Não há palavras para isto

      Os Oficiais de Justiça devem estar, muito provavelmente, ainda bem recordados das desculpas interpretativas da Lei para que não se realizassem promoções; como não houve.


      Disse-se que a Lei do Orçamento de Estado 2/2020 de 31MAR, no seu artigo 17º, não se referia a promoções mas tão-só a “alterações de posicionamento remuneratório, progressões e mudanças de nível ou escalão”.


      E houve mudanças de nível remuneratório, pelas progressões, mas não houve promoções.


      Tudo isto sucedeu enquanto Francisca van Dunem foi ministra da Justiça e só em relação aos Oficiais de Justiça, porque mal passou a ser também ministra da Administração Interna, logo, logo, passou a ler a mesma previsão legal com outros olhos e no início deste mês exarou isso mesmo no seguinte despacho:


      «A Lei n.º 75-B/2020, de 31 de dezembro, que aprovou o Orçamento do Estado para o ano de 2021 (LOE 2021), prevê que em 2021 o Governo dê continuidade ao plano plurianual de admissões nas forças de segurança, permitindo, ainda, que o número de elementos a recrutar fosse ajustado para contemplar o efetivo previsto e não recrutado no ano anterior. Esta medida, que visa manter um elevado grau de prontidão e a eficácia operacional dos efetivos policiais, não estabeleceu, à semelhança da anterior LOE, qualquer limitação do desenvolvimento das carreiras.


      De facto, o n.º 1 do artigo 17.º da LOE 2020 veio prever expressamente que a partir de 2020 era retomado o normal desenvolvimento das carreiras, no que se refere a progressões e valorizações remuneratórias.»


      Portanto, “de facto” o tal nº. 1 do artigo 17º da LOE é agora usado para permitir as promoções.


      Espantosamente, o mesmo preceito legal que serviu para impedir as promoções dos Oficiais de Justiça, no âmbito do Ministério da Justiça, serve agora, no âmbito do Ministério da Administração Interna – note-se bem: o mesmíssimo preceito legal –, para permitir promoções.


      Prossegue o despacho justificando a necessidade das promoções por se considerar “imprescindível garantir o bom funcionamento da instituição através, nomeadamente, da promoção dos seus militares ao posto imediato, possibilitando o provimento dos lugares e cargos constantes da respetiva orgânica por militares com o posto que legalmente lhes corresponde, tendo em conta o nível de responsabilidade inerente às funções a exercer, atenta a especial relevância das competências que lhes estão atribuídas, assegurando-se assim a regularidade do seu exercício e o seu eficiente desempenho.”


      E assim são promovidos 1726 militares da GNR, contra zero Oficiais de Justiça dizendo-se que não havia previsão legal para o efeito.


      É verdadeiramente impressionante o espezinhamento e a hipocrisia em relação aos Oficiais de Justiça, perpetrado pelos elementos dos dois últimos governos PS, partido que agora ambiciona uma maioria absoluta para poder governar com maior à-vontade.


      Fonte: Despacho publicado no Diário da República esta segunda-feira 20DEZ, acessível através da seguinte hiperligação: “DR”.


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Comentários

  1. Bom dia.

    Realmente é de lamentar a falta de coerência desta "senhora". Espero bem que os nossos sindicatos estejam atentos e que se mexam. Os oficiais de justiça estão a ser gozados e isso não podemos tolerar.

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  2. Compreendam uma coisa, as promoções são mais que justas e merecidas para muitos funcionários que já têm mais de vinte anos de carreira e que se mantêm como auxiliares. Mas reparem, como pode haver promoções se não há novos funcionários a entrar?! Acho que primeiro que tudo devíamos lutar por uma revisão da tabela salarial por forma a atrair novos funcionários para a carreira. E com a admissão destes, aí sim, exigir as tão merecidas promoções.
    Querem promoções para continuarem a fazer julgamentos e a juntar papéis? Não me parece que seja esse o caminho.

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    1. Exatamente. Foi exatamente isso que aconteceu na GNR. Foram autorizadas as 1726 promoções porque entraram 1726 novos guardas.
      Ou será que não foi?
      Tome nota: ninguém quer as promoções para ser diferente, quer para ganhar mais dinheiro, é para isso que cá andamos, pelo dinheiro, mais nada.

