A muito boa Mentira, quase perfeita
Na tarde desta última quinta-feira (18NOV), o Governo publicou na sua página de Internet uma nota à comunicação social sobre a negociação coletiva do Projeto de Estatuto dos Oficiais de Justiça.
Começa assim:
«Com o intuito de oferecer aos cidadãos e às empresas uma justiça cada vez mais ágil, eficaz e eficiente, que se assuma como catalisador de desenvolvimento económico e social, o Governo apresentou um projeto de novo Estatuto dos Oficiais de Justiça (EOJ), com os seguintes traços essenciais:»
O Governo começa por dizer à comunicação social que o projeto que apresentou tem por “intuito oferecer aos cidadãos e às empresas uma justiça cada vez mais ágil, eficaz e eficiente…” Evidentemente, seguindo a lógica da Nota à Comunicação Social, qualquer cidadão menos informado concluirá que a rejeição dos Sindicatos constitui um obstáculo à tal justiça “cada vez mais ágil, eficaz e eficiente…”, assim se encontrando mais um bode expiatório para as incapacidades negociais democráticas deste Governo.
Na referida Nota é ainda referido que o Governo se esforçou por ir ao encontro das reivindicações dos Sindicatos, apresentando outra proposta, mas… mesmo assim, rejeitaram, desta forma se sublinhando o bode expiatório.
«Animado por uma atitude de grande abertura e flexibilidade, no âmbito do processo de negociação coletiva do EOJ o Governo entregou às estruturas sindicais um novo articulado, contendo várias soluções que traduzem um esforço de aproximação muito relevante às principais preocupações manifestadas pelos trabalhadores e também por outras instituições.»
Animadíssimo “por uma atitude de grande abertura e flexibilidade…” Ora, como todos sabem, não houve nenhuma animação nem nenhuma abertura ou flexibilidade ao que quer que fosse; o documento foi apresentado como fechado para pegar ou largar, portanto a atitude que animava o Governo não foi como diz, nem de grande nem de pequena abertura e flexibilidade mas precisamente o contrário, pelo que, ao afirmar o que afirma à comunicação social, o Governo apresenta uma Mentira, Mentira que constrói propositadamente com o intuito de enganar, ou que lhe é servida nesses termos por quem deveria ter negociado. Seja como for é uma Mentira completa.
Conclui a Nota do Governo à Comunicação Social assim:
«Na reunião de negociação coletiva que teve lugar no passado dia 10 do corrente mês de novembro, as organizações sindicais afirmaram não prescindir da consagração das seguintes soluções que consideram essenciais:» e passa a enumerar:
«Transição de todos os Oficiais de Justiça para carreira de nível 3; regime especial de aposentação; regime específico de avaliação, dissociado do sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho na Administração Pública [SIADAP]; manutenção da titularidade das atuais chefias, considerando que as mesmas devem ser consideradas categorias e não cargos.»
E a Nota termina do seguinte modo:
«Uma vez que estas reivindicações são incompatíveis com aspetos nucleares da filosofia subjacente ao projeto de EOJ, bem como com dimensões essenciais e estruturantes do regime geral da Administração Pública, concluiu-se não haver condições para prosseguir a negociação, posição ontem reiterada pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais e pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça, em comunicação conjunta dirigida ao Ministério da Justiça.»
Ontem mesmo ficamos também a saber, pela ministra da Justiça na sua entrevista ao Público, que a remodelação do Governo estava prevista logo para depois do fim da presidência do Conselho Europeu, em junho, tendo sido sempre adiada. Nessa remodelação prevista, a ministra da Justiça seria substituída. Tudo isto foi sempre publicamente negado pelo primeiro-ministro, sempre afirmando que não havia nenhuma remodelação prevista quando, realmente a havia e já todos a conheciam, mesmo fora do Governo; até aqui a anunciamos, mais do que uma vez, conforme era adiada, tendo a ministra da Justiça confirmado que o momento após as eleições autárquicas seria o último momento previsto para o fazer, tal como aqui nos fartamos de afirmar e agora surge perfeitamente confirmado pela ministra da Justiça cessante.
