Perceba-se que negociação não é só marcar reuniões

      É hoje a desejada última reunião da alegada negociação do Governo com os Sindicatos que representam os Oficiais de Justiça. A desejada última reunião por parte do Governo que tem agora muita pressa, tanta, que gostaria tanto de levar o presente em oferenda ao Conselho de Ministros de amanhã quinta-feira, oferta para que António Costa possa propagandear o fim das revisões estatutárias na Justiça.


      Sabe-se que o Governo está a prazo até à dissolução do Parlamento no final deste mês, pelo que os elementos do Ministério da Justiça querem fazer agora, em dias, o que não fizeram em anos.


      Os elementos do Ministério da Justiça sabem que têm que fazer um brilharete qualquer para ver se se aguentam para o próximo governo que sair das eleições de janeiro, especialmente aqueles que não querem regressar aos tribunais e até já se esqueceram do que é trabalhar num tribunal. Portanto, com um brilharete qualquer poderão cair nas graças de António Costa e ser reconduzidos, ou mesmo promovidos, ou ainda, pelo menos, conseguir um tachito qualquer numa entidade que pague mais ou menos.


      Quem faz favores aos elementos do PS conta sempre com contrapartidas, e tem toda a razão para as querer, porque o PS não fica a dever nada a ninguém; paga todas as dívidas, ou compra todos os favores, e esta é mais uma forma.


      Sabendo-se que tudo está na reta final, os governantes a prazo dão o litro para conseguir os seus objetivos, fazendo tábua rasa de qualquer aspeto que se intrometa à frente das suas pretensões. Neste percurso voraz, as pretensões dos Oficiais de Justiça são meros empecilhos que têm que ser ultrapassados rapidamente, obviamente sem os valorizar porque se fossem valorizados seriam obstáculos que não permitiriam esta celeridade absurda.


      Recorde-se que o secretário de Estado adjunto e da Justiça enviou a seguinte convocatória aos sindicatos:


      «Nos termos e para os efeitos do disposto no n.º 5 do artigo 351.º da Lei n.º 35/2014, de 20 de junho (Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas), venho convocar V. Exas. para mais uma reunião de negociação coletiva do Projeto de Estatuto dos Oficiais de Justiça, que fica designada para o próximo dia 10 de novembro, pelas 10 horas e 30 minutos, reunião em que se prevê encerrar o procedimento negocial iniciado a propósito.


      Caso a reunião acima referida venha a terminar sem acordo e, nesse caso, algum dos Sindicatos representados por V. Exas. requeira, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 352.º da mesma lei, a negociação suplementar daquele Projeto, desde já se indica o próximo dia 17 de novembro, pelas 10 horas e 30 minutos, para a única reunião a realizar nesse contexto.»


      A reter:


            –1– “Reunião em que se prevê encerrar o procedimento negocial” e


            –2– “Para a única reunião a realizar”.


      A previsão é, obviamente, que a tal única e última reunião venha a ocorrer para a semana, a 17NOV, cerca de uma semana antes da dissolução da AR anunciada pelo Presidente da República.


      Será que o secretário de Estado terá a ousadia de ir a correr entregar a sua proposta de Estatuto, não negociada, para que o Conselho de Ministros tenha a desfaçatez de, também a correr, a apresentar ao Presidente da República e este teria a cegueira de a promulgar, com ou sem anotações de reservas, como costuma fazer?


      Será que vamos assistir a toda esta desenfreada correria; a todo este desvario?


      Claro que é possível, no entanto, não haverá pelo meio, só pelo meio, quem trave a insensatez?


      Será que o anúncio de uma greve de dimensão significativa não poderá acautelar, já, os interesses dos Oficiais de Justiça? Será que este governo cessante que se apresenta a eleições em janeiro e que ambiciona uma maioria absoluta, que hoje não se vislumbra, portanto, em que cada voto conta, estará disposto a passar pela contracampanha de uma greve que paralise a Justiça durante todo o período do processo eleitoral? Em plena campanha?


      O aviso prévio de greve nem sequer tem que ser entregue já, mas o anúncio da greve tem que ser imediatamente divulgado.


