A Vergonha dos Números

      Segundo uma análise feita pela Pordata, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), quando se assinala o Dia Internacional pela Erradicação da Pobreza, ter um emprego e um salário em Portugal, não é garantia de não se ser pobre.


      No ano passado (2020) quase 10% dos trabalhadores com emprego em Portugal era considerada pobre, ou seja, vivia com rendimentos inferiores ao limiar da pobreza, que, nesse ano, se situava nos 540 euros mensais.


      De acordo com a Pordata, comparando o ano de 1974 com o ano de 2020, e descontando o efeito da inflação, as pessoas que recebem o Rendimento Mínimo Mensal Garantido (RMMG) (atual designação do Salário Mínimo Nacional), recebem hoje mais 138,70 euros do que em 1974, tendo em conta que nesse ano o SMN/RMMG seria de 582,60 euros e em 2020 de 721,30 euros.


      Trata-se do valor mensalizado, a preços constantes de 2016, obtido dividindo o valor anual (correspondente a 14 meses) por 12 meses.


      Ou seja, em quase 50 anos de democracia, assistimos a uma evolução do salário mínimo que tantos trabalhadores auferem, de quase 140 euros. Note-se bem: menos de 140 euros ao longo de quase 50 anos.


      Mas se o aumento do limite mínimo dos salários teve esse aumento mínimo, e se isso é espantoso, espantem-se ainda mais com a seguinte evolução:


      Com o mesmo cálculo, a Pordata aponta para uma pensão mínima de velhice e invalidez de 260,70 euros em 1974, enquanto que em 2020 esse mesmo subsídio aumentou para 268 euros.


      Ou seja, preste boa atenção: os beneficiários das pensões mínimas de velhice e invalidez do regime geral da Segurança Social recebem hoje praticamente o mesmo que em 1974, tendo havido, nestes quase 50 anos de democracia, um aumento de sete euros no valor das pensões.


      Entre os agregados familiares, é possível concluir que ter filhos é um fator de pobreza, assim como viver sozinho, sendo que em 2019 quase 40% das famílias compostas por dois adultos e três ou mais crianças estavam em risco de pobreza, por oposição aos 26% entre as famílias com um adulto e uma ou mais crianças.


      Viver sozinho também era um fator de vulnerabilidade, que varia consoante a idade da pessoa, já que o risco de pobreza chegava aos 28% entre os idosos com 65 ou mais anos, mas ficava-se pelos 18% entre os adultos com menos de 18 anos.


      Apesar de em 2019 haver registo de mais de 1 milhão e 600 mil pobres em Portugal, o Rendimento Social de Inserção (RSI) só foi atribuído a uma ínfima parte desse valor, mais concretamente a 16,7% dessas pessoas, ou seja, a apenas 267.389 beneficiários.


      Em 2020, foram ainda menos, já que o valor total baixou para 257.939 pessoas, o valor mais baixo desde 2006, sendo que mais de metade são mulheres (52%), e mais de duas em cada cinco pessoas (41%) têm menos de 25 anos. Refere ainda a Pordata que, entre 2010 e 2020, o total de beneficiários decresceu 51%.


      A pobreza também está dentro das escolas e em 2019 mais de 380 mil alunos do ensino público não superior tiveram apoio socioeconómico, e quase 223 mil tiveram refeições subsidiadas pela Ação Social Escolar.


      “O número de beneficiários destes apoios tem aumentado progressivamente, sendo o ano de 2019 aquele em que mais estudantes receberam apoio socioeconómico desde 1981”, refere a Pordata.


      Ao longo destes quase 50 anos de democracia temos sido governados sempre pelos mesmos – sozinhos, em coligação, em geringonça, com ou sem maioria – e os resultados são vergonhosos.


