De reunião em reunião, não há negociação

      A reunião que deveria ocorrer ontem, dos sindicatos com o Ministério da Justiça, não aconteceu e não aconteceu porque ambos os sindicatos comunicaram ao Ministério da Justiça que não compareceriam à mesma.


      A comunicação enviada continha o seguinte:


      «Os Presidente do SFJ e do SOJ comunicam a V. Ex.ª que não estão reunidas as condições para realizar a reunião programada para amanhã, dia 4 de novembro. Todavia, e desde já, informam a sua total disponibilidade para se encontrarem as melhores soluções para a carreira dos Oficiais de Justiça. Atentamente/António Marçal/Carlos Almeida».


      Em resposta a esta comunicação os sindicatos receberam um e-mail com o seguinte conteúdo:


      «Nos termos e para os efeitos do disposto no n.º 5 do artigo 351.º da Lei n.º 35/2014, de 20 de junho (Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas), venho convocar V. Exas. para mais uma reunião de negociação coletiva do Projeto de Estatuto dos Oficiais de Justiça, que fica designada para o próximo dia 10 de novembro, pelas 10 horas e 30 minutos, reunião em que se prevê encerrar o procedimento negocial iniciado a propósito.


      Caso a reunião acima referida venha a terminar sem acordo e, nesse caso, algum dos Sindicatos representados por V. Exas. requeira, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 352.º da mesma lei, a negociação suplementar daquele Projeto, desde já se indica o próximo dia 17 de novembro, pelas 10 horas e 30 minutos, para a única reunião a realizar nesse contexto.»


      Ora, como já todos adivinharam, esta invetiva determinação teve origem no, ainda, secretário de Estado adjunto e da Justiça (SEAJ).


      Sobre esta marcação de reuniões a curto prazo, com pressa, e com o ultimato de encerramento do processo negocial, também do suplementar, diz o SFJ o seguinte: «Não cuidando, por ora, de nos pronunciarmos sobre o acima transcrito, lá estaremos para de viva voz, defendermos os interesses dos trabalhadores e a legalidade democrática.» Por sua vez, o SOJ refere o seguinte: «Salientar que a reunião não era para discutir/negociar o documento, apresentado no dia 29 de novembro, mas sim para encerrar um processo negocial, que nunca existiu. A resposta do Senhor SEAJ, aos Sindicatos, foi imediata – ontem à noite –, determinando nova data, dia 10 de novembro, em que pretende encerrar o processo, dito negocial, talvez para que os “mais altos” dirigentes do Ministério da Justiça possam, assim, apresentar “serviço”. Vamos aguardar, conscientes das nossas responsabilidades!»


      Realmente, o Ministério da Justiça tem uma férrea vontade de mostrar serviço, querendo propalar que cumpriu todos os aspetos necessários ao bom exercício do mandato, como este último Estatuto pendente, e apesar do recorte do tempo de duração do mandato que, subitamente, se vê reduzido a cerca de metade.


      As reuniões, considera o secretário de Estado adjunto e da Justiça, destinam-se a que os sindicatos aceitem a proposta apresentada; é este o conceito de negociação detido pelo Governo: “eu mostro-te o caminho, tu segues por ele e não se fala mais nisso”.


      Note-se bem que o referido dia 10 de novembro (a próxima quarta-feira) está indicado para ser a última reunião das ditas negociações, quando não houve ainda nenhuma negociação, apenas uma apresentação, de surpresa, no decurso de uma reunião.


      E deixou ainda o aviso de que mesmo no caso de algum dos sindicatos não se conformar com o encerramento da reunião nesse dia 10, poderá ser usada a prerrogativa de negociações suplementares que o SEAJ limita desde já a mais uma reunião; a derradeira, encerrando nessa altura o processo negocial.


      Ou seja, o SEAJ confunde “negociação” com “reunião”. Crê que o simples facto de marcar uma ou duas reuniões é suficiente para concluir o processo negocial. Não imagina sequer que possa haver temas que careçam de uma aprofundada análise e que a mesma se prolongue por mais do que uma reunião, porque não concebe a negociação mas apenas quer cumprir o formalismo da reunião.


      Claro que isto não é negociação, mas imposição. E, claro, que esta postura do SEAJ cessante, no atual contexto de cessação do Parlamento e do Governo, não faz qualquer sentido.


      Diz o Governo que «Caso a reunião acima referida venha a terminar sem acordo e, nesse caso, algum dos Sindicatos representados por V. Exas. requeira, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 352.º da mesma lei, a negociação suplementar daquele Projeto, desde já se indica o próximo dia 17 de novembro, pelas 10 horas e 30 minutos, para a única reunião a realizar nesse contexto.»


      Indicia ainda este aviso, pelo menos assim o intuímos, que o Ministério da Justiça pondera que haja um sindicato discordante, logo, porque não, um outro mais colaborante. Para o sindicato discordante poderá realizar-se tal reunião suplementar, mas apenas uma, que servirá também de encerramento de algo que ainda não existiu.


