julgado; aquilo que nós devíamos estar aqui a discutir é como é que um funcionário de um tribunal, leva 3 semanas ou 3 meses a transitar em julgado uma sentença? (...) Como é que os Funcionários de um tribunal estão todos em teletrabalho e não transitam em julgado uma sentença? Que devia ser de aplicação quase imediata, quase imediata...?»
Parece que, para o Rodrigo, a justiça está de tal forma perdida que já não há ninguém nos tribunais para “transitar” sentenças e, pasmem-se, algumas demoram a transitar semanas e mesmo meses.
Claro que o Rodrigo não sabe que há prazos para trânsitos em julgado, impostos por leis da Assembleia da República, e que chegam aos 30 dias e, mesmo depois disso, há que aguardar pelo recurso, porque é um direito que a lei concede aos cidadãos que pode, realmente, demorar meses e, em alguns casos, até anos.
O Rodrigo não sabe que esses prazos não dependem de nenhum ato dos Oficiais de Justiça e que não são estes que fazem com que as sentenças transitem, mais ou menos depressa; longe disso e bem pelo contrário, os Oficiais de Justiça cumpre imediatamente os processos para que os trânsitos em julgado ocorram com a maior celeridade e, por regra geral, no próprio dia ou no dia seguinte.
Portanto, nada há a apontar aos Oficiais de Justiça, muito pelo contrário, uma vez que, da sua parte, tudo é realizado com a maior celeridade, mesmo com custo nas suas horas de descanso e prejuízo irrecuperável da sua vida familiar, cumprindo as leis emanadas da Assembleia da República e do Governo, leis estas que nos tribunais se cumprem; apenas se cumprem.
O Rodrigo também não sabe que os Oficiais de Justiça não estão todos em teletrabalho, nem nunca estiveram. Os tribunais nunca, mas mesmo nunca, fecharam, nem fecham vez alguma; com exceção dos domingos (em que não haja eleições, por acaso ainda no anterior domingo se trabalhou nos tribunais pela madrugada dentro) e com exceção também dos feriados que não coincidam com as segundas-feiras, como é o caso do dia de hoje. São estes os únicos dias em que os tribunais encerram. Sim, únicos; nem no verão encerram, nem nos sábados, nem de noite… Quantas vezes o Rodrigo já não viu interrogatórios pela noite dentro? Com resultados imediatos? Porque os Oficiais de Justiça não chegam à sua horinha de saída e vão embora; não, só vão embora quando acabam o que têm em mão; porque a lei a isso obriga e porque são pessoas muito responsáveis.
O Rodrigo desconhece também que mesmo que um Oficial de Justiça estivesse em teletrabalho, nenhum trânsito em julgado estaria, por tal motivo, comprometido, pois mesmo em teletrabalho trataria de diligenciar para esse objetivo, sendo indiferente, para o caso, que esteja num regime presencial ou a distância.
Era mesmo só isto que faltava: que os males da justiça e os defeitos das leis fossem agora culpa dos Oficiais de Justiça.
Ignora o Rodrigo que as sentenças, mesmo que sejam proferidas por três juízes, como diz, não podem ser de aplicação imediata – ou quase imediata, como deseja –, porque ao condenado lhe assiste o direito de discordar e de recorrer dessa sentença, e é isto mesmo que constitui a beleza de um estado de direito: o oleado funcionamento de uma balança, obviamente com pesos e contrapesos, que se destina não a ser justiceira mas a ser justa.
Por fim, o Rodrigo também não sabe que as coisas que diz num canal de televisão de âmbito nacional têm tendência a formar opinião em pessoas de mente curta que acreditam nesses disparates e, por isso mesmo, vemos como as mentes curtas dominam as redes sociais, pela simplicidade com que veem e pensam o Mundo, e, neste caldo, nascem os partidos extremistas dos mentes-curtas que até prosperam.
E, sem mais, vejamos o vídeo da anedota que, na realidade, não é cómica, mas séria; uma anedota muito séria.