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      Fonte: “MadreMedia/Lusa/Sapo24

Comentários

  1. Entretanto, vemos fortunas como nunca antes se viram.
    Mas não tenhamos ilusões. É para continuar.
    Quando vemos a Alemanha com 10% da população no limiar da pobreza, percebemos o todo. Como é possível o país que fabrica a VW, OPEL, Porsche, BMW e Mercedes, ter tantos pobres?
    A causa é simples. Ganância e mais ganância. Nunca chega.
    E essa ganância não anda só no gestor da grande empresa. Vai ao grande, pequeno e médio investidor.
    Todos pressionam o gestor para dividendos ao fim do ano. Todos querem mais e mais. E aí chegamos ao vizinho do lado, ao familiar, ao senhor do café, etc...
    Não podemos chegar a um banco e exigir juros mais altos por lá ter as poupanças. Mas podemos, sim, ir a uma assembleia geral de investidores exigir mais e mais.
    Ninguém é santo, por aqui.
    Mas trabalhar e ser pobre...é das situações mais vergonhosas da atualidade. A prova real, factual, de que falhamos como sociedade.
    E trabalhar durante 35/40 anos e acabar com uma reforma igual ou pouco superior à de alguém que nunca fez descontos, é o epítome dessa incompetência de todos os governantes atuais e de todo o mundo.
    É por isto que tem que se combater o discurso da proteção de empresas e derivas neoliberais.
    Liberais onde? Só se for para eles fazerem o que querem. Porque quem trabalha para eles não vê nada de liberal em trabalhar que nem um escravo e continuar a ser pobre.
    Cuidado com certos discursos. A distribuição de riqueza não existe, realmente. Existe sim, é esmola. Dada apenas quando apetece dar.

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    1. LIBERALISMO QUE QAUNDO ALGO CORRE MAL, SE SERVE DO ESTADO E LIBERALISMO DE CORRUPTOS!!

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    2. Alemanha? Amigo escolheste mal o exemplo...troco o meu salário por metade de um OJ da Alemanha.

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    3. Amigo...estou a falar de pobraza e não do teu umbi...digo, salário.
      Lê lá o texto na transversal, ao menos.

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    4. POBREZA

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  2. VERGONHOSO MESMO! Temos sido governados por corruptos, quando, se assim não fosse, podíamos ter um nivel de vida como na Suiça, pois temos clima, mar, etc, condições que nos permitem ter um nivel de vida de "rico" e não de pobreza! Politicos e governates e banqueiros, corruptos que sugam o trabalho dos pobres

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  3. É o falhanço como sociedade.
    Portugal nunca foi um país rico e nunca vai ser.
    Foram 70 anos de ditadura e quando apareceu a democracia já partimos muito atrás.
    Depois, em vez de recuperarmos fomos andando ao sabor do vento e liderados por uma elite politica que esteve sempre às ordens da elite financeira e empresarial.
    Somos um país a saque nos últimos 40 anos.
    Trocámos a pesca e a agricultura por subsídios.
    Trocámos o trabalho por subsídios.
    E as nossas elites encheram os bolsos com subsídios.
    Os pobres são cada vez mais pobres.
    Os ricos cada vez mais ricos.
    E a classe média cada vez mais pobre.
    Nós somos exemplo disso, temos colegas a trabalhar num órgão de soberania a receberem pouco mais que o salário mínimo.
    O SNS é uma piada, só tem saúde quem tem dinheiro.
    A Justiça é o que nós sabemos.....
    O Povão, esse, anda entretido com politiquices, com PS's, PSD's, CDS's e afins.
    Para as elites tem sido bom, tem sido um festim.

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    1. Trocamos a pesca por subsídios e bem, porque já não existe peixe nos mares suficiente para manter os niveis de consumo. O problema foi como foram distribuídos e utilizados esses subsídios.
      Acreditar que era possível manter a atividade piscatória que existia à epoca é ignorar as quotas atribuídas anualmente a cada país que são manifestamente insuficientes para as frotas existentes atualmente.

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  4. Um destes dias levo para o tribunal a minha mochila da Uber eats, só para o pessoal ver que não estou a brincar quando digo que faço entregas depois das 17h!

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    1. Força aí nas entregas. Infelizmente tem de ser. Mas sempre de cabeça erguida, ok!?

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  5. Se metade dos que aqui comentam, alguns nem escrever corretamente sabem, forem oficiais de justiça, entao algo vai muito mal.

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