Divulgação de programas eleitorais: hoje o do PS

      Por estes dias – e até à eleição do próximo dia 30 –, apresentaremos extratos dos programas dos partidos que concorrem a estas eleições (dando prioridade àqueles que têm assento parlamentar), na parte em que podem interessar diretamente aos Oficiais de Justiça.


      Hoje apresentamos um extrato do programa do Partido Socialista (PS).


      No capítulo intitulado “Valorizar, capacitar e rejuvenescer a Administração Pública” (note-se bem a expressão “rejuvenescer” a Administração Pública), o PS diz o seguinte:


      «A prestação de serviços públicos de qualidade e orientados para os cidadãos e para as empresas exige uma Administração Pública com profissionais tecnicamente capazes, dirigentes aptos a tomar decisões complexas e bem fundamentadas, com capacidade de planeamento e de execução de políticas, que funcione em rede e de forma ágil e desburocratizada.


      A atração e retenção de talento na Administração Pública constitui, assim, uma das grandes apostas para a modernização e melhoria dos serviços prestados.


      Nos últimos anos, o PS reforçou o investimento na contratação de trabalhadores em funções públicas, repondo os valores mínimos para que a resposta, especialmente em tempos de pandemia, pudesse ser adequada às exigências presentes. Foi dada prioridade aos salários mais baixos; agora, é necessário valorizar os trabalhadores mais qualificados que já integram a Administração Pública, e também torná-la mais atrativa para os novos trabalhadores.


      O PS assume que a captação de talentos e a sua fixação na Administração Pública são a pedra basilar para que os serviços públicos sejam qualificados e capazes de dar as respostas que os cidadãos e as empresas exigem, com celeridade, eficácia e proximidade.


      São, assim, desígnios do PS a valorização, a capacitação e o rejuvenescimento da Administração Pública. Por isso, preconizamos:



  • Rever a Tabela Remuneratória Única, com vista a garantir que todas as carreiras possuem posições remuneratórias que permitam o seu normal desenvolvimento;

  • Retomar a regularidade das atualizações salariais anuais;

  • Valorizar as carreiras, garantindo um SIADAP justo, proporcional, transparente e anualizado, como forma de captação de talentos para a Administração Pública, garantindo que os objetivos fixados sejam prioritariamente direcionados para a prestação de serviços ao cidadão;

  • Concluir a revisão das carreiras não revistas, com uma discussão alargada e transparente para harmonizar regimes, garantir a equidade e a sustentabilidade, assegurando percursos profissionais assentes no mérito dos trabalhadores;

  • Valorizar os salários e as carreiras técnicas;

  • Desenvolver novos modelos de trabalho na Administração Pública, nomeadamente o teletrabalho, considerando a importância de criar redes de proximidade em todo o território;

  • Estabelecer incentivos para a deslocalização de postos de trabalho para zonas do interior ou fora dos grandes centros urbanos;

  • Adotar medidas de responsabilização e valorização dos dirigentes intermédios da Administração Pública, impedindo a concentração da competência para decidir nos graus mais elevados das hierarquias;

  • Aprofundar e incentivar a utilização do modelo de avaliação dos serviços com distinção de mérito associada aos melhores níveis de desempenho e refletir essa distinção em benefícios para os respetivos trabalhadores, garantindo assim o alinhamento das dimensões individual e organizacional;

  • Reforçar o modelo de formação aos trabalhadores em funções públicas pelo Instituto Nacional de Administração, I.P. (INA), alavancando a sua capacitação e o reforço de competências em larga escala;

  • Apostar na capacitação digital dos trabalhadores, desde os níveis mais básicos e das competências digitais intermédias até à qualificação avançada em tecnologias emergentes;

  • Investir em novas competências através do Programa de Capacitação em Direitos Humanos para a Administração Pública, dinamizado pelo INA, que se destina a trabalhadores e dirigentes públicos e que visa formar para direitos humanos, dignidade e cidadania, diversidade e igualdade, bens e serviço público e acesso a novas formas de Administração;

  • Aprofundar e desenvolver os centros de competências (JurisAPP, PlanAPP, TICAP, CAPE);

  • Consolidar e ampliar os centros de competências, associando-lhes uma dimensão de conhecimento acessível para a Administração Pública e reforçando a capacidade crítica e a especialização dos seus trabalhadores;

  • Instituir modelos de trabalho colaborativo nas áreas financeira, de gestão e de recursos humanos, para que os trabalhadores funcionem em rede e em articulação direta com as áreas governativas das finanças e da Administração Pública, quer para o apoio técnico, quer para o reforço das respetivas competências profissionais;

  • Estabelecer percursos formativos que incluam capacitação para a liderança em contexto público e liderança de equipas com autonomia reforçada;

  • Dar continuidade ao «Qualifica AP», de modo a assegurar o pleno envolvimento do Estado, enquanto empregador, no esforço de qualificação dos seus trabalhadores;

  • Implementar políticas de gestão de pessoas, nomeadamente planeando o recrutamento em função das necessidades efetivas de cada área da Administração Pública;

  • Rever o regime de acesso à Administração Pública, de forma a agilizar e simplificar os processos de recrutamento, tornando-os mais céleres, em especial para jovens recém-licenciados, respeitando sempre o princípio de igualdade no acesso;

  • Potenciar o acesso às carreiras de técnico superior da Administração Pública, melhorando os níveis remuneratórios de acesso e beneficiando, também, a formação em mestrados e doutoramentos;

  • Aperfeiçoar o modelo de recrutamento e seleção de dirigentes superiores, garantindo a transparência, o mérito e a igualdade de oportunidades, permitindo à CRESAP proceder à abertura oficiosa de concursos para dirigentes superiores;

  • Rever a duração das comissões de serviços de dirigentes intermédios, com vista a imprimir maior dinamismo nos serviços, alargando ainda a sua base de recrutamento para além da Administração Pública, ao setor empresarial do Estado e às autoridades reguladoras.»