Fonte: “RTP3 – O Último Apaga a Luz – 01OUT2021” - (momento aqui citado: de 13m18s a 13m48s)
Santa ignorância.......
ResponderEliminarVozes de burro não chegam aos céus.
ResponderEliminarO rapazito tem-se em boa conta e gosta de se ouvir. Quantas algarviadas é que já nos enfiou, noutros temas?
ResponderEliminarE é pago para isto!
Grandes padrinhos.....
Ganda Rodrigo, sempre informado, sempre a saber mais que os outros. Depois aquela voz, e já está, a culpa é de quem? Dos malandros os funcionários de justiça, que nem sequer são sotores. E de uma maneira geral dos trabalhadores que querem pensar e deixar de ser escravos
ResponderEliminarAcabem-se com os direitos do trabalho, um prato de saoa e duas vergastadas para todos. Viva a direita no seu mais alto explendor.
O que aconteceu é lamentável e dramático, pois aconteceu num cana público! Acho que os sindicatos, pois são quem nos representam, deveriam exercer o Direito de Resposta!
ResponderEliminarDireitos de resposta e de rectificação
Artigo 24.º
Pressupostos dos direitos de resposta e de rectificação
1 - Tem direito de resposta nas publicações periódicas qualquer pessoa singular ou colectiva, organização, serviço ou organismo público, bem como o titular de qualquer órgão ou responsável por estabelecimento público, que tiver sido objecto de referências, ainda que indirectas, que possam afectar a sua reputação e boa fama.
2 - As entidades referidas no número anterior têm direito de rectificação nas publicações periódicas sempre que tenham sido feitas referências de facto inverídicas ou erróneas que lhes digam respeito.
3 - O direito de resposta e o de rectificação podem ser exercidos tanto relativamente a textos como a imagens.
4 - O direito de resposta e o de rectificação ficam prejudicados se, com a concordância do interessado, o periódico tiver corrigido ou esclarecido o texto ou imagem em causa ou lhe tiver facultado outro meio de expor a sua posição.
5 - O direito de resposta e o de rectificação são independentes do procedimento criminal pelo facto da publicação, bem como do direito à indemnização pelos danos por ela causados.
Espero que sindicatos exijam pedido de desculpas IMEDIATO e que o mesmo se retrate no mesmo canal e programa onde disse estas alarvidades !!
ResponderEliminarFicar calados perante isto é mostra de total inépcia !!
Toque a rebate!!
Já !!!
Eis porque digo há muito que temos de ter comunicadores nas estruturas. Tanto sindicais como na própria DG. Até nas próprias comarcas.
Há limites para tudo !!
Todo o imbecil critica a justiça, sem nunca saber do que fala ou então, com interesse particular ou corporativo em fazê-lo!!
Tomem medidas !!!
Perfeitamente de acordo. Os Sindicatos deverão vir a público, não só através da RTP mas em todas as estações televisivas, a repor a verdade. Esta alarvidade é gritante e é por este tipo de coisas que a opinião pública continua a pensar que a Justiça está mal por causa daqueles funcionários medíocres que andam nos tribunais.
EliminarBasta de calúnias.
Exijo que os Sindicatos hajam depressa. É para isso que pagamos as quotas. E não é tão pouco como isso.
Isto é serviço público?...
EliminarSubsidiar a ignorância ou a falta de vergonha com impostos dos portugueses é serviço público?!...
Os sindicatos têm que reagir em defesa dos Oficiais de Justiça e sobretudo em defesa do direito à informação já que os responsáveis daquela instituição (RTP) não o fazem!...
A ignorância arrepiante de um rapazola, um "Zé Cabra" dos transitos em julgado, patrocinado por um canal de televisão público.
Qualquer dia até os Burros sabem ler (desculpem burros )
EliminarOs Sindicatos? epá não dá, eles andam a fazer viagens pelo pais, a descobrir onde ficam os tribunais, e a saber onde trabalham quem eles representam, com umas almoçaradas claro. E depois chegam muito cansadinhos a casa, meio tontos, e como não é pro tacho não vêm tv.
