Etiam Periere Ruinae

      O Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) publicou no início deste mês uma nota informativa na qual descrevia a reunião do dia 29OUT, aquela reunião em que «o Senhor SEAJ tirou uma “vaca voadora da cartola” e entregou aos Presidentes do SOJ e do SFJ um documento que apresentou, como sendo uma nova proposta melhorada», como descreveu o SOJ, apelidando de seguida o atual Ministério como “Moribundo”.


      Pois esse estado agonizante do atual Ministério remonta já a um momento anterior a junho deste ano, conforme relatou a ministra da Justiça ao Público.


      De acordo com a ministra da Justiça, a sua saída estava já combinada para a remodelação governamental a efetuar após o final da presidência do Conselho Europeu (30JUN), tendo sido sucessivamente adiada. Nessa remodelação prevista e combinada, a ministra da Justiça seria substituída. A remodelação combinada foi sempre publicamente negada pelo primeiro-ministro, sempre afirmando que não havia nenhuma remodelação prevista quando, realmente a havia e já todos a conheciam, mesmo fora do Governo; tal como aqui a anunciamos, mais do que uma vez. A ministra da Justiça confirmou também o momento mais recente previsto, após as eleições autárquicas, tal como aqui nos fartamos de afirmar, e agora surge perfeitamente confirmado pela ministra da Justiça cessante.


      Assim, pelo menos desde esse momento da combinação, anterior a 30 de junho, que a ministra da Justiça sabia que, a todo o momento, seria substituída.


      Na reunião de 29OUT, diz o SOJ na mencionada nota informativa, o seguinte:


      «A Senhora Ministra da Justiça abriu os trabalhos, fazendo uma breve resenha das circunstâncias e razões que conduziram a esta reunião. Tratou-se de uma narrativa emocional, já muito gasta, eivada de sentimentalismos, eventualmente por um fim de ciclo e sem quaisquer respostas para os verdadeiros problemas da carreira dos Oficiais de Justiça.»


      Portanto, a análise do SOJ naquele momento, apontando para uma “narrativa emocional já muito gasta” e em “fim de ciclo”, bem diagnosticava o embuste e a perda de tempo a que os Oficiais de Justiça estavam destinados: «Sem quaisquer respostas para os verdadeiros problemas da carreira dos Oficiais de Justiça.»


      O estado moribundo nota-se ainda na descrição que o SOJ faz da postura da ministra da Justiça cessante:


      «A Senhora Ministra informou, então, o SOJ que, caso a proposta não fosse aceite, ainda durante a reunião, iria retirá-la, pois que essa proposta é de sua autoria, do seu Governo e, consequentemente, não permitiria que outro Governo a usasse como base de trabalho. Perante isto, a estupefação foi geral, com a total ausência de sentido de Estado, por parte da governante!»


      Em suma, a carreira dos Oficiais de Justiça tem passado por muitas e variadas vicissitudes, mas ainda não tinha passado por nada disto, com um Ministério da Justiça estertorante.


      Se o estado da carreira e dos Oficiais de Justiça estava arruinado, com o estertor destes últimos tempos e agonizantes vicissitudes, a carreira e cada um dos Oficiais de Justiça ficaram ainda mais arruinados.


Desmoronamento.jpg


       Fontes: "SOJ" e “Público”.

Comentários

  1. Deixai a senhora ir embora e, pelas alminhas, que o seu futuro não se volte a cruzar com o futuro da classe. Estamos fartos de bandeiras, queremos pessoas, a resolver os problemas
    Que seja feliz, mas muito longe de nós

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  2. O Sol - 15 de janeiro de 2019

    "A ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, no discurso da abertura do ano judicial fez um balanço sobre os três anos em que está a frente da tutela, tendo afirmado que honrou os compromissos “para com a Justiça portuguesa”. Além disso, disse ainda que conseguiu, “na geometria do possível, melhorias efetivas nas condições de desempenho no sistema judicial”.

    A governante falou também sobre a questão da lutas laborais, uma vez que na rua acontecia uma manifestação de centenas de funcionários judiciais, mesmo à porta do Supremo Tribunal de Justiça, onde estava a decorrer a cerimónia de abertura do ano judicial. “Decorre lá fora uma manifestação de oficiais de justiça. Estariam melhor cá dentro, que é o lugar deles, do que lá fora”, disse Van Dunem.

    “As expectativas geradas com a melhoria do ambiente económico e da saúde das finanças públicas romperam os diques que vinham contendo longos anos de insatisfações acumuladas de algumas classes profissionais da área da Justiça e gerar movimentos reivindicativos legítimos”, referiu a ministra que, de seguida, afirmou que, ainda assim, não é possível satisfazer todas as reivindicações ao mesmo tempo... "

    Honrou compromissos? !...

    Olhe que não olhe que não!

    Não é possível satisfazer todas as reivindicações ao mesmo tempo!...

    Apesar das classes profissionais prioritárias da Senhora Misnistra da Justiça serem sobejamente conhecidas por todos, desde janeiro de 2019 até hoje já decorreram quase mais três anos.

    Não Senhora Ministra, só não honrou os compromissos assumidos como inclusivamente discriminou a classe dos Oficiais de Justiça incluindo, pasme-se, até no processo de vacinação.

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