      Para além destas considerações gerais comuns a toda a Administração Pública, em concreto para os Oficiais de Justiça consta apenas o seguinte:


      «Garantir adequada formação inicial e contínua aos Oficiais de Justiça, com reforço da capacitação e valorização das respetivas competências».


      Na secção dedicada à Justiça leem-se os seguintes aspetos:



  • «Uma Justiça eficiente, ao serviço dos direitos e do desenvolvimento económico-social:


      Tornar a Justiça mais próxima, mais eficiente e mais célere, aumentar a transparência e a prestação de contas do serviço público de Justiça e contribuir para melhorar a qualidade da Justiça, criando as condições legislativas, materiais e técnicas para o efeito, são objetivos essenciais para o interesse do Estado e dos cidadãos.


      Aumentar a confiança dos cidadãos e das empresas na Justiça é, justamente, um dos desígnios a perseguir, que ademais se revela crucial ao desenvolvimento social e económico do país. Para tal, é decisivo que se invista na melhoria do serviço prestado, da imagem pública da Justiça e da perceção social sobre os serviços de justiça. Sem nunca pôr em causa o princípio da separação de poderes e a independência do poder judicial, que constituem verdadeiras traves-mestras do nosso Estado de Direito Democrático e elementos absolutamente imprescindíveis para assegurar a confiança no sistema de justiça.



  • Tornar a Justiça mais próxima dos cidadãos, mais eficiente, moderna e acessível:


      Uma Justiça ao serviço dos direitos dos cidadãos e do desenvolvimento económico-social tem de ser, em primeiro lugar, eficiente. Eficiência exige celeridade das decisões e um modelo de funcionamento simplificado, que permita a todos os cidadãos aceder à Justiça em condições de igualdade. A morosidade e a complexidade processuais, bem como o atual sistema de custas processuais são um obstáculo à plena realização dos direitos e também um entrave ao desenvolvimento económico. É vital implementar soluções modernas, simples e eficientes.



  • Aumentar a transparência e a “accountability” na administração da Justiça:


      A administração da Justiça é um serviço público que integra o cerne do Estado de Direito Democrático. Por isso, a Justiça – nas suas várias dimensões e, em especial, no que se refere ao seu funcionamento e resultados – deve atuar de forma transparente e ser plenamente escrutinável pelos cidadãos.



  • Criar condições para a melhoria da qualidade e eficácia das decisões judiciais:


      As decisões judiciais têm uma legitimidade própria, que lhes é conferida pela Constituição e pela lei. Contudo, e sendo essa legitimidade indiscutível, têm de ser criadas todas as condições – legais, materiais e outras – para as tornar efetivas, melhorar o processo de decisão e aumentar a aceitação das sentenças pela comunidade, designadamente em setores como a justiça penal, de família e laboral.»


      Pode aceder ao programa do PS através da seguinte hiperligação: “Programa Eleitoral PS Legislativas 2022”.


PS-CapaProgramaEleitoralLegislativas2022.jpg

Comentários

  1. Ou seja, para a Justica prometem:
    Aplicacao do regime geral da função publica, em salarios, avaliacao, etc
    Eficacia e eficiência, diga-se celeridade e resultados práticos.
    Justica + proxima
    Transparencia e prestacao de contas / accountability.
    Ou seja, generalidades facilmente contornaveis, de conteúdo semelhante ao programa do PSD, mas ditas de forma menos frontal.




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    1. Passa-se a fazer como enfermeiros e médicos.
      Não há condições de trabalho?
      Pedimos escusa de responsabilidade !!

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  2. Atrair e reter talento com 750 euros mês?
    Em que mundo vive esta gente?

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    1. Os RH nesta DG não riscam nada. Não são ouvidos para nada. servem apenas para procesar salários e nada mais.
      Ou então são os velhos RH que não sabem, não se atualizam e não querem saber.
      Uma coisa é certa, não é com esta política que atrairemos e reteremos profissionais de jeito.
      Não tarda, andamos a minguar por malta com o 9º ano e um qualquer TEP de escriturário.
      Ideia é mesmo essa, aliás. Desvalorizar 4/5 dos OJ´s, remetendo-os para um trabalho meramente administrativo, para que não aspirem a mais de 800/mês.

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  3. E não se esqueçam dos de sempre, que ainda hoje vieram dizer que há falta de juízes !

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  4. Até parece que nunca tiveram a oportunidade de governar este país!...

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    1. É como a anedota, estiveram em cima... mas não fizeram nada!

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  5. O futuro da nossa classe passa pela contratação de paquistaneses, brasileiros e indianos ... Comem pouco, não são de grandes luxos, vivem aos dez e quinze num quartinho arrendado de pequenas dimensões... É só ensinar-lhes a carregar no botão, eles aprendem com facilidade. Com estas contratações, o Estado vai poupar muitos milhares de euros e os Tribunais vão tornar-se muito mais eficientes.

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