ResponderEliminarIsso, a curtir umas férias, umas visitas apressadas para terem tempo para visitarem as atrações locais, umas almoçaradas com "marisco e espumante, sobremesa e digestivo", umas centenas de kms todos os dias com piloto automático, o empenho em que em todos os edifícios/tribunais os Colegas entreguem os testemunhos da desconsideração a que temos sido sujeitos, o acompanhamento da comunicação social...quando poderiam estar em casa, tranquilamente, à espera do que aí vem da AR. São mesmo uma cambada de "calões"! Contudo, se tivessem o cuidado de perceber o empenho e o desgaste a que os Colegas do SFJ têm sido sujeitos numa iniciativa que, quer se queira ou não, tem imensas virtudes, "calados eram poetas". Mas é sempre a velha história, criticar depreciativamente e gratuitamente. Mas a Luta continua e ninguém nos fará capitular.
EliminarÉ isso e um jornalista, em pleno telejornal, dizer que devido à greve dos oficiais de justiça os processos ficaram por despachar…
ResponderEliminarBem, se os jornalistas e afins tivessem o "cuidado" de ler algumas opiniões de supostos "Colegas" neste espaço, imagine o que poderiam dizer...
EliminarO texto ficou fabuloso...
ResponderEliminarParabéns ao autor aqui do blog...
Era tão bom que aquele 'comentador' pudesse ler o que aqui foi deixado.
Infelizmente muitas das pessoas que viram esse programa, acreditam no que foi dito. Acreditam que foram/são os OJ os culpados...
Enfim.
Tristes comentadores e tristes (e injustas!) palavras que nos são dirigidas... :-(
A dar importância a um ignorante de m€*&@.
ResponderEliminarLutemos mas é por mais €uros na carteira ao fim do mês.
Todas aquelas carreiras recentemente revistas e de grau 3 vão ter aumentos em 2022. Ao invés, nós vamos ter apenas umas chibatadas no lombo para trabalharmos ainda mais.
Abram os olhos!!
Se houvesse tomates, marcavam uma greve a sério - uma greve às terças e quintas até às próximas férias judiciais de Verão.
Associada a essa greve, uma outra mas de zelo. Isto sim, seria luta.
Agora, com greves fofinhas e caravanistas a passear, não vamos a lado nenhum.
Isso, mais uma e outra greve! Viva às greves! Que contributo mais construtivo, diga-se! "Uma greve a sério, com tomates"! E para rematar, não se escusa de o afirmar "...e caravanistas a passear..." Triste sina, "Colega"! Nada consegue dizer mais do que "greves". Tudo dito!
EliminarBoa Tarde,
ResponderEliminarApenas mais um inútil que gosta de se ouvir, mesmo não sabendo o que diz.
Mais inútil e incompetente foi a moderadora, amostra de jornalista, que mal preparada, permitiu, tal alarvidade.
O que dizer da Srª. Inês Pedrosa ?
Não vive neste mundo, muito menos neste país.
programa reles, pago com o nosso dinheiro.
Cumprimentos,
João Nabais
PS. Vi hoje em rodapé num canal noticioso que a DGAJ terá comprometido vários dados de utilizadores. Será que é verdade ? Serão dados dos funcionários ?
A ver vamos.
Com este SEAJ não deve ser nada.
hahahaha..
ResponderEliminarVi agora o vídeo.
Que cromo(s)!!
COMO É POSSIVEL ALGUÉM OPINAR DO QUE NÃO SABE E NUM CANAL PÚBLICO? FODDDDDDDD........VIVA A VENEZUELA!
ResponderEliminarOs sindicatos não levantam a voz contra este tipo de baboseiras porque unicamente estes co0mentaristas da treta só têm um fim que é deitar abaixo este governo e isso t6ambem interessa aos sindicatos dominados por gente da direita e essa denuncia nunca a farão. Deixam as aldrabices voarem á vontade porque tal é do inteiro interesse dos sindicatos embora vozes de burros não cheguem ao céu mas fazem mossa na mente de ignorantes que infelizmente há por aí uma enormidade de acéfalos.
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