      Estamos em crer que existe uma forma possibilidade de se poder vir a aceitar a proposta de Estatuto na generalidade e passar de seguida para a especialidade, negociando um par de coisas aqui e acolá mas cedendo à ideia geral da proposta, designadamente à divisão da carreira, com o argumento que do “mal menor”; “se não fossem estas alterações introduzidas ficava como estava”, “era pior se não tivéssemos negociado estes três aspetos”… Enfim, haverá sempre explicações para o colaboracionismo.


      Este vil ataque aos Oficiais de Justiça, por parte do secretário de Estado adjunto e da Justiça, limitando qualquer pretensão de negociação e querendo empurrar os sindicatos para uma aceitação às cegas; este tipo de ataque, dizia-se, é vil.


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      Fontes: “SFJ” e “SOJ”.

Comentários

  1. JÁ FOMOS !!!

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  2. Um procedimento eivado de ilegalidades. Espero a competente acção por parte de um sindicato.

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  3. Pode haver algo que me escape, mas nao percebo tanto alarido com a divisão da carreira.
    Penso que o essencial é dar oportunidade a TODOS de progredir, mesmo que se exiga que se "queime as pestanas" a estudar como condição de acesso e de manutenção do lugar; e que se ofereçam salários que contribuam efetivamente para melhorar as condições de vida de cada um.
    As percentagens de acesso a cargos de chefia é um nao assunto desde que se preencham efetivamente todos os lugares vagos, com clareza e em igualdade de circunstâncias.
    Por outro lado, quem quiser optar pelo laxismo do deixa andar e ficar sossegadito no seu lugar, tb terá o seu espaço.
    A unidade de carreiras do judicial e Mp podera ser a situacao que oferece mais críticas, mas nao é isso que na pratica ja acontece em inúmeros núcleos, quando o AJ recorre à distribuição de funcionários para normalização dos serviços, ou quando o Secretário mobiliza temporariamente funcionarios com base no dever de colaboração estatutariamente previsto?
    Caso contrário os serviços do MP ja tinham entrado em colapso em varias comarcas.
    Ou seja , por alguns defeitos que este projeto tenha, é esta a oportunidade que temos de melhorar a nossa condição e dignificar a nossa posição enquanto elemento essencial no funcionamento do servico de justiça.
    É certo que um mais qie provável proximo governo liberalizador de bloco central nada trará de melhor.

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    1. Aí estão os yes man's ou como se diz em bom Português, os lambe-botas.
      Há sempre alguém que não se importa de dobrar um bocadinho e que pensa que é muito melhor que os outros.
      Caro colega se acha que se está a perder nos Tribunais e que sendo licenciado devia ser tratado como doutor tem sempre a mobilidade e pode demonstrar as suas capacidades noutros ministérios.
      Não se fique por aqui...

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    2. Nem mais! que desperdício de gene licenciada sendo OJ, esquecendo-se que quando concorreu a regra era 11º ou 12º e que se queria ser tratado como Senhor doutro, tinha concorrido ou pode ser concorrer para outros lugares ou para o CEJ.
      Agra vir dividir licenciado e os restantes depois de ter vindo para Oj é miserável!

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    3. no comprendo!!!!! Infiltrado?????

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    4. hum.... cheira-me a que este comentário não é de Oficial de Justiça…
      Atenção que andam aí comentários não OJ com intenção de dividir para alguém reinar…
      Comentando apenas um parágrafo (não vale a pena perder mais tempo) «[…] Ou seja, por alguns defeitos que este projeto tenha, é esta a oportunidade que temos de melhorar a nossa condição e dignificar a nossa posição enquanto elemento essencial no funcionamento do servico de justiça.»:
      1. por alguns defeitos que este projeto tenha? Meu caro, o projeto não tem uma qualidade que seja… É sim, um grande defeito, uma grande nódoa.
      2. é esta a oportunidade que temos de melhorar a nossa condição e dignificar a nossa posição? Ora!, Este projeto só vai é piorar a condição e dignificar é coisa que não se vê, pelo contrário, é humilhar e reduzir ao mínimo a dignidade e elevação da carreira
      3. enquanto elemento essencial no funcionamento do serviço de justiça? Conversa da treta, pois todos sabemos que este projeto quer colocar definitivamente o OJ como simples elemento administrativo dispensável, mobilizável e flexível, sem horário de saída, submisso e escravizado.
      Como diria o Chico Buarque, «Vai trabalhar, malandro».

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    5. Recorrer à teoria dos lambe botas para justificar a posição de alguns colegas, é algo gasto e que nao perco tempo a alimentar.
      O seu problema chama-se preguiça!
      Nao faço qualquer questao no titulo de Dr, e encaro a licenciatura como um instrumento para atingir objetivos, e o fundamento para exigir o reconhecimento da complexidade das minhas funções, mesmo que tal traga mais responsabilidade.
      Agora exigir o grau 3, mas quando toca a tirar os códigos e manuais da gaveta ( se tiverem la claro), começar a clamar aos deuses de que sofrem injustiça, é demasiado caricato.
      Desde que existam concursos e regras transparentes, acho muito bem que o acesso e manutenção de cargos de chefia estejam condicionados à titularidade de formação académica adequada, e à prestação de provas periódicas ao longo da carreira, que demonstrem preparação técnica e qualidade do trabalho prestado, e que acabem com sentimento de que esses lugares sao definitivos.

