OE 2022 em promoção
O nosso leitor António Fernando envia-nos com frequência as suas reflexões, desabafos e opiniões. Envia também o mesmo e-mail para os dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça.
Esta semana enviou o texto que a seguir vamos reproduzir que intitulou assim: "O Ridículo".
«Inquietado, para saber do futuro, da vida real e não daquela propagada por quem se diz ter dons de adivinhação, assisti muito atentamente ao debate de ontem à noite [refere-se ao debate entre Costa e Rio] entre os potenciais líderes dos nossos destinos, do nosso futuro e dos nossos filhos.
A imagem que mais impressionou, foi precisamente a do Sr. António Costa no final do debate, anunciando o OE para 2022, como se tratasse de uma promoção em campanhas comerciais de produtos naturais como o Calcitrin, que astuciosamente se promovem, dizendo-se compre já e leve também gratuitamente a bíblia para a sua vida, apelando àquele impulso natural que nos leva a comprar algo que não queremos nem precisamos só porque nos oferecem qualquer coisa.
Ora, do livro (OE 2022) anunciado, já se sabe tudo, nomeadamente na justiça, com a nivelação dos salários por baixo (mais um par de anos e, muitos de nós, pouco mais receberão do que o salário mínimo nacional, se atentarmos a que quem está nesta situação beneficia de isenções, nomeadamente no SNS e de melhor fiscalidade (IRS)) . Por outro lado, os aumentos da função pública, dos quadros qualificados acompanharão a inflação.
Será que é apanágio deste líder, uma espécie de sociedade organizada em que, independentemente do seu esforço, do seu estudo e trabalho, todos recebem o mesmo salário, mas em que continua a haver um grupo de privilegiados com estatuto social diferente, atingido pela filiação pessoal e partidária ou feições apadrinhadas?
Não será melhor uma sociedade que privilegie a meritocracia; que reconheça que quem mais se esforça, dedica, estuda, trabalha, pode almejar a alcançar uma melhor situação de vida, garantindo-se a todos uma igualdade de oportunidade e a assistência social a quem, pelos diversos motivos, não tem essas expectativas?
A motivação seria outra, certamente, se todos nós soubéssemos à partida que com trabalho e dedicação, teríamos pelo menos a oportunidade de melhorar o nosso futuro.
Não apelo a radicalismos, nem o meu voto servirá gratuitamente pulsões fortuitas de revolta para apoiar ideias radicais (à esquerda e à direita) com ideias mirabolantes e utópicas.
Farei um bom uso do meu voto que não alieno a ninguém e nem me deixo comprar com anúncios de campanha eleitoral que pretendem vender o que já é nosso – o nosso futuro – como se fosse algo que se pudesse aprisionar num “pensamento” de uma pessoa ou partido e promovido como um remédio natural.
Para o Sr. António Costa a resposta ao problema dos tribunais é, simplesmente, a informatização (o digital). Para o Sr. Rui Rio é o problema dos Conselhos Superiores e a eficiência dos serviços (falta de organização).
Esquecendo-se que informatizar não é só “digitalizar papéis”, é acima de tudo a desmaterialização dos processos e a interação com os intervenientes de forma digital, para que em tempo real se possa acompanhar um processo, praticar atos, executar os trâmites e, decidir-se com celeridade e qualidade, sendo para isso preciso qualificar os quadros de pessoal.
Qualificar é ter mais competências, e correspetivamente melhores salários, pessoas mais felizes que prestam um serviço eficiente e com mais qualidade.
Apelo a que se propugne, no que à carreia de Oficial de Justiça diz respeito, por se reivindicar a “esperança” que atualmente está fechada na ideologia politica que nos governa.»

Desconfio bem que não há sequer uma ideologia nesta governação!
ResponderEliminarSubscrevo totalmente! É isso, para além do salário monetário também é importante o salário emocional. Detesto trabalho automático e acrítico! Nós fazemos parte! Bom domingo
ResponderEliminarObrigada colega
Farto desta política de esquerda que nos des.governa, nivelando os nossos salários por baixo!
ResponderEliminarUm sindicalismo atrelado, sem as virtudes pessoais e públicas, de dignidade, verdade, respeito, liberdade e de justiça, acaba por ser escravo, pois estas são as virtudes que libertam os trabalhadores da escravidão e da subserviência.
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