Divulgação de programas eleitorais: hoje o do Bloco de Esquerda

      Continuamos com a apresentação dos extratos dos programas eleitorais dos vários partidos que concorrem a estas eleições legislativas (dando prioridade àqueles que têm assento parlamentar), na parte em que podem interessar diretamente aos Oficiais de Justiça.


      Hoje apresentamos um extrato do programa do Bloco de Esquerda (BE).


      Recapitulando, já aqui vimos no programa do PS e do PSD que a dedicação aos Oficiais de Justiça consiste no tema da formação, para ambos esses partidos, acrescentando o PSD preocupações de caráter disciplinar (como se hoje não existissem), apontando a possibilidade de submissão de queixas por parte dos cidadãos e a possibilidade de punição pelo presidente da comarca, acrescentando ainda a obrigação de integrar equipas de recuperação.


      No que diz respeito aos Oficiais de Justiça, o Bloco de Esquerda não menciona nenhuma daquelas medidas do PS e do PSD, indicando antes outras no seguintes termos:


      «Respeito dos direitos dos Oficiais de Justiça, através da inclusão do suplemento de recuperação processual nos 14 meses de vencimento, com efeitos a 1 de janeiro de 2021; da abertura de concursos para acesso a todas as categorias; do preenchimento integral dos lugares vagos e da regulamentação do acesso ao regime de pré-aposentação.»


      São aspetos relevantes da carreira dos Oficiais de Justiça, estes que o Bloco de Esquerda introduziu no seu programa. Claro que ficaram de fora outros aspetos mas, pelo menos, não se limitam à ladainha da formação e do recalcamento do exercício do poder disciplinar.


      Quanto a outros assuntos para a Justiça no programa do Bloco de Esquerda, encontram-se os seguintes:


      – «Elaboração de uma Lei de Bases da Justiça que consagre um Serviço Nacional de Justiça assente nos princípios da gratuitidade no acesso, da proximidade dos serviços de justiça, orientação do sistema de execução de penas pelo primado dos direitos humanos e da ressocialização, e dignificação das carreiras dos/as profissionais do sistema de Justiça;


      – Redução generalizada das taxas e custas processuais, nomeadamente, isenção de custas em ações por acidente de trabalho, fim das custas de parte em processos de trabalho, alargamento da capacidade jurídica das comissões de trabalhadores em empresas com mais de 250 trabalhadores, incluindo isenção de custas para defesa dos interesses individuais e coletivos dos trabalhadores;


      – Criação de um programa nacional de formação para advogados inscritos na área do acesso ao Direito e aos tribunais, permitindo que os serviços prestados aos cidadãos e às cidadãs tenham uma melhor qualidade e assegurem uma melhor defesa dos seus interesses;


      – Revisão da tabela de honorários dos profissionais afetos ao sistema de acesso ao direito e aos tribunais;


      – Integração da Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores na Segurança Social;


      – Recusar as restrições impostas pela Ordem dos Advogados no acesso à profissão;


      – Dignificar o sistema de execução de penas, criando condições para que a reinserção social deixe de ser desvalorizada e retomando a dinâmica interrompida de aplicação de penas alternativas à de prisão para a pequena criminalidade; requalificando o parque penitenciário e procedendo à contratação dos profissionais necessários, nos termos assumidos no Relatório “Olhar o futuro para guiar a ação presente – 2017-2027”; pondo fim ao entendimento das prisões como “offshores” de legalidade, fazendo cumprir direitos tão básicos como o apoio jurídico aos reclusos, a instalação em celas individuais dignas ou a saúde em todas as suas valências;


      – Dotar o Instituto de Registos e Notariado dos meios humanos indispensáveis para a garantia de um serviço público de qualidade;


      – Criar um corpo de peritos na jurisdição de família e menores nos quadros permanentes dos tribunais de família;


      – Fomentar a formação específica dos magistrados e rever os trâmites dos processos penais que envolvam menores;


      – Criar um julgado de paz por município, ou por agrupamento de municípios, cuja população seja igual ou superior a 50 mil habitantes.»


      Pode aceder e ver todo o programa eleitoral apresentado para estas eleições legislativas de 2022, pela hiperligação que segue: “Programa BE”.


BE-CapaProgramaLegislativas2022.jpg

Comentários

  1. Bonito, bonito, é ver o questionário que por aí anda a rolar sobre absentismo nos tribunais de 1ª instância !!
    A que conclusões pretender realmente chegar, se fazem um questionário em Likert e depois condicionam as respostas ao não permitir dar mais do que uma resposta por coluna, quando as perguntas são totalmente distintas????
    HILARIANTE !!!!
    De que forma pretendem chegar a conclusões fidedignas, com esta imposição????
    Uma aberração total.
    A conclusão a que chegarem, está já à partida viciada, meus senhores. Uma das permissas de resposta a um questionário desta índole, é exatamente ser de RESPOSTA LIVRE. Ou seja, não condicionada, de qualquer forma.
    Não brinquem!!

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    1. Hilariante mesmo! eheheh

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    2. Custa-me a acreditar que um profissional de RH tenha feito este questionário, exatamente como está. Algo aqui está mal.
      Que formação tem quem fez isto?
      Não é dos livros e foge totalmente às mais elementares regras de pesquisa e análise de dados.
      E qual o origem deste questionário? Está validado?
      Obviamente que não !!

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  2. O Bloco no seu melhor...mais, mais, mais para as pessoas e menos para as instituições, pergunto, com tanta gratuitidade onde pensa essas cabeças bloquistas arranjar dinheiro para financiar a Justiça? O OE? Bem, com tanta gratuitidade que o Bloco preconiza para o SNS e Educação!

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  3. Em 47 anos, após 25 de Abril, ordenado minimo aumentou pouco mais do que 0.20€/ano!

    A partir de 2017, de acordo com a mesma fonte, foi o momento a partir do qual o aumento do referido ordenado passou a ser mais expressivo.

    Fonte: Pordata.

    P. s.

    Nao se esqueçam agora de votar nos adoradores do IRC!

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    1. Era interssante a mesma fonte dispor de dados quantificadores da desproporcionalidade dos ganhos obtidos pelos ditos empresários e Estado, enquanto patrões, em período homólogo.

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    2. O tuga é manso, sofre de amnésia e só lhe interessam Bigbrother's!

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    3. Muito bem.

      E andam aí esses adoradores do IRC, e o povo come, que é o mais estranho, a dizer que levar o ordenado mínimo aos 900€ seria colocar em perigo o equilíbrio financeiro do país, entenda-se da TAP, BES, PPP's e outros survedouros dos constantes Orçamentos de Estado, bem como de empresários subsidio dependentes e outros a quem interessa apenas o lucro negocial de 70%, sem qualquer reinvestimento.

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  4. ue começar a demninstrar ao que vamos24/1/22 17:09

    Assim, como assim, a ver iremos e coisa e tal, talvez para o ano ou para o outro, se os parâmetros da curva o perrmitirem.
    Tenho dito.
    GREVE EM ABRIL - TODOOOOOO O MÊS.

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    1. E os sindicatos a pagarem o ordenado aos funcionários todos, sindicalizados ou não ( devem ter fundos para isso !!!!) Ou será que o SFJ gastou o dinheiro todo na caravana da justiça que não deu em nada.

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  5. Tudo adorável mas sao poucas ou nenhumas as medidas que nao se traduzam em despesa com financiamento incógnito.
    É tudo uma festa em que o ultimo a sair fecha a porta e o proximo a abrir que pague a conta.

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