E agora, que futuro esperar?
Entregue que está a proposta do Orçamento de Estado para 2022, aguarda-se agora a entrega das caixas da papelada que ainda anda a ser recolhida pelo SFJ, também na Assembleia da República.
Mas o que devia ser entregue não seria, antes, apenas uma ou duas questões?
O Governo cumpriu a Lei do Orçamento de Estado de 2021? E, antes dessa, cumpriu a Lei do Orçamento de Estado do ano anterior, de 2020?
Não e não; dois nãos para responder a ambas as questões.
A Lei 2/2020 de 31MAR, previu, no seu artigo 38º o seguinte:
«1 - A revisão do Estatuto dos Funcionários de Justiça, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 343/99, de 26 de agosto, deve estar concluída com a sua publicação no Diário da República até ao final do mês de julho de 2020.
2 - No âmbito da revisão referida no número anterior, deve ser concretizada a integração, sem perda salarial, do suplemento de recuperação processual, previsto no Decreto-Lei n.º 485/99, de 10 de novembro, no vencimento dos oficiais de justiça.
3 - No âmbito da revisão referida no n.º 1 deve ainda ser equacionado um mecanismo de compensação para os oficiais de justiça pelo dever de disponibilidade permanente, designadamente a atribuição de um regime de aposentação diferenciado.»
Ou seja, no nº. 1, a Lei impunha o prazo – até ao final do mês de julho de 2020 – para a conclusão da revisão do Estatuto e até a sua publicação em Diário da República. Claro que nem a conclusão nem a publicação aconteceram. No nº. 2 previa-se a interação do suplemento remuneratório no vencimento e no nº. 3 determinava-se um mecanismo de compensação pelo dever de disponibilidade permanente que poderia ser um regime de aposentação diferenciado.
Até ao final de julho de 2020. E nada! A Lei nunca foi cumprida pelo Ministério da Justiça, isto é, a lei foi incumprida pela ministra da Justiça e seu secretário de Estado. Em face do incumprimento, legislou novamente a Assembleia a República e, no artigo 39º da Lei 75-B/2020 de 31 de dezembro (LOE2021) volta a impor obrigações ao Governo, semelhantes às que havia antes imposto mas que não foram cumpridas, sendo as mesmas novamente e totalmente incumpridas pelos mesmos responsáveis do mesmo Ministério.
Para 2021, a Lei determinava assim:
«1 - Até ao final de março de 2021, é publicada no Diário da República a revisão do Estatuto dos Funcionários de Justiça.
2 - No âmbito da revisão referida no n.º 1, é equacionada a previsão de um mecanismo de compensação para os oficiais de justiça pelo dever de disponibilidade permanente, designadamente a atribuição de um regime de aposentação diferenciado.
3 - Durante o primeiro trimestre de 2021, o Governo avalia a viabilidade da integração da carreira de oficial de justiça no programa de pré-reformas.»
Se não foi à primeira, até 31 de julho de 2020, o Parlamento impôs novo prazo: até 31 de março de 2021. O que sucedeu este ano. Novo nada. A Lei voltou a não ser cumprida.
E agora, para 2022, qual será o mês escolhido para se impor o novo prazo? No passado já foi julho e março, e agora, com a nova Lei o que sucederá? Haverá sequer um novo prazo? Legislará diretamente a Assembleia da República substituindo-se ao Governo? Não sucederá nada de nada porque há já um agendamento de uma reunião para debater o Estatuto novo, baseado naquela abjeta proposta apresentada pelo secretário de Estado adjunto e da Justiça?
Sim, em vez de uma ou duas questões, aparecem logo quatro ou cinco, uma vez que, com este Governo, ninguém consegue nada; ou melhor: ninguém não; os Oficiais de Justiça não conseguem nada. Os Sindicatos são completamente ignorados e toureados, mas a própria Assembleia da República e as Leis da República, o são também.
Espantosamente, vimos vários dirigentes sindicais representantes dos Oficiais de Justiça a integrarem listas do Partido Socialista nestas últimas eleições autárquicas, precisamente neste momento em que os elementos desse Partido têm desgraçado a vida dos Oficiais de Justiça.
Mas, que mais terá que acontecer? Que futuro esperar? Contentar-se com o ajustamento salarial do ano passado de 0,3% e o deste ano, espantem-se, do triplo, de 0,9%?

"Espantosamente, vimos vários dirigentes sindicais representantes dos Oficiais de Justiça a integrarem listas do Partido Socialista nestas últimas eleições autárquicas, precisamente neste momento em que os elementos desse Partido têm desgraçado a vida dos Oficiais de Justiça."
ResponderEliminarPalavras para quê?
Sao agentes infiltrados. Tudo tranquilo!🙉
EliminarQue futuro esperar?
ResponderEliminarMais do mesmo. Prepotência da tutela e desmazelo, ignorância e preguiça sindicais.-
Estes sindicatos são uma vergonha para a classe dos oficiais de justiça! Dirigentes há anos sem qualquer motivação, sempre com os seus "tachos" ! E agora pertencem ao partido socialista! VERGONHA!! TENHAM VERGONHA!!!
ResponderEliminarFuturo dos Oj´s é simplesmente estagnação, desmotivação perante a não compensação devida, nem por via de salário, nem por via de promoções. Há uma coisa a fazer, fazer o minimo de serviço, pois a compensação por fazer mais é nula
ResponderEliminarMOVIMENTO EXTRAORDINÁRIO JÁ! PARA PROMOÇÕES!
ResponderEliminarComo é que nos deixamos chegar a este estado?
ResponderEliminarFácil, é ver a adesão à lutas (adequadas ou não) propostas por quem agora criticam.
EliminarOu assistir ao trabalho fora de horas (voluntário) por esses tribunais fora.
Que estavam à espera???
A resposta fácil, a culpa é sempre dos outros! Infelizmente demonstra bem o calibre da rapaziada que está nos sindicatos. A caravana também só serve para demonstrar a falta de percepção da realidade dos tribunais, daqueles que escolhidos pelos seus pares, deveriam ser os que melhor percepção têm dessa realidade. Mas não é assim. E pior é que nem conseguem percepcionar a imagem de absoluta inutilidade que transmitem, dando tiros no pé uns atrás dos outros.
EliminarAos sindicalistas a tempo inteiro deviam ser vedadas candidaturas por listas de partidos...
ResponderEliminarAs metamorfoses de um dirigismo sindical atrelado ao partido instalado no poder!
ResponderEliminarSimulam lutas da classe para manter a filiação,
Desrespeitam as deliberações democraticas aprovadas em plenários dos trabalhadores, com promessas de bombas inteligentes,
Oferecem "vicissitudes" à Senhora Ministra da Justiça, sempre que esta é confrontada no Parlamento acerca dos seus incumprimentos (o sindicato mais representativo dos OJ assim quer negociar tudo ao mesmo tempo..),
A greve ao trabalho extraordinário já não estava em vigor segundo o SEAJ, passou a estar graças à persistência e determinação do SFJ e, subitamente, "sabe-se lá porquê, parece já não estar,
Desmobilizam os trabalhadores num momento derradeiro, a poucos meses da apresentação do projeto de Lei do Orçamento de Estado no Parlamento para integrarem listas do Partido Socialista nestas últimas eleições autárquicas,
E voltam a simular lutas, para manter a filiação, com a organização uma caravana de entretenimento, uma verdadeira geringonça de um sindicalismo atrelado!