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    6. Bem dito!

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  4. Ou, um dos sindicatos (FRACOS QUE TEMOS) marca já uma greve geral para todo o mesmo de janeiro ou, então, JÁ FOMOS.

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  5. Tresanda a imposição




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  6. Estou de acordo com a divisão da carreira em dois. O estatuto dá oportunidades a ambos os lados.Não se pode pensar em que a ministra está com pressa agora. Mais vale tarde do que nunca. Se os sindicatos tivessem comparecido e sugerido reuniões posteriores, com a vontade que a ministra está, já poderia haver mais progressos neste momento. O próximo governo poderá ser sensivelmente o mesmo e vai-se continuar a negar negociações? Se for para isso, mais vale não haver sindicatos

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    1. leva a ministra o restante para casa, pá!

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    2. Diz "...oportunidades a ambos os lados", deve ser mais a um lado que a outro. A oportunidade que dão é a estagnação.
      E, mesmo os OJ licenciados desenganem-se pois não cabem lá todos. É só para alguns.
      Mas é claro que a ministra está com pressa.
      Se estamos mal agora, também estaremos mal depois, seja com este ou com outro Governo.
      É só ver o desinvestimento feito à Justiça nos seus vários departamentos.
      Estão a pensar que vão ter, com a divisão da carreira em dois, bons salários? Pois, pois. Esperem sentados. É mesmo só para alguns.

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    3. Nem se tratar de concordar ou nao.
      Consultando a tabela de graus de complexidade funcional da DGAEP, constata-se que ao grau 3 está inerente a titularidade de licenciatura ou grau académico superior.
      Daqui só posso constatar que alguem andou a reclamar o reconhecimento do grau 3 sem estar devidamente informado sobre os requisitos da
      sua atribuição.
      Se nos registos reconheceram a todos fizeram mal, pois trata-se de um absurdo sem sustentação legal.
      E como no nosso estatuto só deviam transitar para coordenador de unidade os escrivães licenciados, é que é bastante razoável que todos tenham que voltar a frequentar cursos e prestar provas.
      Goste-se ou não, nao fazia qualquer sentido atribuir o grau 3 sem este vasto conjunto de exigências.

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  7. NOJO! POSTURA DE GOVERNANTES QUE METE NOJO! VÃO MORRER LONGE!

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  8. Aprovar um estatuto sem regime específico de aposentação é criminoso!




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  9. Não tarda, vamos ver o SFJ a pedir créditos e a gabar-se de ter conseguido o nível 3 (parcial e a que preço !!).

    Aliás, já pululam hoje por aqui certos comentários que não escondem de onde vêm e ao que andaram e andam.

    Agora que já viram ser uma inevitabilidade, tentam contornar a coisa dizendo que afinal não é assim tão mau.
    Pois desenganem-se !!
    Andam por aí umas centenas de licenciados que já estão a fazer contas à vida.
    Pois bem, a esses, apenas tenho a dizer que irão ver ALGUNS não licenciados a chegar a escrivão mais depressa do que vocês.
    Aos restantes não licenciados que nunca mais sairão da cepa torta...parabéns!! Voltamos à figura do Oficial de Diligências, pois ao menos, não mais fareis do que isso. Diligências.
    O Sr. Juíz que espere, tenho 65 e mal consigo andar com as artroses, e não tenho dinheiro para ir a ginásios, SPAS, e comprar medicação !!

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    1. Não percebi essa dos parabéns aos não licenciados?? faça lá um desenho e desfrute da reforma

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    2. no comprendo!!!!! Infiltrado?????

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    3. Ironia, companheiro. Ironia. Não há nada de parabéns para esses. Mas muitos andaram a fazer campanha para o nível 3. Ou não andaram??

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  10. Encerrem de vez os tribunais; privatize-se a Justiça (como já fizeram em parte com a acção executiva); arbitragem particular para quem a quiser pagar. Está o assunto resolvido: arquive-se.

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  11. Faço só um comentário se o SFJ, for de acordo com este projecto, pensar que seja em aceitá-lo, acabaram os euros para eles. Proponho que todos os oficiais de justiça façam o mesmo. Deixem de pagar para sindicatos ou mudem para que se opor ao projeto. Em 20 anos os sindicatos só serviram para jantaradas e festas de natal, ou discutir a substituição de funcionários por logaritmos.
    Os "mans" dos sindicatos que vão viver com o salário de nível três e os subsídios das juntas de freguesia de alguns, acabam-se os almoços e jantares á pala dos camelos. E mais uma coisa muitos acaba-se o tacho têm que ir para as secretarias, andaram agora em caravana a saber onde ficam. Será que sabem trabalhar lá?

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  12. Como diz o outro, "asseitem" que dói menos ...

    Eu já me mentalizei. Creio que já nada há a fazer, até por que, parece-me, os sindicatos não têm grande vontade. Resta-nos a resignação.

    Os Tribunais vão tornar-se num enorme pântano. E nós vamos lá estar e ver!!

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