Ora, a mentira do primeiro-ministro é a mentira do Governo e a tática terrorista que usa é a seguinte: negociações sem qualquer inflexibilidade para a seguir se vitimizar e apontar a culpa aos outros aproveitando para fazer o que pretendia. Vimos isto a acontecer na sua máxima perfeição com as negociações do Orçamento de Estado com os partidos à Esquerda, mantendo uma postura inflexível que os obrigava ao voto contra e permitia dessa forma remodelação prevista, com ganhos acrescidos pela desorientação interna dos partidos da oposição à Direita, o apoio do novo partido satélite encontrado (o PAN) e a boa aposta na obtenção da maioria absoluta do PS, se não sozinho, com o complemento de deputados do partido satélite encontrado. Se o PSD tem como satélite o CDS e o PCP o PEV, o PS encontrou no PAN o apoio que lhe falta para a maioria absoluta e, por isso mesmo, ao longo da legislatura sempre foi acedendo às reivindicações desse partido, namorando-o e conseguindo o seu apoio, aliás, bem frisado pela dirigente do mesmo na sua intervenção duríssima na AR, contra tudo e contra todos, em defesa do Governo, aquando da votação do Orçamento de Estado.
Os cidadãos mais desatentos, e são muitos, atribuem as culpas de tudo aos partidos de Esquerda, porque o plano traçado pelo PS é mesmo muito bom e é quase perfeito, mas, tal como não há crimes perfeitos, porque há sempre uma ou outra ponta solta, mais tarde ou mais cedo acaba sempre por se desmascarar o plano, e, para isso contribuiu agora também mais um pouco a ministra da Justiça.
No mesmo sentido desse plano, cujas linhas gerais são a vitimização própria e a atribuição de culpas a outros, também com os Oficiais de Justiça foi usado o mesmo plano: inflexibilidade nas negociações para que o voto contra fosse dos Sindicatos e, assim, poder-se dizer ao mundo que a culpa é deles, dos sindicatos, que não quiseram viabilizar a dita tão boa proposta que tanta agilidade, eficácia e eficiência ia trazer aos cidadãos.
Esperamos que a 30 de janeiro os Oficiais de Justiça saibam, pelo menos, em quem não votar.

Fontes: “Nota do Governo à Comunicação Social de 18-11-2021”, eco na comunicação social, por exemplo no “Notícias ao Minuto”.
Eu, pelo menos, já sei em quem não vou votar. Não vou votar na propaganda. Irei votar em ideias, em gente esclarecida, não mesquinhenta e bafienta.
ResponderEliminarPS, nunca mais.
Contam com o ovo no cu da galinha, pode ser que se lixem
Que o PSD nao é amigo dos trabalhadores em geral, nem gosta dos funcionarios publicos, isso ja sabemos. Estamos a ver agora que o PS está a tornar-se apenas numa versão mais soft das politicas da direita, às vezes até parecem carrascos com o mundo do trabalho.
ResponderEliminarMas o Dec Lei 229/2005 foi de um governo Socialista!
EliminarDo Zézito e de António Costa!
CHEGA
ResponderEliminarVIVA PCTP-MRPP
EliminarGARCIA PEREIRA FOREVER!!✊
CHEGA mesmo!
Eliminar
ResponderEliminarVoto útil é à esquerda do PS
Não desta vez. O voto útil é todo aquele que tirar a esquerda do poder. Está na hora de mudar, porque já são muitos anos. Hora de dar mama a outros.
EliminarPropaganda pura e dura.
ResponderEliminarHavia alguma necessidade de tanta mentira.
Nós, da classe, sabemos como tudo o que o governo disse ey luta mentira e mais, toda a ideia do que queriam era a revelia das outras classes do sector da justiça. Órgãos de soberania que alertaram para a estupidez do que iria ser feito.
Ainda assim o governo continua com a mesma cNcO sarnksa.
Por aqui se vê, relativamente a outros assuntos será a mesma postura.
Mentira, arrogância, propaganda, aparecem como ovelhas nas são lobos ferozes.
PS propagandista, não obrigado, mais á esquerda, mais até esquerda, com quem realmente se importou connosco e com quem vive do rendimento do trabalho
Trauliteiros, fora, para o diabo que os carregue.
O observador:
ResponderEliminar"David Justino acusa ministra da Justiça de agir em interesse próprio. Van Dunem responde: É uma "infâmia"
O social-democrata considera que Francisca Van Dunem "esteve a negociar quanto vai receber quando sair do Governo". Ministério da Justiça fala na "morte da decência" e acusa Justino de "calúnia".
Ups!!!!
" tática terrorista" dos governantes que temos tido sem dúvida!
ResponderEliminarmorram todos os que matam a decência sem dúvida!