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    2. Ao contrário.
      Não é questão de entrar mais gente.
      É questão de sair gente, que não deixam sair !!
      Só com vagas se poderá sair desta situação.
      Você entra no metro com ele cheio de gente ou espera que ele se esvazie para poder entrar, há?
      Lá está...

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    3. E VOCÊ quer que saiam funcionários para a reforma sem terem ainda completado a idade e os anos de serviço necessários para tal?
      Querer eu sei que quer e eu também quero.
      Mas como bem sabe, tal não é possível.

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    4. Exatamente. Atendendo à especificidade da profissão e sua natureza especial, deveriam todos sair mais cedo.
      Como compreende que um militar que passa a vida na sua maioria das vezes a fazer que faz, fechado no quartel, se reforme dez anos antes de si? Acha normal?
      Se acha bem ficar a trabalhar até ao setenta ou perto disso...já é outra conversa!! Assuma-o, então !!

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    5. Mas que especificidade?! Tirando algumas raras excepções, qualquer assistente técnico de uma escola consegue fazer o que nós fazemos. Aliás, muitos de nós oficiais de justiça vieram das escolas.

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  3. E porque é que isto acontece? Porque os sindicatos dos OJ não se fazem ouvir, como os das polícias. Concluo que tanto silêncio se deve ao medo que têm do governo!

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    1. Todos sabemos que não é mentira que os Oficiais de Justiça tenham razões de queixa dos sindicatos.
      Má estratégia, más opções, colagem a estes e àqueles e barriga cheia.
      Mas também sempre que aparece mais uma notícia deprimente andar por aqui a massacrar também já enjoa.
      O sindicato somos nós todos.
      Não vale a pena querer um sindicato como o dos Estivadores e depois haver colegas que não fazem greves porque é quinta feira, ou porque isto e aquilo.
      Não vale a pena querer um sindicato forte e depois na hora H, vamos todos votar nos mesmos do costume.
      Reclamamos muito, mas geralmente depois baixamos a crista.
      Os sindicatos são um espelho da classe.
      FF

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  4. Mexendo na aposentação as progressões passarão a ser inevitáveis!

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  5. O artigo é factual e afasta especulações. Mas os comentadores entram pela especulação, afirmando que a questão são os ingressos, o que dá logo argumentos ao governo, que a culpa é dos sindicatos, como se os sindicatos da GNR tivessem feito mais do que os nossos, encontrando sempre razões para não criticar o governo. Talvez por isso haja dirigentes sindicais nas listas do PS. Afinal o problema não são os membros do governo, aos olhos de alguns comentadores.

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    1. Dirigentes sindicais nas listas do PS e que até nos representaram no processo negocial!...

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    2. Gostava muito de saber os nomes. Estou farto de ler sobre isto, já percorri as listas de candidatos e não encontrei nada. Agradeço se alguém puder indicar de quem se trata.

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  6. Pois, pois, e como se não bastasse, as promoções que houve em 2018 para Secretário de Justiça, foram como foram e que acabaram por ser consideradas inconstitucionais, mas nem assim houve qualquer alteração.
    É o País que temos, e os políticos em que o povo votou. E certamente que continuará a votar, pelo menos por aqueles que têm vindo a ser favorecidos em detrimento da competência e do conhecimento.
    Bom Natal a todos.

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  7. Tudo está nas virgulas, local e estado de alma.
    De manhã, lê-se para o lado esquerdo, de tarde para o direito. Depois de almoço já a interpretação é outra!!!!!
    O nosso grande problema é sermos invisíveis e trabalharmos perto de gigantes que nos sugam todo o sol.
    Tenham um bom natal e boas entradas e esperemos que o ano novo comece, COM MUITA, MAS MESMO MUITA, MUITISSIMA, VONTADE DE LUTAR. Caso contrário, para o ano, continuamos com as mesmas lamechas e lamúrias.

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  8. É que quando chegar o novo governo, vão continuar com as mesmas estratégias e a queixar-se do novo ministro! Só lamúrias e mais nada!

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  9. Muito ânimo a quem já estava em "modo Natal" e que afinal ainda vai trabalhar amanhã ...

    Boas festas e não se esqueçam de amanhã à noite brindarem à saúde da sra. Ministra

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  10. Moral da história:
    Enquanto estiverem asseguradas "promoções" apenas para os escovas do SFJ ...
    Os restantes chucham no dedo!

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