Pressa.jpg

Comentários

  1. "Artigo 352.º
    Negociação coletiva suplementar
    1 - Terminado o período de negociação sem que tenha havido acordo, pode abrir-se uma negociação suplementar, a pedido das associações sindicais, para resolução dos conflitos.
    2 - O pedido para negociação suplementar é apresentado no final da última reunião negocial, ou por escrito, no prazo de cinco dias úteis, a contar do encerramento dos procedimentos de negociação previstos no artigo anterior, devendo dele ser dado conhecimento... "

    Caso seja encerrado o procedimento negocial na reunião de hoje, o requerimento para uma negociação suplementar deve ser apresentado no último dia do prazo às 17h00., ou seja no dia 17 de novembro.

    O Sr. SEAJ vai ter que ter paciência e designar uma outra data para a negociação suplementar. porque os prazos legais são inegociaveis.

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    1. A partir de 17nov o governo aprova o estatuto com ou sem acordo, caso assim entendam.
      A negociacao visa promover a desejada paz social mas nao é vinculativa.

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    2. O dia da imposição?

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  2. Esse silêncio do SFJ não é compreensível! Depois do desastre da caravana agora os dirigintes sindicais andam também em (caravana) a passear pelo nosso Portugal em reuniões sem transmitir quaisquer informações aos seus associados.

    Não se percebe nada!!

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  3. Não tem nada a ver, e no entanto... "João Leão mantém os prémios máximos para os funcionários do fisco"!!!

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  4. NEGOCIAÇÕES DE CANALHAS! CRIANÇAS! PUTOS!

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  5. Chega de política! Trate-se dos interesses dos OJ! Negociar até não ser mais possíve! Exemplos pelo que se vê nas televisões: uns professores não substituem outros que estejam em falta. Isto faz com que haja mais professores colocados. Pedem alojamento grátis/subsidiado para os deslocados. Dizem que isso acontece noutras classes classes na Administração Pública. Dizem que os salários são muito baixos( acho que gue ganham melhor que os OJ). E tudo isto é propalado nos diversos meios de comunicação! Parece que são só eles que trabalham a 300km de casa.
    Se não se conseguir numas propostas, apresentem-se outras. Insista-se!

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  6. A minha sorte é que só me faltam 20 anos para a reforma ...

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    1. É nisso que penso... Mas é mesmo!!

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  7. Já há novidades da reunião de hoje? Realizou-se?

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  8. O estatuto pode ser aprovado por decreto-lei e não por lei. Portanto não tem necessariamente de ser aprovado pela assembleia da República l. O governo tem competência legislativa para o aprovar. Poderá é posteriormente ser sujeito a apreciação parlamentar. E ser sujeito a veto político do PR ou fiscalização preventiva da constitucionalidade.

    Do ponto de vista estritamente juridico, o governo pode perfeitamente aprovar o decreto-lei, em Conselho de ministros,e remete- lo para PROMULGAÇÃO.Mesmo com a Assembleia da República já dissolvida.

    Agora, não estou a ver o governo a comprar uns guerra político-sindical nesta fase. E do ponto de vista político é questionável um governo que já sabe que está a prazo estar a decidir medidas com esta dimensão socioprofissional de uma classe.

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    1. Não tenham ilusões, o estatuto vai ser aprovado, e como foi apresentado, com mais uma mexida daqui ou dacola, mas o essencial é o que o deus menor apresentou

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  9. Respostas
    1. Aguardamos que nos informem qualquer coisinha!...

      Houve reunião?
      Foi encerrado o processo negocial?
      Vão requerer uma negociação suplementar?

      Qualquer cosinha ainda hoje!

      Depois, com mais tempo, podem elaborar um comunicado mais detalhado.

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    2. Começa a cheirar-me a esturro...


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    3. Agora os sindicalistas estão a jantar com o tio Mário.
      Coitados, têm de comer e descoansar. Há que fazer pela vida.

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  10. Já saiu o comunicado do sindicato

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  11. Um amigo contou-me que, após a tal "reunião", os "nossos" representantes sindicais se encontram num conhecido restaurante lisboeta a usufruir de abastado (e bem regado) repasto.
    Mas descansem "camaradas" que a conta será dividida e a cargo dos usufrutuários.
    Concerteza q assim será. Não seria de esperar outra coisa!

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  12. Um amigo contou-me:
    após a tal "reunião" de hoje, os "nossos" representantes sindicais encontram-se num conhecido restaurante lisboeta em abastado e bem regado respasto.
    Mas descansem "camaradas" que a conta será dividida pelos usufrutuários.
    Não seria possível esperar outra coisa!
    Quanto ao teor da "reunião", à semelhança daquelas reuniões q acontecem por esses Tribunais fora, o mesmo vai ser diviguldado na medida das conveniências de cada um.

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